Viagem de Bike Estrada Real - Petrópolis (RJ) a Diamantina (MG). Verão 2017.
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VIAGEM DE BIKE ESTRADA REAL - VERÃO 2017 |
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PETRÓPOLIS (RJ) A DIAMANTINA (MG) 903 km |
Disponível em:<www.institutoestradareal.com.br/estradareal#mapa-estrada-real.
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VIAGEM DE BIKE ESTRADA REAL - VERÃO 2017 |
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PETRÓPOLIS (RJ) A DIAMANTINA (MG) |
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CAMINHO NOVO |
PETRÓPOLIS (RJ) A OURO PRETO (MG) |
438 km |
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CAMINHO DO SABARABUÇU |
OURO PRETO (MG) A COCAIS (MG) |
202 km |
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CAMINHO DOS DIAMANTES |
COCAIS (MG) A DIAMANTINA (MG) |
263 km |
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TOTAL |
903 km |
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A GÊNESE DO CAMINHO NOVO
Em 1698, o então governador da Capitania do Rio de
Janeiro, Artur de Sá e Menezes, propôs a Dom Pedro II, cognominado "o
Pacificador", que foi rei de Portugal entre 1648 - 1706, a abertura do
“Caminho Novo”, com 500 quilômetros de extensão, ligando as Minas dos
Cataguases diretamente ao Rio de Janeiro, o que diminuiria consideravelmente o
tempo de viagem.
A Capitania de Minas Gerias, desmembrada do
controle da capitania de São Paulo, fato motivado pela região das minas
contar com certa autonomia administrativa.
(RENGER, 2007, p. 130).
Com o novo caminho, a jornada, antes feita em 45
dias pelo Caminho Velho - via Paraty -, diminuiu para 12 ou 15 dias,
facilitando, assim, tanto a entrada de homens e produtos nas minas quanto o
escoamento do ouro para o porto fluminense.
[...] foi "inaugurado" em 1702, porém
incompleto.
O Caminho Novo da Estrada Real foi
concluído somente em 1725, mesmo assim por outros construtores.
Lucas Figueiredo na Obra Boa ventura! A Corrida do Ouro no Brasil. Rio de Janeiro - Record - 2011, p. 145 (com adaptações).
1. "O Caminho Novo era a síntese de Minas".
2. "Em cinco décadas de existência, a estrada tinha sido palco de esperanças e tragédias da corrida do ouro no Brasil".
3. "Por
toda parte viam-se as marcas do apogeu da produção do metal precioso e também
da decadência". "As matas
devastadas, a terra revolvida, as encostas escalavradas, ribeiras desviadas,
tudo posto fora de lugar pela mineração."
A [três] descrições [acima] do Caminho Novo têm como base a reconstrução histórica do cenário da Estrada Real, na segunda metade do século XVIII, feita por Sérgio Alcides na obra Estes Penhascos: Cláudio Manoel da Costa e a paisagem das Minas, 1753 - 1773, p.121.
[...] os cofres portugueses eram como buracos negros a sugar todo ouro e diamante que aflorassem na Capitania de Minas [...].
Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, p. 36.
[...] A Capitania de Minas era a menina dos olhos da Coroa porquê do seu ouro Portugal se sustentava.
Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, p. 65.
[...] a causa verdadeira da falta de ensino superior [na Colônia] estava no desejo de Portugal em manter a população na ignorância e, com ela, impedir que pleiteassem emancipação política.
Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, p. 67.
1ª ETAPA | |||||
CAMINHO NOVO 438 km | |||||
PETRÓPOLIS (RJ) A OURO PRETO (MG) | |||||
CAMINHO NOVO
438 km | DATA | TRECHOS | KM | TOTAL | ∑ |
27/12 2016 | Petrópolis (RJ) a Itaipava (RJ) | 32 | 66 | 66 | |
Itaipava (RJ) a Paraíba do Sul (RJ) | 34 | ||||
28/12 2016 | Paraíba do Sul (RJ) a Monte Serrat (RJ) | 21 | 69 | 135 | |
M. Serrat (RJ) a Matias Barbosa (MG) | 24 | ||||
M. Barbosa (MG) a Juiz de Fora (MG) | 24 | ||||
29/12 2016 | J. Fora (MG) a Ewbank da Câmara (MG) | 48 | 68 | 203 | |
E. da Câmara (MG) a Santos Dumont (MG) | 20 | ||||
30/12 2016 | Sto. Dumont (MG) a Ant. Carlos (MG) | 56 | 56 | 259 | |
31/12 2016 | Antônio Carlos (MG) a Barbacena (MG) | 13 | 41 | 300 | |
Barbacena (MG) a Ressaquinha (MG) | 28 | ||||
01/01 2017 | Ressaquinha (MG) a Carandaí (MG) | 30 | 62 | 362 | |
Carandaí (MG) a Queluzito (MG) | 32 | ||||
02/01 2017 | Queluzito (MG) a C. Lafaiete (MG) | 20 | 44 | 406 | |
C. Lafaiete (MG) a Ouro Branco (MG) | 24 | ||||
03/01 2017 | Ouro Branco (MG) a Ouro Preto (MG) | 32 | 32 | 438 | |
Moro em
Brasília (DF), de onde parti [de ônibus] no dia 25/12/2016, às 12h30. Cheguei a
Petrópolis (RJ) às 6h30 do dia seguinte.
Hospedei–me
no Hotel Grão Pará, defronte à antiga Rodoviária e estrategicamente localizado
próximo à entrada da Estrada de Ferro Príncipe Grão Pará, ponto de partida, a
partir de Petrópolis (RJ), do Caminho Novo da Estrada Real.
Recomendo
o Hotel Grão Pará. Excelente estada e ótima localização.

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27/12/2016 |
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1º dia |
Petrópolis (RJ) a Paraíba do Sul (RJ) |
66 km |
Acordei
cedo e fui [a passos] ao Centro de Informações Turísticas de Petrópolis (RJ) – 304.758 habitantes.
Censo IBGE 2022 – retirar o Passaporte da Estrada
Real. O quiosque abriu com meia hora de atraso. Que massada!
Enquanto
aguardava o preenchimento/liberação do salvo-conduto, um pardal desnorteado deu
várias voltas à sala até dar outra vez com a saída, livre para continuar a
voar, bem como eu, livre para iniciar minha jornada.
Do
Centro de Informações Turísticas de Petrópolis (RJ), voltei ao Hotel Grão Pará,
arrumei meus haveres e, pela Rua Hélio Bittencourt, uma via muito estreita, à
semelhança do mapa do Chile, dei por aberta as primeiras pedaladas para
alcançar – em 21 dias – a distante Diamantina (MG), 903
quilômetros à frente.
Após
poucos quilômetros pedalados pela Rua Hélio Bittencourt, atravessei o
Túnel de Quissamã, que fez parte da extinta Estrada de Ferro Príncipe
Grão Pará (*), responsável por
prolongar a linha férrea de Petrópolis (RJ) até Areal (RJ), entre 1883 e 1886.
Foi extinta em 1964.
(*) Príncipe do Grão–Pará foi
o título atribuído ao primogênito da Princesa Isabel do Brasil, D. Pedro de
Alcântara de Orléans e Bragança (1875 – 1940), situando–se
como o herdeiro presuntivo (suposição ou probabilidade), pois a primeira
na linha de sucessão a D. Pedro II seria Isabel, conforme definido
pela Constituição Brasileira de 1824.
Pedro de Alcântara, Príncipe do Grão-Pará renunciou, aos
direitos de ocupar o trono para se casar com a Baronesa Austro–húngara
Elisabeth Dobrzenski de Dobrzenitz (1875–1951).
A Constituição Republicana de 1891 aboliu os títulos
nobiliárquicos e os privilégios de nascimento, extinguindo juridicamente o
principado.
Fonte: Carvalho, José Murilo de (2007), D. Pedro II. São Paulo: Companhia das Letras.

À saída da galeria, segui pela Rua Quissamã, às 11h parei diante da
antiga Estação Ferroviária de Cascatinha, segundo distrito mais populoso de
Petrópolis (RJ).
Cresceu em torno da histórica Companhia Petropolitana de Tecidos, unindo tradição operária, belezas naturais e excelente infraestrutura.


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A Estação Cascatinha é um antigo ponto ferroviário
histórico localizado no distrito de Cascatinha, em Petrópolis (RJ). Originalmente, foi parte da linha de subúrbios da Leopoldina
Railway, que desempenhou um papel importante no transporte da região serrana
desde o século XIX. |
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A estação foi inaugurada nos anos 1880 e permaneceu em operação até sua desativação, em 05/11/ 1964. |
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Após anos de abandono, o prédio foi restaurado e hoje funciona
como um Centro Cultural, preservando a memória ferroviária local com pinturas artísticas e exposições. |
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Situa-se às margens do Caminho Novo da Estrada Real, à Rua Hyvio
Naliato, em Cascatinha, o segundo distrito mais populoso da Cidade Imperial. |
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O local é um testemunho da dinâmica comercial durante o auge das
ferrovias no Brasil. Servia como ponto de ligação de Petrópolis a Pedro do Rio,
seguindo para Posse, Areal, Três Rios e terminando em São José do Vale do Rio
Preto (RJ). Extensão provável entre Raiz da Serra, na Vila Inhomirim, e São
José do Vale do Rio Preto: 73 km. |
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Disponível em: < https://ferroviavezevoz.com/2026/03/15/estrada-de-ferro-principe-do-grao-para/.
Acesso: 02/06/2026. |
Cheguei a Itaipava, distrito de Petrópolis, às 11h57 (RJ) também conhecida como a “Búzios Serrana”.
Com inúmeros condomínios fechados e
de alto padrão, pequenos shoppings, com sofisticadas lojas de
grifes, Itaipava (pedra redonda, em Tupi) é frequentada por parte da abastada sociedade
carioca.
O distrito abriga muitas pousadas com ampla infraestrutura, hotéis de alto padrão e sofisticados restaurantes.
Alcancei o Castelinho de Itaipava às 12h26 e almocei em Pedro do Rio, 4º distrito de Petrópolis (RJ), que abriga a Cervejaria Itaipava.


7,5 quilômetros adiante, e rumando
pela Rodovia RJ - 123, alcancei Secretário, outro subdistrito de Petrópolis
(RJ). Eram 14h15. Temperatura subindo.

De Secretário em diante, pedalei - em ascenso - por 12 quilômetros [asfalto] até o Arraial de Inconfidência, 3º distrito de Paraíba do Sul (RJ), também conhecido por Arraial de Sebollas, a antiga Vila de Santana de Sebollas (*), atual Inconfidência, que abriga 1.900 habitantes, de acordo com informações locais.
(*) A localidade de Sebollas, também conhecida como Inconfidência, guarda
passagens importantes da nossa história.
Consta que ali, com frequência, pousava Tiradentes, o arauto da Inconfidência Mineira, em suas viagens ao Rio de Janeiro, tendo , naquele sítio, desenvolvido algumas amizades.
Preso e enforcado por sua atuação na Inconfidência
Mineira, o Alferes teve o corpo partido em pedaços e algumas partes ficaram expostas
em lugares públicos, ao longo do trajeto por ele habitualmente percorrido, desde
as Minas Gerais até o Rio de Janeiro, para que constasse como exemplo e desestímulo a eventuais
insurgentes.
Foi assim que, uma das partes de seu corpo, o
quarto superior esquerdo, foi pendurado na localidade de Sebollas.
![]()

No início da tarde de 21 de abril de 1792, retirado
da forca, o seu corpo foi entregue a soldados tidos como hábeis na arte de
esquartejar.
Dividiram o cadáver de acordo com o decidido na
sentença, as partes foram colocadas em sacos de couro com suficiente quantidade
de sal.
Foram chamados tropeiros a fim de fazer o
transporte das peças para o sítio das Sebollas e para Minas.
A viagem durou cerca de 20 dias, o dobro do tempo
normal, pois eles tinham que providenciar a entrega dos restos ao longo do
caminho para serem expostos.
O sítio [das Sebollas] foi o primeiro local a
receber 1/4 do corpo de Tiradentes e a pendurá-lo no alto do poste; o segundo
quarto foi levantado no Arraial da Igreja (atual Barbacena); o terceiro,
entregue na Estalagem da Varginha, situada a seis quilômetros de Conselheiro
Lafaiete e o último quarto foi pendurado no sítio das Bandeiras,
próximo a Cachoeira do Campo.
Coube à Vila Rica (Atual Ouro Preto) a cabeça que,
guardada por sentinelas, ficou expostas por vários dias.
Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, p. 131-132.
OS 25
CONJURADOS |
PENA DE MORTE (1) |
1. Alferes Joaquim José da Silva Xavier
— o Tiradentes |
PENA COMUTADA (ALTERADA) PARA DEGREDO
(10) |
2. Tenente - Coronel Fcº de Paula
Freire de Andrade - Morte em Angola 1808 |
3. José Álvares Maciel - Morreu em
Angola 1804 |
4. Coronel Inácio José de Alvarenga
Peixoto - Morreu em Angola 1804 |
5. Ten. Coronel Domingos de Abreu
Vieira - Morreu em Moçambique 1794 |
6. Coronel Francisco Antônio de
Oliveira Lopes - Morte em Moçambique 1794 |
7. Sargento - mor Luiz Vaz de Toledo
Piza - Morte em Angola 1807 |
8. Salvador Carvalho do Amaral Gurgel -
Morte em Moçambique 1812 |
9. Capitão José de Resende Costa -
Morte em Guiné-Bissau em 1798 |
10. José de Resende Costa (filho) -
Deportado para Cabo Verde. Voltou ao Brasil em 1809 - Morte no Rio de Janeiro
1841 |
11. Domingos Vidal de Barbosa Laje -
Morreu em Cabo Verde 1793 |
CONDENADOS AO DEGREDO PERPÉTUO (6) |
12. Desembargador Tomás Antônio Gonzaga
- Morte em Moçambique 1810 |
13. Capitão Vicente Vieira da Mota -
Morte em Moçambique 1798 |
14. Coronel José Aires Gomes - Morte em
Moçambique 1794 |
15. Antônio de Oliveira Lopes - Morte
em Moçambique 1794 |
16. João da Costa Rodrigues - Não há
ano exato e local do falecimento |
17. Vitoriano Gonçalves Veloso Morte em
Moçambique 1803 |
FALECIDOS NO CÁRCERE (3) |
18. Cláudio Manuel da Costa - Morte em
4 de julho de 1789 |
19. Cap. Manuel Joaquim de Sá Pinto
Fortes - Morte em 18 de abril de 1792 |
20. Francisco José de Mello - Sem
registro do falecimento |
SENTENÇAS SIGILOSAS (RÉUS CLÉRIGOS)
(5) |
21. Cônego Luís Vieira da Silva - Morte
em Paraty (RJ) 1809 |
22. Padre José da Silva e Oliveira
Rolim - Morte em Diamantina (MG) 1835 |
23. Padre Carlos Correia de Toledo e
Melo - Morte em Lisboa 1803 |
24. Padre Manuel Rodrigues da Costa -
Voltou a Minas Gerais após cumprir degredo em Lisboa, por
dez anos, em dependências eclesiásticas. |
25. Padre José Lopes de Oliveira -
Morte em Lisboa 1796 |
Disponível em: >
https://pt.wikipedia.org/wiki/Inconfid%C3%AAncia_Mineira>. Acesso: 12/05/2026. |

Visitei o Museu Sacro de Tiradentes,
uma pequena casa na qual estão guardadas as relíquias do alferes Joaquim José
da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792).

Inconfidência Mineira e seu caráter estritamente econômico.
“Em 1763, [...] sua majestade o Rei D. José I, pai da futura Rainha D. Maria I, a louca, lançou mão de um instrumento radical para cobrar a parcela do quinto (*) não recolhida". "Era a derrama, sinônimo de coleta forçada de impostos".
Fonte: O Tiradentes : Uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier / Lucas Figueiredo - 1ª ed - São Paulo : Companhia das Letras, 2018, p. 51.
Ao demonstrar sua insatisfação com a voracidade fiscal da Coroa
Portuguesa, Tiradentes APREGOAVA A NECESSIDADE DA EMANCIPAÇÃO DA CAPITANIA
DE MINAS GERAIS DE PORTUGAL [E NÃO A EMANCIPAÇÃO DO BRASIL].
Esse episódio histórico ficou conhecido por Inconfidência Mineira e
Tiradentes foi condenado, pela Rainha D. Maria I – a louca –, à forca e,
posterior, ao esquartejamento.
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O QUINTO |
(*) O termo
quinto não significou necessariamente a quinta parte (1/5) ou 20% da produção de
ouro. |
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Em verdade, quinto assumiu o significado de quota devida sobre o
ouro, podendo não corresponder ao limite de 20%, ou seja, o quinto ficou
sendo a denominação para qualquer forma de encargo tributário destinado
especificamente às explorações auríferas. |
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Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a
inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre
Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, p.61. |
“Os meios utilizados, na prática da derrama, iam de pressão à violência física”. “Nas ruas, nas estalagens, nos ranchos à beira das estradas, o assunto era a derrama”. “A indignação transbordou e os conjurados se organizaram”.
Escrito pelo brasilianista (estrangeiro especializado em
assuntos brasileiros) Kenneth Maxwell, a brilhante obra A Devassa da
Devassa desvelou (pôs à vista) os mitos que cercavam a Inconfidência
Mineira e revelou seu caráter profundamente econômico.
Ainda hoje, a obra é a principal referência sobre o tema.
Disponível
em:<https://docero.com.br/doc/xxsn8>. Acesso: 30/06/2014.
“Naquele momento [1789] as principais referências dos
conspiradores (ou conjurados – incluindo Tiradentes) NÃO eram D.
Maria I (*) e seus ministros
estrábicos, mas SIM os iluministas da Europa, os
revolucionários franceses, prestes a derrubar a monarquia
de Luís XVI, e os libertadores da América do Norte que, treze anos
antes [1776], conseguiram a independência dos Estados Unidos da América”.
“Os conspiradores ou conjurados sonhavam mais baixo”. “Queriam
apenas que a capitania (E NÃO A COLÔNIA BRASIL) se desgarrasse
de Portugal”.
“A instalação de um regime democrático NÃO ESTAVA NO
HORIZONTE DOS CONJURADOS, bem como a ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA”.
“O farol da Inconfidência Mineira não era propriamente a
política, mas sim a economia”.
“O poder e a riqueza é que estavam em jogo, não uma noção mais ampla de
liberdade”.
“Os inconfidentes não pensavam em fundar uma nação”. “Desejavam, tão somente,
dominar os rendosos postos da burocracia estatal, eliminar os monopólios
comerciais de Portugal (Pacto Colonial) e livrar-se das mordidas da
Coroa (derrama e o quinto) sobre os frutos das magras minas de ouro”.
“O negócio da conspiração ou Inconfidência Mineira eram os
negócios”.
IBIDEM, pp. 296/297. IBIDEM (termo em
latim que significa "na mesma obra"), ou seja:
Lucas Figueiredo na Obra Boa ventura!
A Corrida do Ouro no Brasil. Rio de
Janeiro : Record, 2011, p. 296.
(*) Rainha
Maria I, apelidada de "a Piedosa" e, posteriormente, "a
Louca", foi Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1777 –
1815).
Morreu em 1816, no Rio de Janeiro, durante o exílio forçado [de 13 anos] da
Família Real no Brasil (1808 – 1821).
E assim, seu filho, o Príncipe D. João VI, tornou-se Rei do Reino Unido de
Portugal, Brasil e Algarves.
D. João VI morreu em Lisboa (1826).
(Nota do Autor).
E
foi justamente por causa dos negócios que a conjuração ou Inconfidência Mineira
chegou ao fim. Um dos conspiradores (ou conjurados), Joaquim Silvério dos Reis,
um dos homens mais ricos de Vila Rica (atual Ouro Preto–MG), delatou seus
companheiros ao governador Luís Antônio Furtado de Mendonça, o Visconde de
Barbacena.
O
traidor (Silvério dos Reis, a primeira delação premiada no Brasil)
acreditava que, em troca da informação, teria suas dívidas (200 contos de réis,
uma fortuna colossal) com a Coroa perdoadas ou pelo menos aliviadas, quando da
execução da derrama. Com as informações passadas por Silvério dos Reis, o
governador (Visconde de Barbacena) conseguiu dissolver o movimento sem
dificuldades.
Foi
a primeira delação premiada da História do Brasil.
Ao
serem interrogados, praticamente todos os inconfidentes, à exceção de
Tiradentes, negaram participação na trama, alegando desde mal-entendidos a
bravatas feitas sob efeito de álcool. A maioria dos conjurados foi punida
com desterro (onde se está muito a desgosto) nas colônias portuguesas na
África.
Tiradentes,
o ponto mais frágil da urdidura (trama), teve o fim mais cruel. Depois de
amargar três anos de prisão na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, foi
enforcado, decapitado e esquartejado em 21/04/1792, por determinação da Rainha
Maria I, a louca.
O
martírio de Tiradentes certamente ensinou algo aos mineiros, mas também à
Coroa. Temendo outras revoltas, a derrama (*) foi
cancelada.
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(*) PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA DERRAMA |
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Cobrança forçada: Quando decretada, as autoridades podiam
confiscar joias, móveis, escravizados e propriedades dos cidadãos para
quitar a dívida da capitania. |
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Abrangência: O imposto recaía sobre todos os habitantes de da
Capitania de Minas Gerais, inclusive aqueles que não tinham relação com a
mineração. |
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Contexto de decadência: Foi instituída em meados do século XVIII,
justamente quando as jazidas de ouro começaram a se esgotar, tornando a meta
de 100 arrobas quase impossível de ser alcançada. |
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Estopim para revoltas: O medo e a indignação causados pela ameaça
constante da derrama foram os principais combustíveis para a Inconfidência
Mineira em 1789. Os 25 conjurados planejavam
iniciar o levante justamente no dia em que a cobrança fosse anunciada. |
|
A derrama tornou-se um dos maiores símbolos da
opressão fiscal de Portugal sobre a colônia brasileira. |
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Disponível em: https://jurishand.com/dicionario-juridico/derrama. Acesso: 01/03/2017. |
|
OS
PROPÓSITOS DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA Entre os planos dos inconfidentes estava transferir a capital para São João del Rei, “por ser mais bem situada e farta de mantimentos”, como depôs o conjurado Domingos de Abreu Vieira; “criar uma universidade em Vila Rica”, segundo depoimento deste mesmo conjurado; “unir Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro para se terem os recursos militares e financeiros necessários, e dotar a capitania de uma costa marítima, com portos abertos à navegação”, conforme depôs Padre Carlos Corrêa de Toledo […]. […] a revolução mineira de 1789 demonstrou o grande e irreprimível anseio do povo em sacudir o jugo lusitano que lhe embargava os passos. A Inconfidência Mineira teve duração fugaz, porque no espaço de pouco menos de um ano ela foi planejada, denunciada e sufocada. A Conjuração Mineira, que aconteceu sem armas, sem cavalaria, sem logística ou batalha, foi sumariamente exterminada pela força da lei, que viu nela uma ameaça, mesmo com as únicas armas reais que possuíam os conjurados: o intelecto e as letras, o que, bem aplicados e difundidos, tornar-se-iam perigo letal para governos autocráticos e déspotas decadentes. |
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Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de
Dirceu : a musa, a inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século
XVIII / Alexandre Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora,
2012, pp.132/133. |
A Coroa Portuguesa fez expor parte dos restos mortais do
Alferes Tiradentes nessa localidade na tentativa de inibir outras conspirações
contra a Coroa, principalmente no Caminho Novo da Estrada Real.
"Depois de rodar 110 quilômetros, a comitiva parou em
Sebolas, ainda em território fluminense, e cumpriu sua primeira missão: espetou
um dos pedaços do corpo de Tiradentes em uma estaca bem alta e fincou-a no
local de maior movimento do arraial".
"A escolha por Sebolas, feita pela Alçada, (competência
de um juiz ou tribunal) não foi fortuita (impensada): aquela tinha sido uma das
praças onde Joaquim exercera sua prática sediciosa (revolucionária)".
"Nas proximidades do arraial, por exemplo, ele tentara
recrutar alguns tropeiros, que fizeram rir dele".
"Terminada a tarefa, e com mais quatro partes do cadáver
para desovar, a comitiva seguiu adiante".
Fonte: Figueiredo, Lucas. O Tiradentes : Uma biografia de Joaquim José da Silva Xavier/Lucas Figueiredo - 1ª ed. - São Paulo : Companhia das Letras, 2018, p. 365.
Parti do antiga Vila de Santana de Sebollas às 16h19. Faltavam
21 quilômetros, 100% em descenso asfaltado, para alcançar Paraíba do Sul (RJ).
Às 17h atravessei Queima Sangue, bairro de Paraíba do Sul
(RJ), tão desconhecido quanto Marte. Nesse pacato lugar, a vida decorre
monótona e placidamente.

"O bairro [Queima Sangue] começou a
ser criado após se tornar um ponto de parada dos tropeiros, pessoas que levavam
o ouro por meio de muares (mulas)".
"Quando passavam por Paraíba do Sul, fizeram de Queima–Sangue
local de parada para se abrigarem e aproveitavam para cauterizar as feridas das
mulas e cavalos utilizados no transporte do ouro".
"O bairro ganhou o nome de Queima–Sangue, local no qual
era queimado o sangue dos animais para cicatrização".
"Segundo historiadores, o lugar das
cauterizações ocorria na atual Praça Sebastiana Nunes".
Disponível
em:<http://blogdequeimasangue.blogspot.com/p/historia-do-bairro.html>. Acesso:
1º/03/2017 (com adaptações).
Registro da Pampulha (*) entre Secretário e Sebollas.
Disponível em: <https://www.google.com/maps/>. Acesso: 1º/03/2017.
| (*) O Registro da Pampulha, localizado no Caminho Novo da Estrada Real, entre Secretário (distrito de Petrópolis) e Sebollas (distrito de Paraíba do Sul), era um posto colonial do século XVIII que fiscalizava as mercadorias e o ouro escoados até a Corte, no Rio de Janeiro, para posterior embarque a Portugal. |
Hoje, o local preserva ruínas históricas em meio à natureza, funcionando como um ponto de memória e carimbo para viajantes que percorrem o Caminho Novo da Estrada Real. |
Era conhecido como "Guarda da Pampulha", um dos postos de fiscalização da Coroa Portuguesa. |
Às 17h25, outro bairro de Paraíba do Sul com nome estranho: Fernandó.

Às
17h45 estava em Paraíba do Sul (RJ) – 41.786 habitantes – Censo
IBGE 2022, município pioneiro da Serra Fluminense, e hospedei-me no
Hotel Itaoca. Recomendo.
(Ita=pedra)
(Oca=casa). Casa de Pedra.

A
tônica do 1º dia de viagem, ao longo dos 66 quilômetros percorridos entre
Petrópolis (RJ) e Paraíba do Sul (PB), foi o calor senegalês. O trecho é
muito urbano e, por extensão, deveras movimentado.
Dos
quatro caminhos que constituem a Estrada Real, o Caminho Novo, que liga o Rio
de Janeiro (RJ) a Ouro Preto (MG) tem, entre Petrópolis (RJ) e Paraíba do Sul
(RJ), 80% do percurso asfaltado.
Foi
um pedal bem tranquilo e com altimetria suave. Mais descidas do que subidas.
Diamantina
(MG) a 828 quilômetros.
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28/12/2016 |
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2º dia |
Paraíba do Sul (RJ) a Juiz de Fora (MG) |
69 km |

Saí
de Paraíba do Sul (RJ), a Rainha das Águas Minerais, às 11h. Àquela hora, com o
Sol quase no Zênite (Sol a pino – 12h), o calor era abrasador.
Os
primeiros 25 quilômetros foram em leito natural e com piso em tom vermelho
"marte".
A estrada alterna pedaços bons e outros nem tanto. Nesse trecho existem muitas chácaras e haras bem cuidados. Ambiente bucólico regido pelos sons da natureza. Impossível ficar indiferente.


Às
15h estava no bairro de Monte Serrat, pertencente ao município de Levy
Gasparian (RJ), às margens do Rio Paraibuna e aos pés da colossal da Pedra do
Paraibuna, grande formação rochosa de granito. É uma das mais belas atrações
turísticas e naturais da região.
Segundo
dados fornecidos pelo IBGE, a pedra possui aproximadamente 890
metros de altura e, em vão livre, tem imenso paredão vertical, com cerca de 450
metros de altura. Esse monolito é o eterno vigilante da região.

Outro
atrativo desse bairro do município de Levy Gasparian (RJ) é a Igreja Nossa
Senhora do Monte Serrat, inaugurada em 1869 por S.M.I o Senhor D. Pedro II, o
segundo e último monarca do Império, tendo reinado o País ao longo de 58 anos
(1831–1889).
Somente
a Rainha Vitória, rainha do Reino Unido e Irlanda, teve um reinado mais longevo
(duradouro) que D. Pedro II: 64 anos no poder, contra 58 anos de Pedro de
Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula
Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança – o Magnânimo – e pai das
Princesas Isabel e Leopoldina e marido da italiana Teresa Cristina de
Bourbon-Duas Sicílias.

A
partir de Monte Serrat, o Estado do Rio ficou para trás. Atravessei a ponte
sobre o Rio Paraibuna. Bem–vinda Minas Gerais, município de Simão Pereira (MG).

Após
atingir a margem esquerda do Paraibuna (Minas Gerais), atravessei
perpendicularmente a linha férrea da MRS Logística e, poucos metros à frente –
uns 350 talvez –, parei diante do Registro do Paraibuna, um prédio em ruínas,
situado estrategicamente nos limites naturais entre Rio de Janeiro e Minas
Gerais, às margens da Rodovia União e Indústria, a antiga Rio de Janeiro (RJ) a
Juiz de Fora (MG).
Era
parada obrigatória para o recolhimento do Quinto Real, imposto (20%) cobrado
pela Coroa Portuguesa, que incidia sobre o ouro que seguia pela Estrada Real –
Caminho Novo –, da antiga Vila Rica (atual Ouro Preto–MG) para a Corte (Rio de
Janeiro).
O
Registro do Paraibuna evitava os descaminhos do ouro nas Minas Setecentistas.
A
mãe do Duque de Caxias – Mariana Cândida de Oliveira Belo – nasceu em 29 de
abril de 1783, no interior desse prédio, em lamentável estado de conservação.


Almocei,
às 16h37, em Simão
Pereira (MG) – 2.913 habitantes – Censo IBGE 2022 – que fica 7
quilômetros à frente do Registro do Paraibuna.
Às
18h, carimbei o passaporte em Matias Barbosa (MG) – 14.019 habitantes –
Censo IBGE 2022 – e cheguei a Juiz de Fora (MG) – 557.777
habitantes – Censo IBGE 2022 – junto com o Sol, que batia em retirada
para o Oeste e tingia tudo de vermelho, ou de laranja, conforme sua vontade.

Hospedei–me
no Hotel Pepita, adjacente à Rodoviária de Juiz de Fora (MG). Estada razoável,
embora a localização do Pepita seja deveras vantajosa àqueles que percorrem o
Caminho Novo rumo a Ouro Preto (MG), pois a estalagem situa–se na Avenida
Brasil, a saída para prosseguimento da viagem no dia seguinte.
Em
Juiz de Fora (MG) está localiza a Usina Hidrelétrica de Marmelos, em operação
desde 5 de setembro de 1889. Foi a primeira unidade de produção de energia
elétrica da América do Sul. Atualmente é administrada pela CEMIG (Cia.
Energética de Minas Gerais).
A
iniciativa da construção partiu do industrial mineiro Bernardo Mascarenhas (*) (1847 – 1899), que buscou, por vários
anos, uma forma mais moderna e prática de movimentar os teares de sua empresa
têxtil e ampliar a produção de tecidos.
(*) Bernardo Mascarenhas (1847 - 1899) foi um empreendedor brasileiro responsável, entre outros, pela fundação da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas e, juntamente com Francisco Batista de Oliveira, da Companhia Mineira de Eletricidade e da Usina Hidrelétrica de Marmelos.
Fonte: VAZ, Alisson Mascarenhas. Bernardo
Mascarenhas: desarrumando o arrumado - um homem de negócios do século XIX.
Diamantina
(MG) a 759 quilômetros.
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29/12/2016 |
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3º dia |
Juiz de Fora (MG) a Santos Dumont (MG) |
68 km |
A
saída de Juiz de Fora (MG) – às 8h30 – foi demorada: 1 hora e 15 minutos para
atravessar o perímetro urbano da maior cidade da Zona da Mata Mineira.
Segui
com o Rio Paraibuna à minha direita e atento às placas que indicam Barreira do
Triunfo, bairro no qual é feito o acesso à BR–040.
Após
deliciosa chávena de café expresso no Graal Sylvios, atravessei a BR–040 e
comecei a pedalar, sobre leito cascalhado, até Ewbank da Câmara (MG) – 3.836 habitantes –
Censo IBGE 2022 –, ex–distrito de Santos Dumont (MG).
A
emancipação aconteceu em 1962.

O
caminho entre Juiz de Fora (MG) e Ewbank da Câmara (MG) é paralelo à linha
férrea da MRS Logística, criada em 1996, quando o governo federal transferiu à
iniciativa privada, por meio de concessão e não privatização (*), a gestão do sistema ferroviário nacional. O
vai e vem de enormes comboios não cessa.
(*) Ferrovias,
assim como portos, aeroporto, rodovias, entre outros, são patrimônios da união
e patrimônios não podem ser privatizados, e sim concedidos à iniciativa
privada, por meio de leilões na Bovespa, por prazos que variam de 25 a 30 anos,
prorrogáveis ou não pelo Governo Federal.
(Nota do Autor).

Nesse trecho, a Estrada Real atravessa uma região na qual há uma mescla de fazendas leiteiras e haras.

Existem diversas marcações da Transpetro alertando acerca do
Gasoduto subterrâneo que corre paralelo ao caminho.
Às 12h35 atravessei a recôndita (desconhecida) Chapéu d´Uvas, distrito de Juiz de Fora (MG), que abriga a colossal Represa de Chapéu d´Uvas (*).
(*) Situada a 50 quilômetros da nascente do Rio Paraibuna e a 36 quilômetros de Juiz de Fora (MG), a represa tem 12 km2 de espelho d’água, 41 m de profundidade e volume de 146 milhões m3.
O lago formado pelo barramento do curso do Rio Paraibuna tem
capacidade para fornecer cinco mil litros de água por segundo.
A obra foi concebida com as finalidades de defender Juiz de
Fora das inundações, regularizar o volume do Rio Paraibuna, permitir maior
aproveitamento das usinas hidrelétricas da Cemig e ser mais uma fonte de
abastecimento de água para a cidade.



Às
13h42 estava em Ewbank da Câmara (MG) a saborear delicioso almoço no Bar e
Restaurante Drijair, na área central. O feijão, um néctar dos deuses.
Recomendo.

Devidamente
alimentado, voltei à lida do pedal para cumprir a última etapa daquele 3º dia
de viagem: Ewbank da Câmara (MG) a Santos Dumont (MG).
Difíceis
20 quilômetros, a maior parte em trilhas apertadas e mescladas às áreas de
pastos, matas e trechos alagadiços.
Em
certos pontos, a trilha estreita-se à semelhança ao mapa do Chile.


Aos
poucos a estrada vai alargando e a chegada a Santos Dumont (MG) – 44.140 habitantes – Censo
IBGE 2022 – foi tranquila.
O
Caminho desemboca na BR–040, defronte ao Auto Posto 14 Bis. Eram 16h08.
Até
a área central de Santos Dumont (MG) basta seguir a Avenida 15 de
Fevereiro, que muda para Rua Dr. Guilherme de Castro e depois passa a ser
Avenida Presidente Vargas. Ao término, dei de cara com uma réplica [em
miniatura] da Torre Eiffel.
Naquele
ponto fica o centro nervoso da cidade. O Passaporte foi carimbado na Banca de
Jornais do Zezé, na Avenida Getúlio Vargas, Centro.
Hospedei–me
na Pousada Villa Dumont. Excelente estada. Das acomodações ao café da
manhã, nota máxima.
Finalizado
o 3° dia de viagem. Faltavam 16 dias para chegar a Diamantina (MG).
Fazia
15 anos que a cantora Cássia Eller partiu para cantar no céu.
Diamantina
(MG) a 691 quilômetros.
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30/12/2016 |
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4º dia |
Santos Dumont (MG) a Antônio Carlos (MG) |
56 km |
Início
do pedal às 11h. De Santos Dumont (MG) a Antônio Carlos (MG), percorri 56
quilômetros, majoritariamente em leito natural e dotado de escassos pontos de
apoio.
Os
primeiros 14 quilômetros foram pedalados [em asfalto] na Rodovia Federal BR -
499, que liga Santos Dumont (MG) à pacata Cabangu (Caa–mata + bangu–escura),
local do nascimento de Alberto, o Santos Dumont, em 20 de julho de 1873.

No
quilômetro oito, abandonei a BR–499 para conhecer Mantiqueira, um subdistrito
de Santos Dumont (MG), cortado pela linha férrea da MRS Logística
A
localidade é muito pequena e nada de restaurante ou similar que oferecesse uma
refeição, àquela hora, bastante desejada.
A
estação ferroviária, construída em tijolos, está em ruínas, a mesma ruína que
se encontra a malha ferroviária do País.
Tirei
algumas fotos e até fiz, via celular, vídeo registrando a passagem de um
comboio da MRS Logística.

E
com o estômago clamando por víveres, voltei à BR - 499 e percorri os 6,9
quilômetros finais [em asfalto] até Cabangu, localidade na qual está o Museu
Casa Natal de Santos Dumont [1], ou o Museu de Cabangu, numa área
de 365 mil m², que guarda espelhos d’água, cascatas, quiosques, jardins,
arvoredos e passarelas.
[1] Alberto
Santos Dumont não foi o inventor do avião. (Construção
mitológica).
Existem ao menos documentos provando que os irmãos Wright
construíram aviões muito antes de Santos Dumont. [...]
A distância do principal voo do 14 – Bis foi 180
vezes menor que a do voo mais longo dos Wright em 1905.
Um ano antes de Santos Dumont criar o 14 – Bis, os irmãos
americanos voaram cerca de cinquenta vezes, percorrendo uma distância de 39,5
quilômetros de uma só vez. [...]
Em silêncio e secretamente Santos Dumont deve ter percebido a
verdade dolorosa: o 14 – Bis não voava. No máximo, dava uns pulinhos.
É
nesse cenário que está preservada, e aberta ao público, a casa na qual
nasceu [2] Alberto Santos Dumont (1873–1932), que [também] não foi o
inventor do relógio de pulso, como muitos acreditam. Outra
construção mitológica.
[2] O
Brasileiro [Santos Dumont] certamente contribuiu para o relógio de pulso voltar
à moda, mas a invenção do aparelho é de muito antes.
Relógios assim eram comuns desde os tempos de Shakespeare – a
rainha Elizabeth I (1533 – 1603) tinha um.
Em 1868, a empresa Patewk Philippe reinventou a peça, que
também foi usada por militares nos campos de batalha do século XIX, como na
Guerra Franco – Prussiana.
Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil /
Leandro Narloch, São Paulo: Leya, 2011, p.252.
|
Com o proveito que a distância no
tempo consente à historiografia, o ato de ser presenteado com um relógio de
pulso foi modificado para o fato de ser o inventor do relógio de pulso. A necessidade de se ter um herói (?)
nacional, associada a mal–contada História do Brasil, materializam o
surgimento de criações mitológicas. Lamentável. |
|
(Nota do Autor) |
"Narrativas bem diferentes daquelas registradas, pela
historiografia ufanista, na maioria dos livros didáticos, nos quais a
versão é mais importante do que a realidade".
"E assim vem sendo construído um País mais imaginário
do que real".
Fonte: Gomes, Laurentino em 1822 : como um homem
sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro I
a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado / Laurentino Gomes –
Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2010, p. 107.
A
lanchonete do Museu Casa Natal de Santos Dumont estava fechada. Dancei no
almoço.
A
Serra da Mantiqueira apareceu com seu esplendor, numa sucessão de cabeços (cume
convexo e arredondado), à semelhança de ondas imóveis. Não foi possível
delimitar o final.
Quando
a cota do caminho chegou próximo dos 1.000 metros de altitude, as araucárias
começaram a dar o tom na paisagem.
A
natureza impera com os sons da passarada, das cachoeiras e dos bovinos soltos
pelo caminho a mastigar, incessantemente, nacos de grama. Tudo à minha volta
era um verde silencioso.

Não
existem pontos de apoio ao longo do trecho Cabangu (MG) a Antônio Carlos (MG),
exceto no pequeno povoado rural de Patrimônio do Paivas, pertencente
à jurisdição de Santos Dumont (MG), onde consegui fazer a única refeição do
dia: Cebolitos com Guaraná.
Àquela altura dos acontecimentos, não podia me dar ao luxo de recusar “finas iguarias".

Às
15h30 voltei à Estrada Real e à lida no pedal para encarar o trecho mais
cascudo daquele 30/12/20216: subir a Serra do Trovão.

O
tempo mudou rapidamente. Nuvens altas e escuras, conhecidas por cumulonimbus [em
latim] e acumulado de nuvens [em português], estavam na minha vertical, ou
seja, sobre minha cabeça. Chegaram com vontade e a chuva não se fez esperar.
Os cumulonimbus (Cb´s),
animados por fortes correntes ascendentes, haviam se transformado em montanhas
com alturas consideráveis (uns 4 quilômetros ou pouco mais).
Rapidamente
a base do Cb desceu. As centelhas elétricas limitaram-se a iluminar o interior
dos cumulonimbus, retumbando na distância.
Tempestade
espetacular, há muito esperada, após dias de uma canícula avassaladora, desabou
sobre mim, arrefecendo a fornalha daquele penúltimo dia do Ano da Graça de
2016.
Foi
quando me lembrei de uma passagem do Romance “Equador”, de Miguel Sousa
Tavares, natural do Porto, Portugal, no qual o protagonista – Luís Bernardo
Valença – descreve a primeira chuva que testemunhou, em 1906, ao aportar em São
Tomé e Príncipe, duas ilhotas portuguesas à deriva no Atlântico, na Costa
Ocidental da África, à latitude do equador:
“uma tampa gigante abriu-se no céu logo acima de minha
cabeça e, de repente, foi como se um dique se tivesse rompido. Uma chuva de
pingos grossos, como bagos de uva, desabou em cascata solta, apagando todos os
outros sons e os últimos sinais do Sol a morrer no horizonte”. p. 144.
Em
meio a raios e trovões, subi, sem maiores dificuldades, os quatro quilômetros
da Serra do Trovão, calçada com pedras dispostas de forma irregular. Impossível
usar equipamento fotográfico em meio àquele dilúvio.
E
a chuva começou a ceder. As centelhas se espaçaram e se tornaram distantes.
O céu de chuva que deixara ia timidamente abrindo clareiras pelas
quais espreitava um reconfortante Sol, que rapidamente evaporou a cascata
solta que caiu sobre mim por breves minutos.

Trecho entre Santos Dumont (MG) e Antônio Carlos (MG).
Foto: Fernando Mendes.

Cheguei
à pacata Antônio
Carlos (MG) – 11.095 habitantes – Censo IBGE 2022 - às
19h.
A
etapa daquele 4º dia de viagem, entre Santos Dumont (MG) e Antônio Carlos (MG),
tem longos 56 quilômetros de extensão, desprovidos de pontos de apoio, à
exceção do diminuto Povoado de Patrimônio dos Paivas.

Hospedagem
na Pousada Casarão (*) onde
encontrei com quatro ciclistas de Vitória da Conquista (BA).
(*) Pousada
Casarão foi desativada em 2020. Restou para pernoite somente o Hotel Familiar
(32) 98456-5352.
O
grupo percorria o Caminho Novo na direção inversa à minha (*), pois estavam indo de Ouro Preto (MG)
para o Rio de Janeiro (RJ).
(*) "à minha" admite
crase ou não, pois o uso do sinal indicativo [de crase], antes de pronomes
possessivos femininos, é opcional.
A
conversa fluiu fácil e o jantar, depois de um dia sem almoço, estava uma
maravilha.
Diamantina
(MG) a 635 quilômetros.
31/12/2016 | ||
5º dia | Antônio Carlos (MG) a Ressaquinha (MG) | 41 km |
Às
10h começou o pedal do tricentésimo sexagésimo sexto – 366º – dia do Ano da
Graça de 2016, ano bissexto.
Giro
tranquilo, à exceção da travessia da cidade de Barbacena (MG), - 122.894 habitantes – Censo 2022 -,
com trânsito frenético e todos parecendo apressados por conta do último dia do
ano.
Inexistem
marcos da Estrada Real ao longo do perímetro urbano. O jeito foi perguntar aos
nativos.
E
de pergunta em pergunta, cheguei ao bairro Santo Antônio, depois de subir uma
ladeira das arábias. Do alto foi possível ver, ao fundo da paisagem, a BR–040.
Uma
descida, igualmente das arábias levou–me, por meio de um bairro periférico e
com asfalto esburacado, até a Lanchonete Roselanches, localizada às margens da
BR–040, km 697.

Feijoada
deliciosa no almoço, reforço no fôlego para encarar os trechos seguintes:
Barbacena (MG) – Alfredo Vasconcelos MG) – Ressaquinha (MG), com parcos 28
quilômetros e altimetria mesclando descensos e ascensos suaves.
"Ninguém consegue ser subversivo após uma feijoada".
Barbosa Lima Sobrinho (1897 - 2000).
Os
haras flanqueiam a Estrada Real em ambos os lados. As formações da Mantiqueira
são percebidas no visual e sentidas nas suaves subidas e descidas.
Etapa
idílica aos sons da natureza. Bem diferente dos ruídos urbanos e ensurdecedores
de Barbacena (MG).
Às
15h14, pedalava placidamente pela incógnita Alfredo Vasconcelos (MG) – 6.938 habitantes –
Censo IBGE 2022, elevada à categoria de município após ser
desmembrada de Ressaquinha (MG).
Parada
rápida para reposição de água e fotos da Igreja Nossa Senhora do Rosário do
Ribeirão de Alberto Dias, datada do século XVIII. Foi concluída em 1725.
Duas
torres no frontispício e cemitério na parte de trás.
A chegada a Ressaquinha (MG) - 4.548 habitantes – Censo 2022 – foi tranquila e o último marco daquele trecho da Estrada Real fica em frente ao empório “A Legítima Empada”, que oferece muitas opções dessa iguaria

A cidade é transpassada pela BR–040 e o ponto alto é a Paróquia de São José, construída em 1939.
As pinturas da igreja são de autoria do Padre Joseph Buttgens, influenciado
pela arte hindu. Esse mesmo padre pintou a Catedral de Nova Déli, na Índia.

Dirigi–me
à Pousada Estrada Real para pernoite. A proprietária me informou que o
estabelecimento se encontrava fechado, pois a família estava de partida para
comemorar a passagem do ano em Juiz de Fora (MG).
O
jeito foi me hospedar num hotel "zero estrela", localizado no andar
acima do Empório da Empada, defronte à BR–040.
Faltavam
poucas horas para o encerramento daquele 31 de dezembro do Ano da Graça de 2016
(ou 2769 A.U.C).
|
A.U.C, expressão em latim (ab Urbe
Condita), significa "desde a fundação de Roma", ocorrida,
supostamente, em 753 a.C. Portanto, 753 a.C + 2016 d.C = 2769
A.U.C |
| (Nota do Autor). |
E
da varanda, defronte à antiga BR – 3, assisti, à meia–noite, à tímida queima de
fogos. Mesmo não me sentindo cansado, adormeci rapidamente.
Antes
de 1964, o trecho entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte era denominado BR–3.
Viajar
está entre as coisas que mais amo nesta vida. Caso tenha vivido muitas vidas,
creio que passei a maioria delas viajando.
Diamantina
(MG) a 594 quilômetros.
|
01/01/2017 |
||
|
6º dia |
Ressaquinha (MG) a Queluzito (MG) |
62 km |
Pedalei
os primeiros 62 quilômetros de 2017 – entre Ressaquinha (MG) e Queluzito (MG) –
atravessando paisagens belíssimas. Viagem iniciada às 9h30.
Nos
primeiros 30 quilômetros entre Ressaquinha (MG) e Carandaí (MG), girei por
altitudes que variaram entre 1.050 e 1.200 m.
A
estrada é larga e o solo bem compactado. Pareceu-me que ninguém quis sair de
casa no primeiro dia do novo ano.


Caminhos
vazios, imperava absoluto, pedalando entre fazendas leiteiras e plantações de
eucaliptos. Explorava os arredores e respirava a tragos ar tão delicioso.
Somente
as aves, seus piares e uma leve brisa me prestavam atenção, todavia, não muita.
Que deleite. Privilégio para poucos.

Às
12h30 pedalava pelo asfalto gasto e irregular nas cercanias de Carandaí (MG) – 23.826
habitantes – Censo 2022.
Almocei
na Cantina Mineira enquanto assistia à Escolinha do Professor Raimundo.
Refeição saborosa e farta. Fica a dica.
Depois
do repasto e sob canícula saariana, tomei a direção da saída da cidade pela Rua
Professor Camargo até a esquina, virar à direita, com a Alameda Germano
Nogueira, "desaguando" na BR–040.
Atravessei–a
e segui na direção BH por 1,3 quilômetro até alcançar o Posto de Pesagem e
Fiscalização da ANTT, que fica no km 664.
Passados
talvez uns 25 metros da placa de fundo azul, com a informação "KM
664", virei à direita, conforme indica um marco da Estrada Real – bem
visível –, fincado ao lado de uma parada de ônibus.
.
Segui
paralelamente à Rodovia BR–040, por um caminho que se elevou e permitiu, lá do
alto, concluir que a estrada, em muitos trechos, foi construída sobre partes do
leito do Caminho Novo da Estrada Real, "inaugurado" em 1702, de
forma incompleta e concluído em 1725 por outros construtores.
Eis
a comprovação nas transcrições que se seguem:
[...] Mariano Procópio Ferreira Lage, nascido em 1821
e falecido em 1872, natural de Barbacena [...]
[...] pioneiro na construção da Estrada União e
Indústria, implantada de 1856 a 1861, entre Juiz de Fora (MG) e Petrópolis
(RJ), aproveitando o leito original do Caminho Novo, aberto
por Garcia Rodrigues Pais, em 1702, que vinha direto do Rio de Janeiro (RJ) a
Ouro Preto (MG).
Em
Pedra do Sino, distrito de Carandaí (MG), alcançada às 15h37, está localizada a
fábrica do Cimento Tupi, às margens da Rodovia BR – 040, no km 659.
Naquele ponto, a Estrada Real intercepta a BR – 040 ortogonalmente ou em ângulo de 90º.
Atravessei-a
e rumei para Queluzito (MG), 25 difíceis quilômetros à frente devido à falta
(ou desfalque) de Marcos do Instituto Estrada Real em algumas bifurcações.
O
percurso Ressaquinha (MG) a Carandaí (MG) a Queluzito (MG) mescla estradão e
trilhas, que passam por várias fazendas, alguns haras e muito, muito gado à
solta no pasto a mastigar capim.


Pedalava
acompanhado por bandos de maritacas barulhentas, felizes à luz de uma tarde com
céu rutilante.
E
ao fundo desse cenário, o esplendor da Mantiqueira, com suas rochas graníticas
refletindo a luz do Sol.



A
altimetria, até então suave, começou a mostrar–se severa, com trecho em trilha
bastante técnico e inclinado para cima.
O
primeiro pedal do ano foi sem precedentes, quando falo de Estrada Real.



Cheguei
a Queluzito (MG) vendo o Sol obliquamente e batendo em retirada na direção
Oeste.

A
Lua Crescente – terceiro dia – posicionada uns 45º acima do poente, deu–me as
boas–vindas, lembrando o sorriso do Gato Cheshire, personagem do desenho
animado "Alice no País das Maravilhas". Dia maravilhoso e pedal aos
sons da natureza.
Era
o primeiro dia do ano de 2017. Dia de posse dos prefeitos eleitos e reeleitos
no pleito de 2016.
Queluzito
(MG) – 1.778 habitantes – Censo IBGE 2022 - tem
apenas dois hotéis e ambos estavam lotados.
Felizmente
o proprietário de um deles (esqueci os nomes de um e de outro), com muita boa
vontade, arrumou um quarto na parte de trás e minha noite foi salva.
Foi
questão de saber esperar, como quase tudo na vida. Do contrário, teria feito
como Bruno & Marrone: dormiria na praça.
E foi assim que passei, na desconhecida Queluzito (MG), a primeira noite do Ano da Graça de 2017.
Diamantina (MG) a 532 quilômetros.
|
02/01/2017 |
||
|
7º dia |
Queluzito (MG) a Ouro Branco (MG) |
44 km |
Penúltima
etapa do Caminho Novo da Estrada Real, que liga o Rio de Janeiro (RJ) a Ouro
Preto (MG).
O
trecho Queluzito (MG) a Ouro Branco (MG) é curto [44 quilômetros] e quase todo
asfaltado.
Início
da transição da Serra da Mantiqueira para a Serra do Espinhaço. A altimetria
tornou-se cascuda e encardida.
À
medida que Queluzito (MG) ficava para trás, as subidas foram mostrando a cara.
O ponto alto do dia ficou por conta da travessia de uma área de reflorestamento
com eucaliptos, sombreada e maravilhosa.

O
restante da etapa aconteceu em pedaços fortemente urbanizados, como a travessia
de Conselheiro
Lafaiete (MG) – 134.537 habitantes – Censo IBGE 2022 -, com trânsito intenso e
tumultuado, à semelhança dos grandes núcleos urbanos da Índia.

Entre Lafaiete (MG) e Ouro Branco (MG), a Estrada Real é sobreposta à Rodovia MG–129, com traçado marcado por sobe e desce agitados. Bem-vinda Serra do Espinhaço. (*)
(*) considerada a única cordilheira do Brasil, a Serra do Espinhaço tem aproximadamente 1.000 quilômetros de extensão, parte em Minas Gerais e parte na Bahia.
Possui o maior afloramento de calcário do País, jazidas de
ouro, ferro, bauxita e manganês. Estima-se que sua idade geológica seja de 2,5
bilhões de anos.
Funciona como divisor de águas. A Leste, todos os rios tendem
ao Atlântico, enquanto que a oeste inflam o sistema hídrico do São Francisco.
A largura da Serra do Espinhaço varia de 50 a 100 quilômetros.
Vales e picos são interpostos, configurando um terreno bastante acidentado.
É Reserva da Biosfera, contém muitas áreas de proteção e
outras de preservação, além de reservas particulares.
Fonte: Brasília-Paraty,
somando pernas para dividir impressões.
Weimar Pettengil – Brasília – Editora
Thesaurus, p.90.

No
acesso a Ouro
Branco (MG) – 39.206 habitantes – Censo IBGE 2022 – localiza–se
uma casa, em estilo colonial, a Fazenda Carreira (*), onde Tiradentes usava–a para pernoite. Em
suas perambulações pela região, apregoava abertamente a necessidade de a
Capitania de Minas Gerais [e não o Brasil] se livrar das garras do domínio
colonial português.
Como
muitos dos monumentos históricos, de um país sem memória histórica, essa casa
encontra–se abandonada. Lamentável.
(*) A fazenda
teria sido ponto de pouso e local de abastecimento.
Diz–se que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, se
hospedou ali antes de sua prisão, daí uma de suas alcunhas “Casa Velha de
Tiradentes";
outra versão afirma que o local era posto de arrecadação
de impostos;
a denominação teria se originado das “carreiras” que os
tropeiros davam nos animais para testar a sua força e resistência.
Tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e
Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), em setembro de 2000, Carreiras [a
Fazenda] foi construída, provavelmente, na segunda metade do século XVIII, por
volta de 1775.
Localizada às margens do Caminho Novo da Estrada Real, entre
Ouro Branco (MG) e Conselheiro Lafaiete (MG), trecho de grande circulação de
pessoas e bens durante o período conhecido como Ciclo do Ouro em Minas Gerais.
Destinada à criação de gado e à agricultura, integrava o
povoado de mesmo nome, descrito por viajantes do século XIX como uma região
miserável e perigosa, provavelmente pelo período de decadência pelo qual Ouro
Branco (MG) passou após o declínio da mineração.
Outra serventia da fazenda: local de criação, de venda e troca
de cavalos, para aqueles que faziam a viagem da Corte (Rio de Janeiro) a Vila
Rica, atual Ouro Preto (MG).
É conhecida como Fazenda Tiradentes ou Casa Velha de
Tiradentes, pois passível de se crer que o Inconfidente teria pernoitado ali
durante uma viagem de São João Del Rei a Vila Rica, em 1788.
Igreja Matriz de Santo Antônio de Ouro Branco.
"De acordo com um registro no Livro nº 1 da Irmandade, a Matriz é anterior a 1717, ano de emissão de uma certidão do primeiro casamento que teria ocorrido na Igreja Matriz de Santo Antônio de Ouro Branco”.
“A
parte exterior da Matriz traz as influências da reforma introduzida
por Aleijadinho, estilo característico de Minas Gerais".

A
Cruz de Penitência ou Martírio, simboliza o triunfo de Jesus Cristo sobre a
morte e traz todos os objetos que revelam sua penitência e seu sofrimento.

Diamantina (MG) a 488 quilômetros.
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03/01/2017 |
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8º dia |
Ouro Branco (MG) a Ouro Preto (MG) |
32 km |
O script daquele
8º dia – e último dia – no Caminho Novo da Estrada Real: distância de apenas 30
quilômetros, subidas longas, inclinadas e trecho 100% asfaltado, percorrido na
Rodovia Estadual MG–129.
A
Estrada corta a RPPN Serra de Ouro Branco (Reserva Particular do Patrimônio
Natural) e a altimetria é muito acidentada, à semelhança de uma Montanha Russa
gigante.
Na
saída de Ouro Branco (MG) – assim chamavam o ouro ainda não bem formado –, um
aclive de três quilômetros me levou a 1.560 m de altitude. Depois, descida
animal me fez descer a 1.100 m.
E
assim, nesse incessante sobe e desce, sempre paralelamente à Serra do Itatiaia,
subgrupo da Serra do Espinhaço, percorri o trajeto entre Ouro Branco (MG)
e Ouro Preto (MG) –
76.069 habitantes – Censo IBGE - 2022.



Diamantina (MG) a 456
quilômetros.
(*) Vila Rica de Albuquerque e depois Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto.
Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila Rica, fundada em
1711, recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por S.M. Imperial D. Pedro
I do Brasil, tornando–se oficialmente capital da então província das Minas
Gerais e passando a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto.
Em 1897, a mudança da capital para Belo Horizonte (MG)
provocou um esvaziamento da cidade, de aproximadamente 45 % da população,
inibindo o crescimento urbano nas décadas seguintes, fato que contribuiu para
preservação do seu Centro Histórico.
Disponível em:<https://www.ouropreto.mg.gov.br/historia>.
Acesso: 1º/03/2017 (com adaptações).
A descrição da chegada a Vila Rica e de seu cotidiano é
baseada em um texto do comerciante inglês John Luccock, que a visitou em 1817.
Ei–la.
Ao ver o povoado [Vila Rica], um viajante da época [do
Ciclo do Ouro] achou–o "muito sedutor", mas não deixou de notar
que ele [o povoado] parecia estar encravado em um dos piores lugares
da Terra para se erguer uma cidade.
De fato, aquela sequência de morros na colossal Serra do
Espinhaço, a 1.100 metros de altitude, não era o melhor sítio para assentar um
núcleo urbano com mais de 2 mil casas grudadas umas às outras, uma dúzia de
igrejas corpulentas e alguns prédios públicos de grande porte. O "amor
pelo ouro", contudo, venceu a lógica e fez florescer no interior do Brasil
um centro urbano vigoroso.
Em 1817, a Vila Rica abrigava 79 mil
"almas" (excluindo–se os indígenas), o equivalente a 2,3% da
população da Colônia.
Apesar de estar a quatrocentos quilômetros do porto marítimo
mais próximo, em uma área de difícil acesso e coalhada de bandidos violentos e
índios bravios, a comarca de Vila Rica tinha mais habitantes que as cidades do
Rio de Janeiro (39 mil) e Salvador (menos de 46 mil). Era quase duas vezes e
meia maior que Nova York (33 mil habitantes), a cidade mais populosa dos
Estados Unidos.
E, com menos de cem anos de existência, tinha o equivalente a
15% dos moradores de Paris, cuja história somava, por baixo, vinte séculos.
Fonte: O Tiradentes : Uma biografia inguade Joaquim José da Silva Xavier / Lucas Figueiredo - 1ª ed. - São Paulo : Companhia das Letras, 2018, pp. 33-34.

Diamantina (MG) a 456 quilômetros.
Na Praça do Mercado, atual Praça Tiradentes em Ouro Preto
(MG), funcionava um dos principais mercados de escravos do Brasil, onde homens
e mulheres jovens, juntamente com crianças, eram os produtos cobiçados.
Dependendo do biótipo – indivíduos
que apresentam o mesmo genótipo – e das habilidades, chegavam a ser
disputados numa espécie de leilão a céu aberto.
Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, p. 51 (com adaptações).


2ª ETAPA | ||||
CAMINHO DO SABARABUÇU - 202 km | ||||
OURO PRETO (MG) A COCAIS (MG) - 04 a 08/01/2017 | ||||
DATAS | CAMINHO DO SABARABUÇU | Km DIA | TOTAL DIA | ∑ |
04/01 | OURO PRETO (MG) A ACURUÍ (MG) | 59 km | 59 km | 59 km |
05/01 | ACURUÍ (MG) A RIO ACIMA (MG) | 24 km | 59 km | 118 km |
RIO ACIMA (MG) A HONÓRIO BICALHO (MG) | 10 km | |||
HONÓRIO BICALHO (MG) A RAPOSOS (MG) | 13 km | |||
RAPOSOS (MG) A SABARÁ (MG) | 12 km | |||
06/01 | SABARÁ (MG) A CAETÉ (MG) | 44 km | 44 km | 162 km |
07/01 | DESCANSO EM CAETÉ (MG) | |||
08/01 | CAETÉ (MG) A COCAIS (MG) | 40 km | 40 km | 202 km |
|
04/01/2017 |
|||
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9° dia |
Ouro Preto (MG) a São Bartolomeu (MG) |
20 km |
59 km |
|
São Bartolomeu (MG) a Glaura (MG) |
15 km |
||
|
Glaura (MG) a Acuruí (MG) |
24 km |
||
Dia
de muito calor, subidas honestas, sombreamento à larga pelo caminho e paisagens
lindas, que marcaram os 59 quilômetros da etapa Ouro Preto (MG) a Acuruí (MG).
Até
São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto (MG), a estrada empina fortemente para
cima nos primeiros quilômetros e a Antiga Vila Rica foi ficando pequena, lá
embaixo, dentro de um buraco.
Vencida
essa parede, caminho é largo e com muitas sombras. Esse trecho termina no
simpático e bucólico distrito de São Bartolomeu, "acanhada joia barroca
do século XVIII”. (*)
(*) Instituto Estrada Real em
www.institutoestradareal.com.br/cidades/sao-bartolomeu/143>.Acesso:
1º/03/2017.


Nessa
acanhada joia do barroco mineiro, o tempo parece ter preguiça de passar. A
Igreja Matriz de Nossa Senhora das Mercês é uma das mais antigas e imponentes
de Minas Gerais.
Lugar
modesto e ruas com calçamento de pedras. Gente simples e receptiva, sempre
fazendo perguntas sobre a minha viagem.
A
fartura de frutas na cidade induziu seus moradores à fabricação de doces
caseiros, tradição reconhecida nas adjacências. O ponto alto é a Festa da
Goiaba, o doce mais popular da localidade.

Tomei
delicioso açaí e parti rumo a Glaura, antiga Freguesia Santo Antônio da Casa
Branca do Ouro Preto, outro Distrito de
Ouro Preto, igualmente simpático e bucólico, com ruas calcadas e casas bem
arrumadas.
Na
saída de Glaura, distrito de Ouro Preto (MG), para Acuruí, distrito de Itabirito (MG), uma chuva forte amenizou o calor, vinda com força, acompanhada de raios, trovões e granizo.
Plec, plec e plec no capacete.
A
primeira bátega do ano durou pouco, mas foi suficiente para refrescar e levar os
restos de 2016.
|
DISTRITOS DE OURO PRETO (MG). |
|
Amarantina | Antônio Pereira |
Cachoeira do Campo | Engenheiro Correia | Glaura | Lavras Novas | Miguel
Burnier | Rodrigo Silva | Santa Rita de Ouro Preto | Santo Antônio do Leite |
Santo Antônio do Salto | São Bartolomeu. |
|
Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:
Minas_Gerais Acesso: 1º/03/2017. |
Uma ascensão absurda de 200 metros, nos quatro quilômetros finais
para chegar a um dos distritos de Itabirito (MG), nomeado de Acuruí (MG) – 500 habitantes.
Carece de fonte, deu–me a dimensão do quanto é cascudo o
Caminho do Sabarabuçu.
No entanto, as paisagens que vi compensaram o esforço. Acuruí, em tupi–guarani, significa "rio de pedras”.
Diamantina (MG) a 406 quilômetros.
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05/01/2017 |
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10° dia |
Acuruí (MG) a Rio Acima (MG) |
25 km |
59 km |
|
Rio Acima (MG) a Honório Bicalho (MG) |
10 km |
||
|
H. Bic. (MG) a Raposos (MG) a Sabará (MG) |
10 + 14 km |
||

Dia muito, muito puxado, com 59 quilômetros e calor abrasador.
Na 1ª etapa, foram 25 quilômetros muito acidentados entre Acuruí
(MG) e Rio Acima (MG) – 10.263 habitantes – Censo IBGE 2022.

Após o 3°morro que subi, parei de contá-los e passei a bebericar as
belezas do caminho. Nada de eucaliptos. Mata nativa preservada, garantia de
frondosas sombras necessárias num dia tão quente.
Almocei em Rio Acima (MG), carimbei o passaporte e encarei 10
quilômetros até Honório Bicalho, distrito de Nova Lima (MG) – 111.819 habitantes – Censo IBGE
2022 – localidade muito carente, com casinhas inacabadas e
tijolos expostos, dando a dimensão do ocorrido: a grana não foi suficiente para
o acabamento. Assim estão as casas, dispostas ao longo da única rua asfaltada.
"Inicialmente, o distrito de Honório Bicalho se chamava Faria Garcez.
O nome atual deriva de uma estação ferroviária construída em 1890, cujo nome, Honório Bicalho, foi uma homenagem ao engenheiro que participou da construção de obras públicas em portos e ferrovias brasileiras, sendo chefe na construção da Estrada de Ferro D. Pedro II".
Disponível em: https://www.caminhoreligiosodaestradareal.com/honorio-bicalho-mg/. Acesso: 01/03/2017.
Fui obrigado a seguir para Raposos (MG) - 16.266 habitantes. Censo IBGE 2022 -
pela Rodovia Estadual MG - 030 em virtude de aquele trecho da Estrada Real, que
liga Honório Bicalho (MG) a Raposos (MG), estar interditado. Apenas 10
quilômetros. Fácil.
Na última etapa do dia - Raposos a Sabará - a Estrada Real corre paralela ao Rio das Velhas e sobre antigo leito ferroviário da falecida RFFSA.
São 14 quilômetros de total planura. Nada mal
depois de um dia de subidas insanas, daquelas que o ciclista chora e a mãe não
vê.
Diamantina (MG) a 347 quilômetros.


Sabará (MG) abriga a Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos, que
teve sua edificação interrompida diversas vezes, geralmente por falta de
verbas.
Os trabalhos foram reiniciados em 1798, 1805, 1819 e, pela última
vez, em 1856.
Deste período até 1878 foram empreendidos esforços para finalizar a
obra.
No entanto, após a assinatura da Lei Áurea (1888), libertos, os
escravizados dispersaram–se pelo território, faltando mão de obra para
finalização do templo.
"Sabará" é a forma abreviada do termo tupi tesáberabusu,
que significa "grandes olhos brilhantes" (tesá, olho + berab,
brilhante + usu, grande), numa referência às pepitas de ouro que
foram encontradas na região.
Fonte: NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 596.
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06/01/2017 |
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11º dia |
Sabará (MG) a Caeté (MG) |
44 km |
Antes de partir para Caeté (MG), uma visita à bicicletaria em Sabará (MG) - 131.294
habitantes. Censo IBGE 2022 - para substituir as pastilhas
dos freios dianteiro e traseiro.
Encerrada a manutenção na bike, carimbo no passaporte
no Hotel Vila Real. Lá chegando, fui seduzido por delicioso aroma de feijoada.
Eram 12h. Decidi partir somente após degustar essa iguaria. Sábia decisão.
Melhor sair bem alimentado.
Os 18 quilômetros entre Sabará (MG) e Morro Vermelho, Distrito de
Caeté (MG), é deslumbrante, com altimetria bem plana, em estrada de terra
larga, com solo bem compactado e muita sombra.
Em vários trechos, a Estrada Real passa sob enormes pontes da Ferrovia Vitória–Minas, pertencente à Vale do Rio Doce.

Na chegada a Morro Vermelho, o destaque fica por conta da Igreja de
Nossa Senhora de Nazaré (século XVIII).
Um temporal se anunciou, mas ficou na ameaça. A partir daquele
ponto, a Estrada Real empina forte para cima. Passei a pedalar em
altitudes que variam de 1.100 a 1.200 m.
Abaixo, os trilhos da Ferrovia da Vale serpenteiam o Espinhaço, à
semelhança de um ferromodelismo.

Não tardou e Caeté (MG) – 39.578 habitantes – Censo IBGE 2022 – apareceu
dentro de um enorme buraco, como é a localização de muitas cidades ao longo da
Estrada Real.
Cheguei ao centro às 18h, quando os sinos da Igreja Matriz de Bom
Sucesso (século XVIII) choravam no ar a hora do Ângelus.

Chegada sob Lua Crescente, o símbolo das bandeiras de alguns países
muçulmanos.
A cada etapa cumprida da viagem, a certeza de que está sendo a mais
maravilhosa das jornadas que fiz pedalando pela Estrada Real e seus quatro
caminhos.
Diamantina (MG) a 303 quilômetros.
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07/01/2017. |
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12° dia |
Ao acordar, senti que o corpo pedia repouso; repousando fiquei |
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08/01/2017 |
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13º dia |
Caeté (MG) a Cocais (MG) |
40 km |
Após a saída de Caeté (MG) fui contornando a Serra da Piedade até o
extremo Leste, quando o caminho tomou o rumo de Cocais, Distrito de Barão de
Cocais (MG) e a Piedade foi ficando para trás, diminuindo de tamanho, vista
pelo retrovisor da bike.
A transparência e luminosidade daquele dia, permitiram divisar a
Piedade com suas magníficas rochas de formações ferríferas e pertencentes ao
subgrupo Minas/Itabirito.
Bandos de papagaios e maritacas voavam sobre mim, alegrando a
tórrida manhã com seus trinos (gorjeios) e evoluções.

Quando o Sol atingiu o Zênite, ou seja, ao meio–dia, alcancei
Antônio dos Santos, Distrito de Caeté (MG). Parada para almoço. Fazia muito
calor. Segui os 20 quilômetros finais, boa parte deles, pedalando numa área
aberta com pouca sombra e muito silêncio. Um cenário para contemplação e
reverências.
Ironicamente, a parte mais difícil do trajeto – acredite se quiser –
foi um descenso com 200 metros de extensão. Impossível descer aquela ladeira
nas condições descritas e montado na bike.
Isto porque têm muitas valas feitas pelo escoamento superficial das
águas das chuvas, além de pedras soltas, que dificultam o equilíbrio. O enredo:
morro abaixo, desembarcado da bike. Nem sempre as subidas são as vilãs ao longo
dos trajetos.


Cheguei a Cocais (MG) - 2.803 habitantes – Censo IBGE 2010 - às
17h.
Concluí o Caminho do Sabarabuçu, 2ª etapa das três que planejei
percorrer pela Estrada Real. Difícil afirmar qual delas [das etapas] é a mais
bela.
Sabarabuçu é um caminho com subidas à vera.
Antes de deitar–me, lembrei–me da área de reflorestamento de
eucaliptos a atravessar no dia seguinte.
Num átimo (momento, instante), veio-me à memória os seringais de
Fordlândia (PA) [3] [4], a cidade americana edificada na margem direita do Rio Tapajós, na
Amazônia Brasileira, no Estado do Pará, quase à latitude do Equador.
[3] A história de Fordlândia (PA) começou em 1927, quando Henry Ford (1863 –1947), o magnata do automóvel, adquiriu um terreno de quase 15.000 km², o dobro da área do atual Distrito Federal, na margem direita do Rio Tapajós, no Estado do Pará.
Objetivos daquela aquisição: (I) plantar
seringueiras para produção de látex, a borracha tão necessária à fabricação dos
pneus para os automóveis produzidos na fábrica da Ford, em Michigan (MI), EUA;
(II) produzir sua própria borracha e, por extensão, não depender do monopólio
britânico da borracha produzida no Sudeste Asiático, a um custo deveras
elevado.
Anos antes, o departamento de comércio dos Estados
Unidos da América (EUA) havia feito um estudo de viabilidade de cultivo de
seringueiras no Brasil com resultados positivos.
Sabendo disso, o produtor rural Jorge Dumont
Villares, conseguiu com o governador do Pará Dionísio Bentes a concessão de uma
grande porção de terra para cultivar seringueiras. Tudo de graça.
Quando soube que Henry Ford procurava uma região
para sua cidade no Brasil, Villares ofereceu suas terras a ele por um valor
equivalente a quase R$ 3 milhões atuais.
No ano seguinte [1928], ele [Ford] enviou
suprimentos e funcionários para criar uma típica cidade americana nos trópicos.
Em pouco tempo ficou pronta, com escolas,
eletricidade, saneamento, clube social/recreativo e um hospital, no qual foi
feito o primeiro transplante de pele na América do Sul.
A UTOPIA AMERICANA NOS TRÓPICOS [4] Ao fundar Fordlândia (PA),
em 1928, no coração da Floresta Amazônica, na margem direita do Rio Tapajós,
Henry Ford, o magnata do automóvel, plantou seringueiras simetricamente, a
exemplo das plantações de eucaliptos de hoje, na tentativa de aumentar a produtividade
de borracha, que alimentaria a incessante demanda dessa matéria–prima, em sua
fábrica de automóveis em Michigan (EUA). No
entanto, uma infestação nos seringais brasileiros, desconhecida nos seringais
britânicos do Sudeste Asiático, dizimou as seringueiras e sepultou a aventura
americana nos Trópicos, na cidade [Fordlândia – PA] que Henry Ford edificou
quase à latitude do Equador. Em
1945, os americanos finalmente fizeram as malas e foram para casa, deixando um
Elefante Branco para trás. Embora nunca tenha ido a Fordlândia (PA), Henry Ford
investiu uma fortuna em seu sonho e não logrou o êxito esperado. (Nota do Autor). |
Diamantina (MG) a 263 quilômetros.
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3ª ETAPA CAMINHO DOS DIAMANTES - 263 km |
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COCAIS (MG) A DIAMANTINA (MG) – 09/01
a 16/01/2017 |
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DATAS |
TRECHOS |
km |
TOTAL DIA |
∑ |
|
09/01 |
Cocais (MG) a Bom Jesus do Amparo (MG) |
26 km |
26 km |
26 km |
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10/01 |
Bom Jesus do Amparo (MG) a Ipoema
(MG) |
13 km |
43 km |
69 km |
|
Ipoema (MG) a N. Senhora do Carmo
(MG) |
14 km |
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N. S. do Carmo (MG) a Ita. do Mato
Dentro (MG) |
16 km |
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11/01 |
Itambé do M. Dentro (MG) a M. do Pilar
(MG) |
34 km |
103 km |
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|
12/01 |
Morro do Pilar (MG) a C. do M. Dentro
(MG) |
25 km |
128 km |
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13/01 |
C. do M. Dentro (MG) a Itapanhoacanga
(MG) |
47 km |
175 km |
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14/01 |
Itapanhoacanga (MG) ao Serro (MG) |
26 km |
201 km |
|
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15/01 |
Serro (MG) a São Gon. do Rio das
Pedras (MG) |
29 km |
230 km |
|
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16/01 |
S. Gon. do R. das P. (MG) a
Diamantina (MG) |
33 km |
263 km |
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09/01/2017 |
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14º dia |
Cocais (MG) a Bom Jesus do Amparo (MG) |
26 km |

Acordei tarde, pois o trecho daquele dia foi diminuto, com parcos
26 quilômetros, metade deles atravessando uma magnífica área de reflorestamento
de eucaliptos, à semelhança da floresta de Black Hills, em Maryland (MD), que
lembra cenas do filma "As Bruxas de Blair", um dos cem filmes
americanos de maior faturamento de todos os tempos.



Ao terminar a travessia dos eucaliptos, a Estrada Real desemboca na
Rodovia BR–262, que liga Belo Horizonte (MG) a Vitória (ES).
Almocei num posto BR, atravessei a 262 e continuei pela Estrada
Real em leito natural até Bom Jesus do Amparo (MG) – 5.592 habitantes – Censo IBGE 2022.
Encontrei com meu grande amigo Fernando Gonçalves, guia turístico
da região e recepcionista dos cicloviajantes que por Bom Jesus do Amparo (MG)
passam. Sempre tratando-os com gentileza e muita cordialidade.
A conversa, como de hábito, fluiu fácil. A bike foi lavada e lubrificada.
|
Bom Jesus
do Amparo (MG), 09/01/2017.
Esse pedala
e conhece muitos lugares! Digo, conhece a realidade muito mais que os dados
dos livros e pesquisas. Suas férias têm sempre um rolezinho de bike.
Nesta cicloviagem, o roteiro está bem diferente. Com o
passaporte em mão, ele começou a percorrer o Caminho Novo, partindo de
Petrópolis (RJ) e chegou a Ouro Preto (MG). Na segunda
etapa, pedalou de Glaura, distrito de Ouro Preto (MG), a Cocais, distrito de
Barão de Cocais (MG), concluindo o Caminho do Sabarabuçu (193 km), que vai
margeando a majestosa Serra da Piedade, na região de Caeté (MG). Que lugar
lindo, não é mesmo? Como ele
havia feito o Caminho dos Diamantes, de Diamantina (MG) a Ouro Preto (MG),
duas vezes, iniciou a terceira etapa no Distrito de Cocais (MG) e nos deu a
honra pousando novamente em Bom Jesus do Amparo (MG), a "terra sagrada,
terno querido, berço natal" do músico e violonista Mozart Bicalho. Como dizem
os versos do hino oficial da cidade composição do próprio autor. É o
primeiro ciclista que retorna depois de concluir os quatro caminhos da nossa
Estrada Real. Bem-vindo! Encontramo-nos em frente à Matriz, nossa referência
e cartão postal do lugar. Continua o
mesmo, cheio de histórias e experiências reais para compartilhar com a gente. Demos uma
passada na pequena Bike Dias, colocando a conversa em dia, tive acesso ao
certificado especial de conclusão dos caminhos reais (que é muito bonito),
fizemos check-in no KR Hotel, localizado praça central, e
nos sentamos na lanchonete Café do Dia, para tomarmos uma geladíssima
cerveja, pois a tarde quente e a ocasião mereciam. Um brinde
ao seu entusiasmo e seus pedais Fernando!!! Você realmente é um dos caras! Mais tarde,
ele deixou sua mensagem e nome registrados no Livro dos Viajantes da ER n°
06, carimbei seu passaporte e lhe entreguei uma mensagem para levar para o
Norte. Gratidão sempre! Parecia que
nossa conversa não tinha um tempo de dois anos. Muito legal! No dia seguinte,
registramos mais fotos na praça e nos despedimos como sempre, de forma
cordial, deixando um pouco dele e levando um pouco daqui. O pouso do
dia seria - como de fato foi - em Itambé do Mato Dentro (MG) e havia sol e
calor, muitos morros e pedaladas para vencer, totalizando, daqui a alguns
dias, a marca de 903 quilômetros, ao chegar a Diamantina (MG). "Viajar
pela Estrada Real é prova cabal de FELICIDADE!" Palavras de um ciclista
que tenho a honra de conhecer. Ótima
viagem, amigo! Obrigado por tudo! Abraço Real. Fernando
Gonçalves. |
Diamantina (MG) a 237 quilômetros.
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10/01/2017 |
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15º dia |
Bom Jesus do Amparo (MG) a Itambé do Mato Dentro (MG) |
43 km |

Os primeiros 13 quilômetros até Ipoema (MG), distrito de Itabira
(MG), foram percorridos em asfalto novo e altimetria semelhante às várias
corcovas de camelos enfileirados.
Almocei em Ipoema (MG) - 2.746 habitantes, sendo 1.374 homens e 1.372 mulheres.
Censo IBGE 2010.
Fiz a química digestiva revendo a Igreja de Nossa Senhora da
Conceição.
O Museu do Tropeiro, infelizmente, estava fechado, pois era horário
de almoço.



O trecho que veio a seguir, com 15 quilômetros até o Distrito de
Senhora do Carmo, pertencente a Itabira (MG), foi percorrido em leito natural,
com subidas generosas e calor egípcio. Em Senhora do Carmo, parada para
degustar deliciosos pastéis de queijo. Não tinha Coca; encarei guaraná
genérico. Muito saboroso.
Qual não foi a minha surpresa quando a funcionária da lanchonete me
informou que a etapa entre Senhora do Carmo (MG) a Itambé do Mato Dentro (MG) –
15 quilômetros – está asfaltada. Maravilha.
Com a falta de chuvas mais robustas, os trechos em leito natural
estão muito empoeirados. A última etapa do dia foi feita em asfalto novo e
farto em subidas.
Cheguei a Itambé do Mato Dentro (MG) - 2.142 habitantes – Censo IBGE 2022 -,
depois de pedalar 43 quilômetros desde a saída de Bom Jesus do Amparo (MG),
junto com a chuva [muito fraca] de fim de tarde.
A última vez que estive por essas paragens foi em junho de 2014.
Naquele ano, preferi a Estrada Real à Copa do Mundo, ou melhor, ao vexaminoso 7
x 1, cujos ecos ressoam até hoje.
E continuarão a ressoar.
Vide o ocorrido com a Seleção Brasileira em 2022, na XXII Copa do
Mundo, disputada no Catar, quando o Brasil, pela 5º vez consecutiva, foi
eliminado por uma seleção europeia.
Em 2026, o enredo se repetiu. Desta feita, os algozes foram os noruegueses.
Diamantina a 194 quilômetros.

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11/01/2017 |
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16º dia |
Itambé do Mato Dentro (MG) a Morro do Pilar (MG) |
34 km |
Atravessei os inóspitos 34 quilômetros, entre Itambé do Mato Dentro (MG) e Morro do Pilar (MG), sem nenhum ponto de apoio, bar, povoados, restaurantes ou comunidades. Eis a maior dificuldade desse trecho da Estrada Real, Caminho dos Diamantes.
Na saída de Itambé do Mato Dentro (MG) um problema na fixação do
alforje direito, porém solucionado rapidamente.


Após o fim do calçamento e início do trecho em leito natural, veio
uma subida de respeito, com 10 quilômetros de extensão e poucos intervalos
planos. Essa é a tônica da maioria das cidades ao longo da Estrada Real,
localizadas em áreas baixas para facilitar a captação de água.
Na chegada, muitas descidas; na saída, subidas honestas. E mantendo
a "tradição”, na saída de Itambé do Mato Dentro (MG), tome subida pela
proa.
Após o décimo quilômetro, a Estrada Real passa por enormes rochas
sedimentares dispostas de forma aleatória às margens do caminho.
São imponentes, belas e parecem ter vindo do espaço sideral.
A origem do nome Itambé é pedra afiada, na língua
tupi.
Do alto da Serra, a 900m de altitude, sensação de ter o mundo aos
meus pés. Que paisagem maravilhosa. Ao fundo, o colosso e a imponência das
formações da Serra do Cipó, subgrupo do Espinhaço.
Subi numa das rochas e, num "estacionário" perfeito,
fiquei a ver esse mar de montanhas.
Desse ponto em diante, a Estrada Real inclina fortemente para
baixo, dando um refresco para pernas e pulmões. E desce, desce até chegar ao
Vale do Rio do Peixe, com piscinas naturais e águas cristalinas.



Cheguei à pacata Morro do Pilar (MG) - 3.133 habitantes – Censo IBGE 2022 - às
18h, com os sinos da Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar anunciando
Hora do Ângelus e com chuva se avizinhando.
A Igreja não tem estilo próprio, apesar de a cidade ter sido
importante ponto de apoio às tropas que seguiam para Paraty, levando, em
alforjes presos às mulas, o ouro extraído em Vila Rica, atual Ouro Preto (MG).


O arraial de Gaspar Soares deu origem à cidade, erguida no alto de
um morro, no qual o bandeirante paulista Gaspar Soares encontrou ouro, em 1701,
quando foi edificada uma capela dedicada à Nossa Senhora do Pilar.
Há registros de um desmoronamento, em 1743, que teria matado 18
escravizados e interrompido as atividades mineradoras.
Morro do Pilar (MG) abrigou o primeiro alto-forno
siderúrgico do Brasil, na Fábrica de Ferro Gusa do Brasil - a Real Fábrica de
Ferro de Morro do Pilar - que, em 1814, conseguiu fazer a primeira corrida de
ferro no alto forno.
A pioneira fábrica funcionou, em regime de
produção, mais ou menos regular, de 1814 até cerca de 1830, época em que
encerrou suas atividades, de acordo com Carneiro
de Mendonça em seu livro "O Intendente Câmara".
Pelos mais variados interesses, a produção de ferro gusa foi
transferida para a vizinha Itabira (MG), terra natal do poeta Carlos Drummond
de Andrade.
E assim, Morro do Pilar (MG) parou no tempo e mantém um ar bucólico
e preguiçoso até hoje. Hospedei–me na Pousada Indaiá. Recomendo.
Diamantina (MG) a 160 quilômetros.
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12/01/2017 |
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17º dia |
Morro do Pilar (MG) a Conceição do Mato Dentro (MG) |
25 km |
Apesar da pequena quilometragem do dia – 25 quilômetros –, o calor
foi intenso, tanto quanto a altimetria. Sabendo que a etapa não conta com
apoio, a exemplo de ontem, decidi partir após o almoço.
O passaporte foi carimbado numa loja – pasmem – que serve café
expresso. Tomei 500 ml de açaí e, após, deliciosa chávena contendo preciosa
iguaria à base de cafeína.
Deixei Morro do Pilar às 14h 30, sob Sol escaldante e rumei
para Conceição do
Mato Dentro (MG) - 23.345 habitantes. Censo IBGE 2022).
Com 15 minutos de pedal, trovoadas e vento forte. Prenúncio de
chuva que, infelizmente, ficou na promessa.
O trecho é muito bonito. O Espinhaço mostra suas formações sem
nenhum pudor.
Na 1/2 do caminho encontrei o Cássio, ciclista Potiguar, que estava
percorrendo a Estrada Real de Diamantina (MG) a Paraty (RJ). Ficamos um tempo
conversados, passei umas informações, nos despedimos e segui meu rumo.
A três quilômetros da chegada a Conceição do Mato Dentro (MG), a
Estrada Real desemboca na Rodovia MG–010, que vem de Belo Horizonte (MG) e,
após descida alucinante, cheguei ao downtown local. Eram
18h30.
Aproveitei o que restava de luz natural e fui à Igreja do Bom Jesus
de Matozinhos, uma das mais belas da Estrada Real, embora não seja em estilo
barroco.
Diamantina (MG) a 135 quilômetros.
Em 1931, encontrava–se em péssimo estado de
conservação e foi demolida e substituída por uma construção moderna.
Edificação recente, sem ter um significado
artístico-arquitetônico, o atual Santuário do Senhor Bom Jesus de Matozinhos
merece menção por ser centro de romaria, que se realiza anualmente pelas festas
do Jubileu, entre 14 e 24 de junho, desde os tempos coloniais.
A decisão de construir a igreja foi tomada pela
irmandade, em reunião no dia 14 de março de 1931.
O lançamento da pedra fundamental ocorreu em 8 de
novembro do mesmo ano. O projeto é de autoria do arquiteto Mario Moreira.
As linhas arquitetônicas são bastante ecléticas,
variando do mourisco ao neogótico.
A entronização ou ato solene de colocar alguém ou
algo em um trono, ou seja, a imagem de Bom Jesus no Santuário, aconteceu em 12
de maio de 1934.
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13/01/2017 |
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18º dia |
Conceição do Mato Dentro (MG) a Itapanhoacanga (MG) |
47 km |
Disponível em: https://https://files.institutoestradareal.com.br/files/way-route/altimetry/1640899503364/trecho_caminho_dos_diamantes_santo_antonio_do_norte_tapera_itapanhoacanga_altimetria.jpg. Acesso: 1º/03/2017.
Choveu até a parada para o almoço, que aconteceu no pequeno Distrito de Córregos – 462
habitantes – Censo IBGE 2010 – fundado há 308 anos (1709–2026)
e pertencente à jurisdição de Conceição do Mato Dentro (MG).
O ponto alto em Córregos é a Igreja Matriz de Nossa
Senhora de Aparecida.
Presume-se que a sua construção ocorreu entre os
anos de 1745 e 1748.
Porém, na fachada estão gravadas, em cima da porta,
as datas de 1872 e 1994.
Possivelmente, é uma referência às reconstruções
que ocorreram na igreja.
Durante muitos anos esquecido e abandonado, o órgão
da Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, ressurge para nos revelar
segredos, informações históricas e de organaria (fabricação,
conservação ou a reparação de órgãos) até então
ignoradas.
Disponível em:< http://cmd.mg.gov.br/distritos/corregos/igreja-matriz-de-nossa-senhora-aparecida-de-corregos>.
Acesso: 1º/03/2017.
Fundado por bandeirantes em 1709, o
Distrito de Córregos pertenceu ao Serro (MG) até o ano de 1851, passando a ser
distrito de Conceição do Mato Dentro (MG).
Situado em um vale de difícil acesso,
no início de sua formação, foi núcleo de mineração de ouro e diamantes.
Córregos ou Nossa Senhora Aparecida
de Córregos tem seu casario tipicamente colonial, distribuído em uma pequena
praça e algumas ruas. São casas térreas e poucos sobrados, simples e antigos.
Almoço simples e pedal girando, agora
sem chuva, até chegar à pacata e simpática Santo Antônio do Norte - 755 habitantes - Censo IBGE 2022 – que abriga a charmosa Igreja do Rosário.
A localidade mantém a beleza paisagística de seu sítio e preserva, em decorrência da estagnação econômica, suas características do período colonial.
Santo Antônio do Norte também é conhecido por Tapera.

Com o passaporte carimbado, toquei em frente, ou melhor, toquei para cima, pois a última etapa inclui subir a vertente Sul da Serra da Escadinha, com quatro quilômetros, e depois descer a vertente Norte, com oito quilômetros, para chegar a recôndita (desconhecida) Itapanhoacanga, distrito de Alvorada de Minas (MG).
Quando atingi o alto da serra, senti–me no topo do "Everest". Escalada que rendeu belas fotos.
Desci rapidamente e cheguei à incógnita Itapanhoacanga (MG) - 1.700 habitantes - carece de fonte, localidade com o nome mais estranho encontrado ao longo dessa imensa Estrada chamada Real.
Itapanhoacanga (Ita = pedra. Tapanhuna = negra. Acanga = cabeça). Ou seja: pedra cabeça de negro. A localidade é distrito de Alvorada de Minas (MG).

Itapanhoacanga fica encravada em um vale muito profundo e cercada
pela Serra do Espinhaço, que recebe denominações locais de Serra do São José ou
Serra da Escadinha.
Ao longo do Caminho dos Diamantes – trecho compreendido entre
Diamantina (MG) e Ouro Preto (MG) –, o Espinhaço recebe diversas nomenclaturas
dadas pela população nativa.
Existem naquele sítio de nome bizarro, monumentos religiosos e
ricas manifestações culturais.
O pequeno vilarejo é símbolo da época em que aquele diminuto
distrito, na porção central de Minas Gerais, era o mais rico garimpo de ouro do
Serro Frio (arraial que deu origem à cidade do Serro-MG).
Diamantina (MG) a 88 quilômetros.
A reforma da Igreja de São José (edificação barroca
construída entre 1746 e 1787) está emperrada há 17 anos.
Aguarda a liberação de verba. A situação é
tão precária que as imagens e peças sacras foram retiradas e levadas para um
local mais seguro.
Disponível
em http://pt.slideshare.net/AndrSchetino/estrada-real-23863559>. Acesso:
1º/03/2017.
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14/01/2017 |
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19º dia |
Itapanhoacanga (MG) ao Serro (MG) |
26 km |



Em Alvorada de Minas (MG) - 4.065 habitantes. Censo IBGE 2022 - carimbei passaporte, bati uma tigela de açaí na padoca e fui encarar as subidas
honestas até o (*) Serro
(MG), com a Estrada Real asfaltada nesse trecho (18 quilômetros).
Cheguei ao Serro (MG) - 21.813 habitantes. Censo IBGE 2022 - no
momento de um apagão duradouro.
Sem energia elétrica, a cerveja do jantar desceu quente. Mas a refeição estava uma delícia. Pouco antes da meia-noite a energia foi restabelecida. Impossível dormir sem ar-condicionado.
(*) O nome da região, dado pelos índios, era Ivituruí (ivi = vento,
turi = morro, huí = frio) na língua tupi-guarani.
Daí derivou Serro Frio, atual Serro (MG), uma das
mais belas e antigas cidades históricas de Minas Gerais.
Serro é nome de queijo e queijo é sinônimo de
Serro.
A cidade se orgulha de produzir o mais saboroso e
conhecido produto mineiro: o famoso "Queijo do Serro" artesanal, tipo
Minas.
No estado ele é conhecido também como "queijo
minas" (não é curado nem frescal).
O motivo do diferenciado sabor, comparável aos
melhores do mundo, ou ainda não está devidamente explicado, ou está guardado a
sete chaves.
Os antigos o creditavam ao capim gordura, excelente
pastagem nativa da região, hoje quase desaparecida.
Como permaneceu a mesma qualidade, atualmente
alguns apontam a composição do solo (terreno calcário e úmido) e o clima, como
os responsáveis pelo delicado sabor.
Disponível
em:<www.serro.mg.gov.br/portal/turismo/0/9/758/queijo-do-serro>. Acesso:
1º/03/2017.



Diamantina (MG) a 62 quilômetros.
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15/01/2017 |
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20º dia |
Serro (MG) a São Gonçalo do Rio das Pedras (MG) |
29 km |
A tão esperada chuva chegou e me acompanhou pelo percurso, quase
todo feito em asfalto. Na saída do Serro (MG), parada para degustar açaí e
tomar delicioso expresso.
Atravessei a ponte sobre o Rio do Peixe e encarei uma subida
honesta de quatro quilômetros. Almocei assistindo Escolinha do Professor
Raimundo, no Distrito de Três Barras, que fica às margens do Rio
Jequitinhonha e abriga a charmosa Igreja de São Geraldo (*).
Diamantina (MG) a 62 quilômetros.
(*) Templo
modesto, mas que se destaca entre o rarefeito casario local.
A fachada é bastante singela, com torre única e
central salientada pela cobertura em telhado de quatro águas, numa feição
tipicamente mineira.
Embora sem nada que a distingue especialmente, a
Capela de São Geraldo, comove pelo despojamento e simplicidade. Ocupa o lugar, com arquitetura tipicamente mineira.
Ressalta as características dos tempos coloniais,
destacando-se pela simplicidade de seu contorno em tom azul, pela torre central
única e por seu telhado de quatro águas com conjunto arquitetônico e natural.
A modesta capela de São Geraldo registra a
religiosidade do povo do distrito.
Disponível em:< https://www.serro.mg.gov.br/portal/noticias/0/9/747/tres-barras>. Acesso: 1º/03/2017.

A chuva apertou e logo passei por Milho Verde, também Distrito do
Serro (MG) e lugar de pousadas e cachoeiras em profusão.


Essa remota localidade abriga a minúscula (*) Capela do
Rosário, que ficou conhecida ao sair no encarte do LP “Caçador de Mim”, de
Milton Nascimento, lançado pela Gravadora Ariola, em 1981.
(*) Partindo da constatação de que há pouca documentação sobre a Capela
de Nossa Senhora do Rosário de Milho Verde (MG), o autor do artigo foi
surpreendido com o dado - confirmado por muitos moradores antigos da localidade
- de que a construção não data do século XIX, como criaram muitos
especialistas, mas sim da década de 1950.
Essa constatação originou uma reflexão sobre a
"autenticidade" do edifício, que, diferentemente de muitas
construções da mesma época no interior brasileiro, não possuem absolutamente
nada de "kitsch".
Uma possível explicação para esse fato é o total
isolamento em que se encontrava Milho Verde na década de 1950, não sendo
servida a localidade por luz elétrica, portanto, não compartilhando das
informações da indústria cultural e, por isso, com um alto grau de
"imunização" em relação ao "kitsch" por ela difundido.
Kitsch: substantivo com origem no alemão
que descreve uma coisa com mau gosto (âmbito da estética).
Conteúdo criado para apelar ao gosto popular.
Em Milho Verde (MG) - 2 mil
habitantes - carece de fonte - carimbei passaporte na
Pousada do Moraes e pedalei bem tranquilo os sete quilômetros finais,
chegando, às 19h, a São Gonçalo do Rio das Pedras, distrito do Serro
(MG), que conta com diminuta
população de 1.479 habitantes - IBGE 2022.
Chegando a São Gonçalo do Rio das Pedras, fui rever o Sr. Ademil,
entregar a carta endereçada a ele, escrita pelo meu Xará, Fernando Gonçalves,
em Bom Jesus do Amparo (MG) e colocar a conversa em dia.

Sujeito boa praça e profundo conhecedor da Estrada Real.
A exemplo de Fernando Gonçalves - meu xará e morador em
Bom Jesus do Amparo (MG) -, Sr. Ademil é outra lenda viva da Estrada Real.

Largo Félix Antônio. São Gonçalo do Rio das Pedras (MG).
Foto: Fernando Mendes.
Há três semanas, iniciei a jornada em Petrópolis (RJ). Sensação de ter saído da Cidade Imperial há poucos dias.





Diamantina (MG) a 32 quilômetros.
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16/01/2017 |
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21º dia |
São Gonçalo do Rio das Pedras (MG) a Diamantina (MG) |
32 km |
Acordei com o forte barulho da chuva, à semelhança de uma
artilharia, sobre o pálio (cobertura) que dá acesso [dos quartos] à sala de
café da Pousada Fundo de Quintal.
Após o café da manhã me despedi do grande amigo Ademil e zarparei
rumo a Diamantina (MG), "onde nasceu JK", em 12/09/1902, 32
quilômetros à frente.
Como não sou de açúcar, ignorei o aguaceiro que desabava
impiedosamente sobre a Estrada Real, deixando-a enlameada e com piso deveras
escorregadio.


Seguia com cautela. Passei pelo bucólico povoado do Vau,
subdistrito de Diamantina (MG), quando a chuva estiou.
Daquele ponto em diante, o asfalto cobriu o leito natural do
caminho histórico.
“A marcha do progresso é a minha grande dor”, conforme está
na canção "Mágoa de Boiadeiro", composição de Índio Vago e Nonô
Basílio, imortalizada na voz de Sérgio Reis.
Na canção "Poeira da Estrada", de José Camilo, um trecho que muito tem a ver com a "marcha do progresso". Ei-lo:
Estrada que era vermelha de terra
Que o progresso trouxe e o asfaltado cobriu
Estrada que hoje chama rodovia
Estrada onde um dia meu sonho seguiu
Estrada que antes era boiadeira
Estrada de poeira, de Sol, chuva e frio
Estrada ainda resta um pequeno pedaço
A poeira do laço que ainda não saiu.
A paisagem da Serra do Espinhaço é belíssima e as formações chegam
à beira da Estrada Real. As subidas são fortes.
Cheguei a Diamantina (MG) - 47.798 habitantes. Censo IBGE
2022 - às 14h30.
Antes de providenciar estada no Hotel Tijuco fui ao Centro de
Informações Turísticas de Diamantina (MG), antigo Arraial do Tijuco (*), retirar
o Certificado Estrada Real Caminho dos Diamantes.
Em seguida, dirigi-me à Igreja Matriz de Santo Antônio. Fotos e
orações em agradecimento pela proteção ao longo da jornada, pela minha família
e pela minha saúde.
(*) "O povoado (arraial do Tijuco) - atual Diamantina (MG) -
cresceu ao redor do templo, erguido em uma praça.
Gradualmente, a planta da cidade, adquiriu formato
quadrangular, diferente e mais organizado que o das demais cidades históricas
mineiras, em geral sinuosas e desordenadas, como se pode observar atualmente
nas ladeiras de Ouro Preto (MG), Tiradentes (MG) e São João del Rei (MG)".
Fonte: Júnia Ferreira Furtado, Chica da Silva e o contratador de diamantes: o outro lado do mito. p. 39.

CHEGUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Essa
foi a mais top viagem que fiz pela Estrada Real, não desmerecendo as demais.
No quadro abaixo, minhas 8 edições por esses caminhos.
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MINHAS 8 EDIÇÕES PELA ESTRADA REAL
(2011 a 2026) |
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Maio 2011 |
Diamantina (MG) a Paraty (RJ) |
978 km |
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Outubro 2011 |
Serro (MG) à Serra do Cipó (MG) Bate
e Volta |
280 km |
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Junho 2014 |
Conc. do Mato Dentro (MG) a S.
Lourenço (MG) |
685 km |
|
Janeiro 2015 |
Diamantina (MG) a Conc. do M. Dentro
(MG) |
136 km |
|
Julho 2015 |
Ouro Preto (MG) a Paraty (RJ) |
710 km |
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Janeiro 2017 |
Petrópolis (RJ) a Diamantina (MG) |
903 km |
|
Maio 2022 |
Paraty (RJ) a Ouro Preto (MG) |
202 km |
|
Maio 2026 |
Ouro Preto (MG) a Petrópolis (RJ) |
438 km |
|
TOTAL: 4.332 km |
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Brasília (DF), 1º/03/2017 e atualizado em 06/05/2026.
Antônio Fernando Mendes - 57 anos.
Professor de Geografia e Geógrafo.
Brasília, 1º/03/2017.









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