Caminho da Fé: de Franca (SP) a Aparecida (SP). Outono 2023.
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CAMINHO DA
FÉ – RAMAL NORDESTE FRANCA (SP) A APARECIDA (SP) - 633 KM |
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07/03/2023
a 20/03/2023 |
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Datas |
Caminho da Fé Franca (SP) a
Aparecida (SP) |
km/dia |
∑ (*) |
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07/03 |
Franca (SP) a
Patrocínio Paulista (SP) |
28 |
28 km |
28 km |
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08/03 |
Patrocínio
Paulista (SP) a Itirapuã (SP) |
20 |
74 km |
102 km |
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Itirapuã (SP) a
São Tomás de Aquino (MG) |
30 |
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S. T. de Aquino
(MG) a S. S do Paraíso (MG) |
24 |
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09/03 |
S. Sebastião do
Paraíso (MG) a Itamogi (MG) |
31 |
78 km |
180 km |
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Itamogi (MG) a
Monte Santo de Minas (MG) |
18 |
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Monte Santo de
Minas (MG) a Milagre (MG) |
16 |
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Milagre (MG) a
Arceburgo (MG) |
13 |
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10/03 |
Arceburgo (MG) a
Tapiratiba (SP) |
32 |
54 km |
234 km |
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Tapiratiba (SP) a
Caconde (SP) |
22 |
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11/03 |
Caconde (SP) a Divinolândia (SP) |
25 |
25 km |
259 km |
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12/03 |
Divinolândia (SP)
a S. Roque da Fartura (SP) |
41 |
57 km |
316 km |
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S. R. da Fartura
(SP) a Águas da Prata (SP) |
16 |
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13/03 |
Águas da Prata (SP) a Andradas (MG) |
35 km |
351 km |
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14/03 |
Andradas (MG) a
Serra dos Lima (MG) |
16 |
43 km |
394 km |
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Serra dos Lima
(MG) a Barra (MG) |
6 |
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Barra (MG) a
Crisólia (MG) |
14 |
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Crisólia (MG) a
Ouro Fino (MG) |
7 |
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15/03 |
Ouro Fino (MG) a Inconfidentes (MG) |
8 |
48 km |
442 km |
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Inconfidentes (MG) a Borda da Mata (MG) |
21 |
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Borda da Mata (MG) a Tocos do Mogi (MG) |
19 |
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16/03 |
Tocos do Mogi
(MG) a Estiva (MG) |
21 km |
463 km |
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17/03 |
Estiva (MG) a Consolação (MG) |
18 km |
481 km |
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18/03 |
Consolação (MG) a
Paraisópolis (MG) |
21 |
47 km |
528 km |
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Paraisópolis (MG)
a Luminosa (MG) |
26 |
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19/03 |
Luminosa (MG) a Campos do Jordão (SP) |
40 km |
568 km |
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20/03 |
C. do J. (SP) a
Aparecida (SP) (Pedrinhas) |
65 km |
633 km |
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(*) 18ª letra do alfabeto grego, correspondente ao S latino e, na matemática, símbolo de soma ou somatório.
No mesmo dia em que a Lua passou da fase Crescente (*) à fase Cheia, imprimi as primeiras pedaladas pelo Caminho da Fé - Ramal Leste - que liga Franca (SP), situada no Extremo Nordeste do Estado de São Paulo, a Aparecida (SP), assentada no Vale do Paraíba Paulista.
(*) A Lua Crescente, com sua afilada e delgada forma, está presente nas bandeiras de vários países muçulmanos.
(Nota do Autor).
Vindo de Brasília (DF), onde moro desde 1972, cheguei a Franca (SP) dia 06/03/2023, véspera da partida rumo ao Santuário Nacional de Aparecida (SP).
Deslumbrantes 633 quilômetros foram percorridos em 14 dias, ora sob bátegas cujos pingos se assemelhavam a bagos de uvas; ora sob um calor demencial, sensação de pedalar em região com o pior clima da Terra; sensação de presenciar minha cremação.
Hospedagem no Imperador Palace Hotel, escolhido por ficar distante 1,5 quilômetro da Vila Aparecida, local de emissão da credencial que, ao longo do trajeto, recebeu carimbos das diversas localidades pelas quais passei.
Ao término do Caminho foram registradas 56 marcas, ficando a cartela 100% completa.
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07/03/2023 |
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1º dia |
Franca (SP) a Patrocínio Paulista (SP) |
28 km |
Às 8h de uma manhã nublada e com ameaça de chuva a qualquer momento, estava defronte a um singelo monumento em homenagem à N. Sr.ª Aparecida, localizado à Avenida Distrito Federal.

Até conseguir me livrar do trânsito confuso - principalmente na área central de Franca (SP) - pedalei por quase uma hora até o piso de asfalto ceder lugar à estrada em leito natural, bem larga e plana, à semelhança de uma pista de aeroporto categoria C, que suporta pequenos monomotores pesando até 5.700 kg.
O solo encharcado do temporal, ocorrido na noite que antecedeu minha partida de Franca (SP), apresentava muitos trechos alagados nas margens; no centro, lama em trechos pontuais.
Pedalava ao som da passarada e respirava a tragos ar repleto de umidade e odor de terra molhada. Ambiente deveras bucólico e singelo.
No entanto, após passar pela entrada da propriedade pertencente à dupla sertaneja Rio Negro & Solimões, a singeleza do ambiente deu lugar ao caos. Parei a bike. Silêncio das rodas. À minha frente havia um lamaçal, que se estendida por algo em torno de 400 metros ou pouco mais.
Não foi tarefa fácil atravessar aquele trecho com bike pesada e lama acima das canelas. Mas consegui. Porém, ao me livrar daquele pântano, as rodas ficaram travadas devido ao acúmulo de terra.
Fui salvo por uma poça d'água e, com a mão espalmada, joguei precioso líquido no garfo e na estrutura traseira, aliviando as rodas, que voltaram a girar, porém, com alguma dificuldade.



Toquei em frente e logo apareceu uma seta amarela indicando conversão à esquerda. Ingressei noutro trecho deveras castigado pela lama. As rodas voltaram a ficar presas.
A solução foi empurrar a bike até encontrar outra poça com água enlameada e repetir a operação de liberar rodas. Consegui, mas por pouco tempo.
Ao examinar as altas e negras nuvens na minha vertical, procedentes do oeste, a veloz massa nebulosa acabou me situando novamente na realidade daquele primeiro dia de jornada: a chuva não tardaria - como de fato não tardou.
Observei o céu tomado por densa e interminável frente nebulosa; a chuva não se fez esperar, desabando em cascata solta e com pingos à semelhança de jabuticabas. Uma bátega de respeito.
Seguiram-se ventos com fortes rajadas, provenientes de várias direções e acompanhados de um aguaceiro vertical.
Rapidamente o escoamento superficial da água sobre o piso do caminho, que tornou-se deveras escorregadio, impossibilitou-me de continuar pedalando. As rodas estavam novamente travadas.
Sendo atingido pela volumosa chuva que caía impiedosamente sobre mim, com a força de uma artilharia, parei e fui arrancando nacos de lama, conseguindo roda livre, para encarar um trecho - felizmente - em descida moderada até alcançar, bastante ensopado e enlameado até os ossos, o calçamento da cidade de Patrocínio Paulista (SP). Eram 13h. O dia havia virado noite.
Num posto BR recebi uma notícia nada agradável: era feriado na cidade e o comércio - incluindo as bicicletarias - estava fechado.
Restou-me ir para o Hotel Avaí e, após merecido banho - sensação de ter trocado de pele -, fui a passos, sob chuva leve, almoçar no maravilhoso Adega Bar e Restaurante.
No estabelecimento, o garçom que me atendeu indicou a Bicicletaria do Luisinho, infelizmente fechada naquele dia por conta do feriado municipal (aniversário da emancipação política, ocorrida em 10/03/1885).
Retornei ao Hotel Avaí, dormi até o entardecer e voltei ao Adega Bar e Restaurante para tomar umas cervejas, enquanto fazia hora no aguardo do jantar. Chovia levemente.
O 1º dia brilhou pela ausência.
Dizem que quando uma coisa principia de maneira tão infernal [1º dia de viagem], é sinal que terminará bem. A ver nos próximos dias.
Aparecida (SP) a 605 quilômetros.
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08/03/2023 |
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2º dia |
Patrocínio Paulista (SP) a São
Sebastião do Paraíso (MG) |
74 km |






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09/03/2023 |
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3º dia |
São Sebastião do Paraíso (MG) a Arceburgo
(MG) |
78 km |

em São Sebastião do Paraíso (MG). Foto: Fernando Mendes.



Acesso: 21/06/2024.
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10/03/2023 |
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4º dia |
Arceburgo (MG) a Caconde (SP) |
54 km |

Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.


Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.
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11/03/2023 |
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5º dia |
Caconde (SP) a Divinolândia (SP) |
25 km |

Etapa Caconde (SP) a Divinolândia (SP).

Etapa Caconde (SP) a Divinolândia (SP).

Etapa Caconde (SP) a Divinolândia (SP).
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Caconde (SP) a Divinolândia (SP).
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Caconde (SP) a Divinolândia (SP).
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Caconde (SP) a Divinolândia (SP).
Foto: Fernando Mendes.
Por volta das 16h fiz check-in no Hotel Lunayama, com aspecto descuidado e precisando de manutenção, a começar pela imensa infiltração na parede paralela à escada que dá acesso aos quartos.
Fui a passos dar uma volta pela cidade e conhecer a Paróquia Divino Espírito Santo.
Jantei no Pedrinho Restaurante e Churrascaria, algumas cervejas e retorno à estalagem.
A distância percorrida foi pouca [25 km] mas a altimetria judiou bastante. Foi um dia de pedal à vera.
Aparecida (SP) a 374 quilômetros.

Paróquia Divino Espírito Santo.
Foto: Fernando Mendes.
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12/03/2023 |
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6º dia |
Divinolândia (SP) a Águas da Prata
(SP) |
57 km |



Foto: Fernando Mendes.
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13/03/2023 |
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7º dia |
Águas da Prata (SP) a Andradas (MG) |
35 km |






Atravessei a divisa SP/MG e, logo após a Pousada Iamaká, não dobrei à direita, conforme uma seta amarela indica.
Por conhecer bem esse
trecho, preferir seguir por uns 500
metros, entrar na Rodovia BR-146 e descer os 10 quilômetros finais pelo
asfalto.



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14/03/2023 |
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8º dia |
Andradas (MG) a Ouro Fino (MG) |
43 km |
Por volta das 9h,
estava a caminho da saída de Andradas (MG), com trânsito confuso à semelhança
de Dacca, a capital de Bangladesh.
As primeiras pedaladas foram pela BR-146 e, após transpassar a ponte sobre o Rio Jaguari Mirim, ingressei no leito natural.
Foto: Fernando Mendes.

Uma dezena de quilômetros à frente, parei na Gruta Nossa Senhora de
Lourdes.
Há um regato, com água fresca e saborosa, que passa atrás da pequena capela.
Parada para reabastecer e me preparar para a subida da Serra dos Limas, uma obstinada ascensão, com apenas 1,3 quilômetro em subida contínua.
Conhecido por ser um dos trechos mais desafiadores do Caminho da Fé, possui inclinações que alcançam picos de 22% a 25% e ganho de elevação de 188 m.
Tarefa árdua subir pedalando.
Nas minhas - até então - quatro edições pelo Caminho da Fé, jamais consegui zerar essa parede pedalando; nesta quinta edição, não foi diferente; empurrei a bike com dignidade.
O leito natural foi asfaltado, melhorando a tração às rodas dos veículos e aos pés dos caminhantes (peregrinos).
Foto: Fernando Mendes.
No topo, a recompensa: Lanchonete Mirante, o Sabor das Alturas, a pausa que refresca.
Foto: Fernando Mendes.


Foto: Fernando Mendes.
Terminado o lanche, voltei à lida do pedal, parando quatro quilômetros adiante na Pousada da D. Natalina, estalagem na qual fiz alguns pernoites nas minhas andanças pelo Caminho da Fé. Infelizmente a possessora não estava.
Carimbei o passaporte e continuei.
Poucos quilômetros à frente, encarei a temida Subida do Sabão - inclinação máxima de 28% -, que tem piso
escorregadio e 1,5 quilômetro de extensão. Novamente empurrei a bike com brio.
Ao término da subida "ensaboada", pedalei seis quilômetros e me deparei com um cenário horrendo: o leito do Caminho da Fé, nos quilômetros que se seguiram até alcançar o modesto distrito de São Pedro da Barra, me pareceram vítimas de um bombardeio aéreo, apresentando cicatrizes indeléveis.
Imensas valas foram abertas com a força da enxurrada dos dias anteriores. Alguns buracos tinham 1,5 metro de profundidades e outros um pouco mais.
Água em profusão rolava pelas laterais do caminho e escoava para dentro das "crateras". Alguns motoristas tentaram ziguezaguear pelas valas, mas não conseguiram.
Impossível pedalar sob tais condições, principalmente por se tratar de uma descida forte. Desci da bike e fui contornando as voçorocas por mais de dois quilômetros.
Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.





A estátua tem dez metros de altura e caracteriza muito bem o Menino: pés descalços, calça dobrada, o inseparável chapéu de palha, um aceno com a mão esquerda estendida e sorriso cativante.
Impossível não se lembrar de partes da canção: “obrigado boiadeiro, e que Deus vá lhe acompanhando”. "Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino, de longe eu avistava a figura de um menino".
Essa música atravessou décadas e continuará a atravessar, assim como Asa Branca, imortalizada na voz de Luís Gonzaga.
Estada na Pousada Canto de Minas. Recomendo.
Aparecida (SP) a 239 quilômetros.
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15/03/2023 |
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9º dia |
Ouro Fino (MG) a Tocos do Mogi (MG) |
48 km |
Às 9h estava defronte à Igreja Nossa Senhora de Fátima e São Francisco de Paula.
Sua construção começou em 1927 e
substituiu uma rústica capela que ocupava o local, feita em homenagem a São
Francisco de Paula, que deu origem ao município, em 1746.

Após fotos, segui na direção de Inconfidentes (MG), oito quilômetros à frente, chegando às 10h.
Parada obrigatória no Bar do Maurão, sujeito boa praça, muito gentil e atencioso com ciclista e caminhantes. O pastel servido em seu empório é inigualável. Ele é profundo conhecedor do Caminho da Fé.
Durante 25 anos, o Maurão fez a peregrinação, a passos, até Aparecida (SP). Passaria o dia ali conversando com ele. Assuntos não faltariam.
Carimbo no passaporte e um abraço na despedida.
Borda da Mata (MG), a capital nacional do pijama, foi a próxima parada. Na saída de Inconfidentes (MG), pedalei poucos quilômetros pela Rodovia MG-295. Logo uma seta amarela indicava conversão à esquerda.
Saí do asfalto e ingressei no leito natural, pedalei por 28 quilômetros entre subidas e descidas leves até alcançar Borda da Mata (MG), com parada providencial no Café Vovó Iza, na chegada a Borda da Mata (MG).
Trata-se de um empório da melhor qualidade, que serve quitutes variados e um café expresso maravilhoso.
Pretendia almoçar no Restaurante Casarão, mas a fome não aguentou até lá. Almocei no Vovó Iza.
Ao transpassar a área central de Borda da Mata (MG), impossível ficar indiferente à Igreja Nossa Senhora do Carmo.




Após a Porteira do
Céu, oito quilômetros morro abaixo e ingressei no perímetro urbano da pequena
Tocos do Mogi (MG).
"O nome da cidade não deriva da palavra toco (madeira) e sim da palavra grega "tokos" que, segundo o Aurélio, significa "ação de conceber", ou seja, onde o Rio Moji ou Mogi é concebido, onde ele nasce".
"O Rio Mogi-Guaçu nasce na cidade vizinha, Bom Repouso MG”.


Igreja Nossa Senhora Aparecida. Foto: Fernando Mendes.
Cheguei às
16h e acomodei-me na Pousada São Geraldo, simples, mas limpa e confortável. À
noite jantei no Sabor da Casa e Pizzaria e... cama. O dia seguinte foi cascudo.
Aparecida (SP) a 191 quilômetros.
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16/03/2023 |
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10º dia |
Tocos do Mogi (MG) a Estiva (MG) |
21 km |
Na saída de Tocos do Mogi (MG) uma subida persistente de quatro quilômetros deu o tom daquele dia 16/03/2023.
O término do ascenso é defronte a uma modesta parada de ônibus, instalada pela Associação Caminho da Fé, um ponto de descanso, anexo a uma singela capela.

Pausa de alguns minutos, pois o calor estava abrasador. E veio um trecho
relativamente plano, uns quatro quilômetros e, em seguida, uma descida
alucinante na qual os freios são exigidos quase à exaustão.
Havia percorrido parcos 11 quilômetros e o calor era inclemente. Respirei e encarei quatro quilômetros de uma subida à vera - sem empurrar -, mas terminei quase desfalecido. A paisagem é deveras maravilhosa.


Felizmente os quilômetros finais aconteceram em descida contínua e cheguei à pequena Estiva (MG), a capital do morango, às 14h 28.
Não estava em
condições de seguir. Almocei no Bar e Restaurante do Trevo e me acomodei na Pousa Poka. O calor me
derrotou.
Banho gelado e uma volta pela praça principal, onde está a Paróquia Nossa Senhora Aparecida.
Estiva é, no caso, segundo o dicionário Aurélio, uma ponte feita sobre um pau, sobre forquilhas, em terrenos alagadiços ou pantanosos.
Foi daí que surgiu o primeiro nome da região: Pântano da Estiva.
Consolação (MG) ficou para o dia seguinte. Existem horas que é preciso
parar e não exceder os limites físicos e mentais. Meu corpo agradeceu.
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17/03/2023 |
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11º dia |
Estiva (MG) a Consolação (MG) |
18 km |
Travessia da Rodovia Fernão Dias (BR-381).
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.


Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.
A partir do 12° quilômetro a alegria acabou. O caminho empina
fortemente para cima. É o início da Serra do Caçador, com cinco quilômetros de
ascensão e piso pavimentado com bloquetes sextavados, que garantem tração às
rodas e aos pés. Subida difícil, flanqueada por belíssima paisagem e a
Mantiqueira como testemunha.
Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.

Etapa Estiva (MG) a Consolação.
Foto: Fernando Mendes.
No início
do calçamento, à direita, parei no Santo Sabor Restaurante. Degustei deliciosa
lasanha, feita com massa caseira. Um deleite depois de vencer a cascuda Serra
do Caçador.
Hospedagem na Pousada da D. Elza, uma senhora deveras simpática que administra aquela estalagem acolhedora faz muitos anos. Arrumei meus haveres no quarto e saí para uma volta.
A Igreja Matriz de Consolação (MG) fica defronte à pousada. Parada para fotos. Em 5 edições pelo Caminho da Fé, essa foi a primeira vez na qual a igreja estava aberta à visitação.
Continuei a caminhada olhando atentamente para o ponto cardeal Oeste, onde o Sol havia baixado fazia pouco tempo.
Era o segundo dia de Lua Crescente, com sua afilada e delgada forma e presente nas bandeiras de vários países muçulmanos.
Esperei a claridade diminuir e logo ela apareceu com seu inconfundível formato afilado, quase no horizonte Ocidental,
fugindo, mas a tempo de fotografá-la.

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18/03/2023 |
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12º dia |
Consolação (MG) a Paraisópolis (MG) |
18 km |
47 km |
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Paraisópolis (MG) a Luminosa (MG) |
29 km |
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Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.

Foto: Fernando Mendes.
Bar e Restaurante Seta Amarela.
Foto: Fernando Mendes.


Bar e Restaurante Seta Amarela.
Foto: Fernando Mendes.

Bar e Restaurante Seta Amarela.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.


Todavia o estrago foi pequeno, apenas um grande ralado na perna direita.
No dia seguinte fui a Brazópolis (MG) - de ônibus -, outro guidão foi comprado, instalei-o na bike e a viagem continuou.
Antigamente, o lugar se chamava "Candelária", uma homenagem à padroeira Nossa Senhora das Candeias.
O problema é que existia uma outra Candelária muito mais famosa: a
do Rio de Janeiro.
A confusão era tanta que as cartas trocavam de destino constantemente.
Correspondências importantes dos moradores da roça iam parar na capital carioca e vice-versa.
Para resolver o caos postal, em 1943, a cidade mineira foi batizada de "Luminosa" — um nome que manteve a essência da luz da santa, mas garantiu que as cartas chegassem.
Fonte: Vida de Mochila
Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/1681222225513499/user/100066660425831/>. Acesso: 30/06/2023.
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19/03/2023 |
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13º dia |
Distrito de Luminosa (MG) a
Campos do Jordão (SP) Via Estrada da Candelária |
40 km |
Nas quatros edições anteriores pedalando pelo do Caminho da Fé -
2014, 2016, 2017 e 2018 - percorri o trecho Distrito de Luminosa (MG) a Campos
do Jordão (SP) "escalando" a temida "subida da Luminosa" e
seus 16 intermináveis quilômetros.
Previamente, programei um caminho diferente daquele usualmente percorrido por ciclistas e peregrinos.
Pedalei pela rodovia Estrada da Candelária (em leito natural) na qual os moradores da pacata Luminosa (MG) utilizam-se para ir a Campos do Jordão (SP).
O objetivo foi pedalar por uma variante à Serra da Luminosa, conhecendo, desta maneira, um caminho alternativo para alcançar Campos do Jordão (SP), principalmente em dias chuvosos, quando a aferrada subida [da Luminosa] se torna muito difícil e perigosa.
Essa rota - via Estrada da Candelária - permite ao ciclista subir seus 22 quilômetros pedalando e sem dificuldades, diferentemente da obstinada ascensão da Serra de Luminosa, onde se empurra mais [a bike] do que se pedala.
Estrada ótima, solo bastante compactado, bem larga e etapa 100% pedalável.
100% pedalável, significa que o trajeto [da Estrada da Candelária - 22 km] pode ser feito em cima da bicicleta, sem a necessidade de empurrá-la ou carregá-la.
É um termo comum para descrever trilhas técnicas, porém acessíveis.
Disponível em: https://www.google.com/search. Acesso: 30/06/2023.
Foto: Fernando Mendes.

Downtown do Distrito de Luminosa.
Disponível em:
<https://www.google.com/maps/dir/Luminosa,+Braz%C3%B3polis.
Acesso: 30/06/2024 (com adaptações).






Chegada ao asfalto da Rodovia SP - 42.
Foto: Fernando Mendes.

Chegada ao asfalto da Rodovia SP - 42.
Foto: Fernando Mendes.
Após 22 quilômetros, percorridos na tranquilidade de uma subida moderada, cheguei ao asfalto da Rodovia SP-42. Campos do Jordão (SP) a 18 quilômetros.

Chegada ao asfalto da Rodovia SP - 42.
Foto: Fernando Mendes.
As
primeiras pedaladas pela SP-42 continuaram em ascenso íngreme até atingir a cota
altimétrica de 1.809 m de altitude. A partir daquele ponto, forte descida até a
entrada de Campos do Jordão (SP).
Ao término da forte descida em asfalto, virei à direita, ingressei num trecho em leito natural, bastante sombreado, flanqueado por hortênsias e em ascenso contínuo - por uns 14 quilômetros -, atravessei bairros periféricos de Campos do Jordão (SP) e cheguei, às 16h, ao Refúgio dos Peregrinos.
Estada confortável e jantar na pousada. Ao me deitar, refiz cada trecho percorrido e adormeci antes da metade do Caminho.
Aparecida (SP) a 65 quilômetros.
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20/03/2023 |
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14º dia |
Campos do Jordão
(SP) a Aparecida (SP) – Via Pedrinhas |
65 km |
Dia magistral, com céu limpo e temperatura em agradáveis 18°C. Desta feita, diferentemente das minhas cinco edições anteriores pelo Caminho da Fé, nas quais fui de Campos do Jordão (SP) a Aparecida (SP) pelo asfalto da Rodovia SP-123, optei pelo inédito Caminho das Pedrinhas. Um espetáculo.
Tomei a direção do Bairro Capivari e, seguindo as setas amarelas, logo estava girando por uma rodovia estreita e sem acostamento, que me levou até o Restaurante Dona Chica na Floresta. Até aquele ponto foram 17 quilômetros pelo asfalto.
Conversão à direita e ingressei no Caminho das Pedrinhas, que começa com forte subida de 5,8 quilômetros até atingir a maior cota altimétrica do Caminho da Fé: 1.942 metros.
Almoço na Pousada Santa Maria da Serra. Recomendo.









O sorriso é o idioma das pessoas vencedoras.
Foto: Fernando
Mendes.
20/03/2023. Chegada a Aparecida (SP) às 17h 32.
Foto: Fernando Mendes.
Aparecida (SP), não é, nunca foi e jamais será "APARECIDA DO NORTE".
Brasília (DF), 30/04/2023.
Antônio Fernando Mendes, 63 anos, Professor de Geografia e Geógrafo.
Não rejeito um desafio quando ele cruza o meu caminho.
Obrigado pela leitura.
Antônio Fernando Mendes - 63 anos.
Professor de Geografia e Geógrafo.
Brasília, 30/06/2023.















































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