Pedal das Cataratas. Viagem de Bike de Brasília (DF) a Foz do Iguaçu (PR). Outono 2024.



PEDAL DAS CATARATAS

DE BRASÍLIA (DF) A FOZ DO IGUAÇU (PR)

1.740 km


Fotos: Fernando Mendes.

BRASÍLIA (DF) A FOZ DO IGUAÇU (PR) – 1. 740 km

DATAS

TRECHOS

KM

15/03/2024

Brasília a Sonho Verde (GO)

166

166

16/03/2024

Sonho Verde (GO) a Campo Alegre (GO)

79

245

17/03/2024

Campo Alegre (GO) a Catalão (GO)

72

317

18/03/2024

Catalão (GO) a Uberlândia (MG)

97

414

19/03/2024

Uberlândia (MG) a Uberaba (MG)

125

539

20/03/2024

Uberaba (MG) a Ituverava (SP)

77

616

21/03/2024

Ituverava (SP) a Orlândia (SP)

48

664

22/03/2024

Orlândia (SP) a Jaboticabal (SP)

110

774

23/03/2024

Jaboticabal (SP) a Itápolis (SP)

68

842

24/03/2024

Itápolis (SP) a Borborema (SP)

39

881

25/03/2024

Borborema (SP) a Marília (SP)

120

1.001

26/03/2024

Marília (SP) a Assis (SP)

82

1.083

27/03/2024

Assis (SP) a Sertanópolis (PR)

88

1.171

28/03/2024

Sertanópolis (PR) a Apucarana (PR)

85

1.256

29/03/2024

Apucarana (PR) a Eng. Beltrão (PR)

115

1.371

30/03/2024

Eng. Beltrão (PR) a Campo Mourão (PR)

34

1.405

31/03/2024

Campo Mourão (PR) a Ubiratã (PR)

116

1.521

01/04/2024

Ubiratã (PR) a Cascavel (PR)

91

1.612

02/04/2024

Cascavel (PR) a Foz do Iguaçu (PR)

128

1.740

MÉDIA: 91,5 km/dia

TOTAL 1.740 km


ROTEIRO: VISÃO GERAL

Disponível em: www.infoescola.com/wp-content/uploads/2019/07/mapa-do-brasil-legendado-pintado-regioes.jpg. Acesso: 17/06/2024.

1º dia

15/03/2024

Brasília (DF) 

ao Hotel Sonho Verde (GO)

166 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Nos primeiros quilômetros, meu coração, a pleno rendimento, revelava ritmo sinusal, ou seja, indicação de batimentos saudáveis. 

De Brasília (DF) a Cristalina (GO), os 133 quilômetros foram percorridos sob ar abafado, muito calor e nuvens ameaçadoras na minha vertical. 

Almoço no Posto Corujão - 12 quilômetros à frente da entrada de Luziânia (GO).

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Pôr do Sol na chegada a Cristalina (GO), antes do aguaceiro. Foto: Fernando Mendes.

Na chegada à Cidade dos Cristais, uma bátega (aguaceiro) caiu sobre mim como cascata solta. Raios e clarões de relâmpagos à roda. Vento lateral desequilibrando a bike. 

E assim foram os 33 quilômetros finais até alcançar o Hotel Sonho Verde, às margens da BR - 050. Cheguei em segurança. Merecida ceia e merecido descanso. Foz do Iguaçu (PR) a 1.574 quilômetros.


2º dia

16/03/2024

Hotel Sonho Verde (GO) 

a Campo Alegre de Goiás (GO)

79 km



Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Após noite tempestuosa, o raiar do dia aconteceu com céu limpo, cheio de Sol e nuvens com formas indefinidas. O calor começou a ser sentido nas primeiras pedaladas, ininterruptas por 20 quilômetros até o Posto Vereda Verde. Parada para hidratação. 

Meu termômetro portátil marcava 33°C. Senti que seria difícil - como de fato aconteceu - alcançar Catalão (GO) naquele dia. Minha intuição - infalível semáforo da alma - me disse: "se o bicho pegar, pare em Campo Alegre de Goiás", 59 quilômetros à frente. E assim fiz.

Ao completar 42 quilômetros percorridos, sob abrasadora canícula (calor muito forte), parada no Restaurante Paineira para almoço. 

Terminada a refeição, à semelhança de um bêbado numa mesa de bar, após ter tomados todas, abaixei minha cabeça sobre os braços cruzados e cochilei por uns 40 minutos, sob frondosa e refrescante sombra. Ao despertar, verifiquei o termômetro. Marcava 36°C. 

Os 39 quilômetros restantes para alcançar Campo Alegre de Goiás (GO) foram os mais penosos daquele segundo dia de viagem. Um calor demencial e vento contrário que, segundo a Escala de Beaufort, devia estar entre 29 e 38 km/h, classificado como "brisa forte". Sensação de pedalar e não sair do lugar. Minha intuição fez uma cesta de três pontos.

Com muita dificuldade, cheguei a Campo Alegre de Goiás (GO). Parada no Posto Xará, uma Coca-Cola, algumas paçocas e segui para o Hotel das Flores, localizado após o Portal de Entrada da área urbana daquele município goiano. 

Despertei de merecida siesta, saí para jantar, caminhei pelas ruas desertas da cidade pisando nas sombras dos galhos das árvores, que bailavam ao sabor de leve brisa sobre a calçada da avenida principal. 

O céu foi envolvido por grossas camadas de nuvens de base acinzentadas e a chuva caiu impiedosamente quando cheguei ao hotel.

Outra noite tempestuosa. Foz do Iguaçu (PR) a 1.495 quilômetros.

3º dia

17/03/2024

Campo Alegre de Goiás (GO) 

a Catalão (GO)

72 km



Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso:  17/06/2024.

Acordei com a chuva atingindo a vidraça do quarto com a força de uma artilharia. Menos mal, pois pedalar sob chuva não sentiria calor com tanta água a despencar sobre mim. Ledo engano. Após parcos 10 quilômetros percorrido desde a saída de Campo Alegre de Goiás (GO), parou de chover e um mormaço abrasador torrava a carcaça.

Parada no Posto Paulistano, lanche frugal e retorno à lida do pedal e à estrada, passando pela Praça de Pedágio de Campo Alegre de Goiás (GO) e despencando numa descida alucinante de três quilômetros, para encarar - em seguida - uma subida de igual quilometragem. 

A partir daquele ponto, a altimetria predominantemente plana, desde a saída de Campo Alegre de Goiás (GO), muda repentinamente, marcada por um sobe e desce intervalados por pequenos trechos planos. A temperatura batia os 34°C e o asfalto estava seco, mesmo após uma noite com muita chuva.

Alcancei Pires Belos (GO) - distrito de Catalão (GO) - na hora do almoço. Parada no Posto Pacheco para providencial almoço e reabastecimento das garrafas com água. Faltavam 37 quilômetros para chegar a Catalão (GO). 

O traçado, à semelhança de uma Montanha Russa, permaneceu até o fim da jornada daquele 17/03/2024.

Capela de São Sebastião, em Pires Belos (GO). Foto: Fernando Mendes.
Capela de São Sebastião, em Pires Belos (GO). Foto: Fernando Mendes.

Ao voltar à estrada, percebi na minha vertical, as temidas nuvens classificadas como Cb's, conhecidas por cumulonimbus [em latim] e acumulado de nuvens [em português], nuvens altas e escuras que chegaram com vontade e a chuva não se fez esperar.

Os cumulonimbus (Cb´s), animados por fortes correntes ascendentes, haviam se transformado em montanhas com alturas consideráveis (uns quatro quilômetros ou pouco mais acima do solo).

Rapidamente a base do Cb desceu. As centelhas elétricas limitaram-se a iluminar o interior dos cumulonimbus, retumbando na distância. O dia virou noite e os flashes dos relâmpagos comandavam a sinfonia das trovoadas.

Cheguei a Catalão (GO) quando os sinos da Igreja de São Francisco choravam no ar a Hora da Ave Maria. Estava ensopado e parecendo um pardal na chuva; a chuva que molhou minha saudade de casa.

Disponível em: <
https://diocesedeipameri.com.br/paroquias/regiaosul/paroquia-sao-francisco-de-assis/>. Acesso: 17/06/2024.

Estada no Hotel Champion, o mesmo de tantas outras jornadas de bike por aquelas paragens.

A passos fui jantar na pizzaria da Gula e depois cama.

Foz do Iguaçu (PR) a 1.423 quilômetros.


4º dia

18/03/2024

Catalão (GO) a Uberlândia (MG)

97 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Apesar da quilometragem daquele trecho não assustar, a etapa entre Catalão (GO) e Uberlândia (MG) é marcada pela presença de diversos vales fluviais, com descidas fortes, transposição das pontes sobre os rios da região e, a seguir, subidas cascudas, vencidas, uma por uma. 

A chuva, por meio dos seus arautos - os trovões -, me deu as boas-vindas ao atravessar a Ponte Wagner Estelitta, sobre o Rio Paranaíba que, naquele ponto, marca a divisa natural dos Estados de Goiás e de Minas Gerais.

Saída de Catalão (GO). Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Almoço no Restaurante do Baixinho, localizado sob a ponte e às margens do Paranaíba. Deliciosa refeição com file de tilápia, arroz, feijão e salada.

Terminado o almoço encarei uma ascensão de quatro quilômetros, dando início à química digestiva. 

Ascensão de quatro quilômetros após o almoço. Foto: Fernando Mendes.

Para alcançar o trevo de acesso a Patrocínio (MG), outra inclinação de respeito (quatro quilômetros) e, em seguida, uma descida alucinante de cinco quilômetros até transpassar a ponte sobre o Rio Jordão. 

Como acontece após descer até o fundo de um vale fluvial, veio a gigantesca subida da Serra de Araguari, com exatos 10 quilômetros de extensão, finalizados ao ingressar no perímetro urbano de Araguari (MG). A chuva deu uma trégua.

Foto: Fernando Mendes.

Parada no Posto Menegon. Estava desejoso de uma tigela de açaí. Nada feito. Fiquei no suco de goiaba e toquei em frente para percorrer os últimos 30 quilômetros daquele 4º dia de viagem, divididos da seguinte forma: 15 quilômetros de descida contínua até a ponte sobre o Rio Araguari e 15 quilômetros de subida única até o início do perímetro urbano de Uberlândia (MG), onde está o Posto Décio Buriti, com hotel anexo. Estada e jantar maravilhosos.

Rio Araguari, divisor natural dos municípios de Araguari (MG) e Uberlândia (MG).
Foto: Fernando Mendes.

Lavei a bike usando uma mangueira ao lado das bombas de combustíveis. Lubrifiquei a corrente com graxa branca e fui jantar. Na volta para o quarto, pude observar a Lua Crescente se esforçando para ficar visível em meio às nuvens densas e ameaçadoras.

Meu sono foi tão profundo que sequer escutei uma forte chuva que passou procedente do Alto Paranaíba em direção às áreas próximas à divisa dos Estado de Minas Gerais com o Estado de São Paulo, localizada no extremo oeste mineiro.

Foz do Iguaçu (PR) a 1.326 quilômetros.


5º dia

19/03/2024

Uberlândia (MG) a Uberaba (MG)

125 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Após farto café da manhã, deixei o Hotel Décio Buriti (homônimo do posto). Poucos quilômetros adiante, estava a pedalar pelo Anel Viário Ayrton Senna ou Contorno Leste/Norte de Uberlândia (MG), com 25 quilômetros de extensão, obra magnífica que  evita a travessia da área central de Uberlândia (MG), com trânsito confuso, intenso, repleto de trincheiras e sem acostamento, trecho perigosíssimo para ciclistas.

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

De volta à BR - 050, parada no Posto Décio Buriti II. Enquanto almoçava, observei através das janelas do restaurante nuvens cinzas e muito baixas, que caíam materialmente sobre a rodovia e não pressagiava nada de bom. O tempo ficou ameaçando chuva até as proximidades de Uberaba (MG). Felizmente, ficou na ameaça.

Fazendo valer do dinamismo que o tempo meteorológico é dotado, a ameaça de chuva cessou e, cúmplice, Alguém lá em cima limpou o firmamento, apresentando um pôr do Sol maravilhoso. Parei para contemplá-lo e fotografá-lo.

Pôr do Sol na chegada a Uberaba (MG). Foto: Fernando Mendes.

Pôr do Sol na chegada a Uberaba (MG). Foto: Fernando Mendes.

Pôr do Sol na chegada a Uberaba (MG). Foto: Fernando Mendes.

Estada em hotel anexo ao Graal Antares. Foi a primeira noite sem chuvas. A Lua Crescente pode ser visível em sua plenitude. O tempo dava sinais de melhoras. A ver no dia seguinte. Foz do Iguaçu (PR) a 1.201 quilômetros.

6º dia

20/03/2024

Uberaba (MG) a Ituverava (SP)

77 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Dia 20/03/2024, início do outono no Hemisfério Sul. Ao ingressar na BR - 050, na saída de Uberaba (MG), após excelente estada, observei o céu estendendo seus azuis do começo ao fim e tratando de varrer um par de nuvens perdidas. Que dia magnífico, mas ainda era cedo - umas 7h 40 - e o calor dava sinais inequívocos: "vou torrar sua carcaça"; e torrou. Àquela hora, 29°C.

Até a divisa MG/SP, percorri 30 quilômetros num traçado semelhante às corcovas dos camelos, até chegar à ponte sobre o Rio Grande, divisor natural dos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Naquele ponto, a BR - 050 passa à nomenclatura SP - 330 ou Rodovia Anhanguera.

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Rio Grande, divisor natural dos Estados de MG e SP. Foto: Fernando Mendes.

Parada para contemplar o lugar e registros fotográficos. De volta ao pedal, contínua subida com quatro quilômetros, sentindo a fornalha sendo acionada sob a bike. Um calor demencial. Sentia-me em local com o pior clima da Terra. Meu termômetro portátil marcava 33°C, mas a sensação térmica devia beirar os 40°C.

Almoço no Posto do Japão, cujo proprietário é gaúcho. Na volta à lida no pedal e à estrada, giro nonstop até o trevo de acesso a Ituverava (SP), ocasião na qual a roda traseira da bike ficou deveras empenada após passar por um catadióptrico, popularmente chamado de “tartaruga” ou “olho de gato”. 

Estando na entrada de uma cidade com boa infraestrutura, minha intuição me aconselhou a entrar em Ituverava (SP) e dar por encerrada a jornada daquele dia, que deveria se estender até Orlândia (SP). O reparo e Orlândia (SP) ficaram para o dia seguinte. 

Estada no Hotel Domus, na área central de Ituverava (SP). Enquanto aguardava o jantar, fiz uma pesquisa no Google acerca de "bicicletarias em Ituverava (SP)". A São João fica a dois quilômetros do hotel. Problema resolvido.

Foz do Iguaçu (PR) a 1.124 quilômetros.


7º dia

21/03/2024

Ituverava (SP) a Orlândia (SP)

48 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Após o café da manhã (pequeno almoço em Portugal) fui à bicicletaria, sendo muito bem atendido pelo proprietário, que também é mecânico. O reparo demorou bastante, sendo concluído próximo à hora do almoço. "tudo é bom quando acaba bem". William Shakespeare.

Como a distância entre Ituverava (SP) a Orlândia (SP) foi de apenas 48 quilômetros, almocei com dignidade e voltei à SP-330, percorrendo a curta distância em três horas, chegando a Orlândia (SP) no meio da tarde. Nada mal. Pude tirar uma soneca que durou até o crepúsculo vespertino.

Foto: Fernando Mendes.
Dia sem chuva e com calor abrasador. Às 14h, considerada pelos meteorologistas, é a hora mais quente do dia, a temperatura bateu 35°C.

Foz do Iguaçu (PR) a 1.076 quilômetros.


8º dia

22/03/2024

Orlândia (SP) a Jaboticabal (SP) 

110 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Dia infernal por conta do calor persistente e da distância de 110 quilômetros percorridos.

O Sol redondo e implacável, me observava do alto. À roda, canaviais a perder de vista. Tudo parecia um verde quieto. 

Canaviais a perder de vista. Foto: Fernando Mendes.

Ao passar por Jardinópolis (SP), monumental ponte ferroviária paralela à Rodovia Anhanguera (SP-330). 

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

No acesso à Sertãozinho - saída 321 -, que corresponde ao km 321, abandonei a Rodovia Anhanguera (SP-330) e ingressei na Rodovia Leonor Mendes de Barros (SP-333), que se estende por 451 quilômetros até alcançar a divisa SP/PR. 

Passei a pedalar por outro trecho à semelhança de uma Montanha-Russa. Precisava de um posto ou equivalente para almoçar e renovar abastecimento de água. Nada acontecia. Foram 15 quilômetros penosos, com goela seca e um calor inclemente. Meu termômetro portátil assinalava 36°C e a sensação térmica, decerto, batia acima dos 40°C. 

No acesso a Sertãozinho (SP), abandonei a SP-333 e segui por uma pista marginal que me levou ao Bairro Recreio dos Bandeirantes. Estava salvo. Um Posto BR com enorme loja de conveniência e repleta de víveres saciou minha fome e matou minha sede. O ar-condicionado aliviou brevemente o calor, que voltei a sentir ao retornar à SP 333. 

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Foram 40 quilômetros de sucessivos sobe e desce até chegar a Jaboticabal (SP). 

Estada no Hotel Paranoá, que serviu uma macarronada deliciosa na ceia.

Foz do Iguaçu (PR) a 966 quilômetros.


9º dia

23/03/2024

Jaboticabal (SP) a Itápolis (SP)

68 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Na saída de Jaboticabal (SP) há uma pequena e bem conservada mata, flanqueando ambos os lados da rua, que dá acesso à Rodovia SP-333. 

Uma zoeira me fez interromper as pedaladas. Silêncio das rodas para ouvir as cigarras e seus intermináveis gritos abrasadores, se misturando à fuzarca entre as maritacas, que pareciam chamar umas às outras, mas não se entendiam. Que espetáculo. 

Por conta do calor - na hora da saída estava infernal (30°C às 10h) - decidi pedalar até Itápolis (SP), 68 quilômetros à frente.

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Encerrados os primeiros e penosos 30 quilômetros - penosos pelo sobe e desce e pela ausência de pontos de apoio -, almoço em Taquaritinga (SP), pneu dianteiro furado quando voltei à bike e reparo demorado numa borracharia anexa ao restaurante. Duas horas entre almoçar e reparar a câmara de ar. 

No retorno à SP-333, o sobe e desce me pareceu ter ficado mais "espichado" e, por conta disso, associado ao calor abrasador, o ritmo das pedaladas foi caindo, a água acabando, nada de pontos de apoio, até visualizar uma placa indicando "Pesqueiro Guariroba". Um oásis salvador localizado na intersecção das Rodovias SP-333 e Washington Luís (SP-310). Alvíssaras.

Fiz uma pausa no pedal por uns 30 minutos, me refrescando à sombra de uma enorme figueira branca, enquanto bebia uma Coca-Cola e degustava algumas paçocas de rolha. Precisava de açúcar na veia. Consultei meu termômetro portátil. Marcava 37°C. Eram 15h 30. Faltavam 28 quilômetros para Itápolis (SP), alcançada às 17h. A Coca-Cola e as paçocas deram um gás a mais.

A chegada a Itápolis (SP) aconteceu às 17h. Antes de fazer check-in na estalagem, fui à Igreja Matriz do Divino Espírito Santo para fotos. 

Igreja Matriz do Divino Espírito Santo. Foto: Fernando Mendes.
Igreja Matriz do Divino Espírito Santo. Foto: Fernando Mendes.

Jantar maravilhoso, a noite foi tranquila, silenciosa, garantindo sono reparador, com o ambiente arrefecido por aparelho de ar-condicionado potente.

Foz do Iguaçu (PR) a 898 quilômetros. 


10º dia

24/03/2024

Itápolis (SP) a Borborema (SP)

39 km



Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Foi o dia mais quente desde a saída de Brasília (DF). Acordei tarde, quase perdi o café do hotel e quando retornei à lida do pedal, o GPS de pulso marcava 11h e a temperatura estava em 36°C. 

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Decidi não forçar e pedalei apenas 39 quilômetros até a recôndita (desconhecida) Borborema (SP). Chegando, almocei e senti que o calor me derrotara. 

Ao invés de tomar o rumo da saída da cidade, tomei o rumo ao Hotel Reday. Banho gelado e ar-condicionado amenizaram deveras o calor. Cochilo reparador e saída à noite para jantar num restaurante japonês. 

As ruas localizadas no bairro Jardim Ouro Verde, onde fica o Hotel Reday, são escassamente iluminadas, porém a Lua quase cheia - faltava um dia - iluminava o caminho pelas vias desertas e silenciosas.

Cheguei à metade do caminho. Foz do Iguaçu (PR) a 859 quilômetros.


11º dia

25/03/2024

Borborema (SP) a Marília (SP)

120 km



Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Céu de brigadeiro na saída rumo a Marília (SP), permanecendo assim até o ocaso (pôr do Sol). 

No 20° quilômetro, transpassei os 2,5 quilômetros da ponte sobre o Rio Tietê, que liga a margem direita (Borborema SP) à margem esquerda (Novo Horizonte SP). 

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Almoço no mezanino do Posto "O Imperador", visualizando pequena porção dos 356 km2 de área alagada, que deram origem à UHE (Usina Hidrelétricas de Promissão ou Mário Lopes Leão). 

Foto: Fernando Mendes.

45 quilômetros à frente, parada rápida na recôndita (desconhecida) Guarantã (SP), que me pareceu ser um lugar no qual tudo transcorre como de hábito: sem transcorrer. Ou seja, lugar escasso de horizontes e novidades.

Quando o Sol foi para o Japão, acionei um par de faróis presos ao guidão da bike, subi a serra que antecede o perímetro urbano de Marília (SP) e fui cortando a escuridão, como a proa de um navio que avança mar adentro

Cheguei a Marília (SP) quando a Lua Cheia se erguia do horizonte oriental, rodeada por fiapos de nuvens. 

O Hotel Leatis fica às margens da SP-333, evitando, dessa forma, enfrentar a busca por hospedagem em cidade tão grande e desconhecida para mim.

Foz do Iguaçu (PR) a 675 quilômetros.


12º dia

26/03/2024

Marília (SP) a Assis (SP)

82 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Saída após o almoço (às 14h 15) devido a perrengues com a bike. Trecho com altimetria menos severa ao longo do trajeto. 

Escassos pontos de apoio, mas as temperaturas permaneceram civilizadas, garantido um pedal com boa média. O entardecer aconteceu quando faltavam 10 quilômetros para a chegada a Assis (SP). O céu parecia em chamas.


Foto: Fernando Mendes.

Hospedagem no Hotel Vintage. Estada maravilhosa. Os proprietários (marido e esposa) foram muito atenciosos e ficaram surpresos quando relatei minha aventura.

Foz do Iguaçu (PR) a 657 quilômetros.

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.


13º dia

27/03/2024

Assis (SP) a Sertanópolis (PR)

88 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Na saída de Assis (SP), ao iniciar o 13º dia de jornada, o vento dava sinais de mudança no tempo. Ficou na ameaça. 

Após os 23 quilômetros iniciais, almoço em Tarumã (SP) e, a seguir, 29 quilômetros pedalados nonstop, chegando à Ponte sobre o Rio Paranapanema, que assinala a divisa natural entre os Estados de São Paulo e do Paraná. Parada prolongada para fotos.

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Faltavam 36 quilômetros para alcançar Sertanópolis (PR). Pedalava por terras paranaenses e em ambos os lados do caminho muitos bovinos; alguns mugiam, enquanto outros mastigavam capim em abundância.

Após 4 horas de pedal forte, Sertanópolis (PR) apareceu com uma profusão de casas baixas, alguns poucos edifícios emoldurados por um entardecer roseado.

Estada no Hotel Sertanópolis, bastante simples, mas limpo e confortável. Ao abrir a janela do quarto, me deparei com centenas de andorinhas pousadas na fiação elétrica da rua. Vi tamanha concentração de aves no filme "Os Pássaros", de Alfred Hitchcock, mas eram corvos e não andorinhas. Quando uma moto com escapamento adulterado passou, fazendo estridente barulho, as aves bateram em revoada. Que espetáculo.

Foz do Iguaçu (PR) a 569 quilômetros.

14º dia

28/03/2024

Sertanópolis (PR) 

a Apucarana (PR)

85 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Quinta-Feira, Véspera de Semana Santa e o movimento de veículos aumentava exponencialmente. A maior parte do trajeto – uns 75% – foram percorridos em subidas, ora longas, ora muito longas.

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Foi dia de atravessar ou transpassar cidades grandes do Meio-Oeste paranaense: Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas até alcançar Apucarana. Ficam muito próximas umas das outras devido ao crescimento horizontal, unindo-as espacialmente, fazendo desaparecer os limites físicos entre elas. 

À exceção das placas de sinalização na rodovia, que indicam as respectivas divisas, fica difícil saber a localização de forma visual. É o fenômeno da conurbação, ou seja, a união por meio do crescimento horizontal entre sítios (lugares) próximos, a ponto de os limites físicos desaparecerem.

O trajeto pela BR - 369 foi feito em pista simples, com movimento frenético de veículos, muitos conduzidos por motoristas apressados e, por extensão, imprudentes. Pedalava sem a afobação, não brigava com as subidas longas, que foram sendo vencidas tranquilamente.

Às 17h 20 estava fazendo check-in no Hotel Palace, a poucos metros da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, localizada na Praça Ruy Barbosa, em Sertanópolis (PR).

Depois de deliciosa pizza, fiz várias fotos noturnas da igreja.

Igreja Nossa Senhora de Lourdes. Foto: Fernando Mendes.
Igreja Nossa Senhora de Lourdes. Foto: Fernando Mendes.
Igreja Nossa Senhora de Lourdes. Foto: Fernando Mendes.

Igreja Nossa Senhora de Lourdes. Foto: Fernando Mendes.

À medida que o mês de março avançava, o calor abrasador dos primeiros dias de viagem foi se arrefecendo, pois, a área tropical do Brasil ficou para trás.

Foz do Iguaçu (PR) a 484 quilômetros. 


15º dia

29/03/2024

Apucarana (PR) a 

Engenheiro Beltrão (PR)

115 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Sexta-Feira da Paixão. Felizmente as temperaturas estavam civilizadas. Viva o Brasil subtropical. 

Mesmo naquela que é considerada a hora mais quente do dia - 14h -, a temperatura não ultrapassou 27°C. Melhor dos mundos. O trecho foi percorrido sob imenso céu azul cerúleo e com poucas nuvens, sem formas definidas. O repasto (almoço) foi na cidade de Marialva (PR), a capital da uva fina.

 Dados mais recentes do IBGE apontam que o município de Marialva (PR), localizado no Noroeste do Estado, conhecido como a Capital da Uva Fina, foi responsável por 10,5% da produção da fruta no Paraná em 2021, o equivalente a R$ 23,5 milhões movimentados.

A combinação das condições ambientais na região, a tecnologia adotada e a diferenciação da qualidade das uvas finas de mesa produzidas foram determinantes para o reconhecimento e reputação nacional desses produtos, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 

A detentora do registro é a Associação Norte Noroeste Paranaense dos Fruticultores (Anfrut), que representa cooperativas e produtores de uvas de mesa da Região de Marialva (PR).

Disponível em: < https://www.aen.pr.gov.br/Noticia/Indicacao-Geografica-reforca-vocacao-de-Marialva-como-maior-produtora-de-uvas-do-Parana>. Acesso: 17/06/2024.

Foto: Fernando Mendes.

De volta à estrada, rapidamente cheguei ao anel rodoviário que contorna a cidade de Maringá (PR), bastante movimentado e atenção às placas indicando a direção de Engenheiro Beltrão (PR). 

Findo esse trecho movimentadíssimo, passei pelo Aeroporto Regional de Maringá (PR) e segui pela BR-317 por 60 quilômetros, com asfalto novo e movimento intenso numa Sexta-Feira Santa.

A chegada a Engenheiro Beltrão (PR) aconteceu quando o Sol acabara de baixar no horizonte ocidental, deixando o firmamento multicolorido.

Estada no Hotel Vitória Régia e dificuldade para encontrar um estabelecimento aberto, pois era feriado santo e o comércio, em geral, fecha as portas. Felizmente, nas proximidades do Vitória Régia, o Armazém Gourmet estava de portas abertas. Alvíssaras.

Antes de me deitar, fui à varanda do quarto contemplar a Lua Cheia, em seu quarto dia, estando com 19% da superfície sem iluminação. Céu estrelado, prenúncio de tempo firme para o dia seguinte.

Foz do Iguaçu (PR) a 387 quilômetros, distância inferior ao trecho entre Rio de Janeiro e São Paulo, que é de 402 quilômetros.


16º dia

30/03/2024

Engenheiro Beltrão (PR)

a Campo Mourão (PR)

34 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Engenheiro Beltrão e o Hotel Vitória Régia foram diminuindo de tamanho vistos pelo retrovisor da bike. 

Eram 9h de uma manhã esplêndida para começar a viagem. Céu de brigadeiro e sem nuvens. Nada de vento e temperatura em suáveis 23ºC. O melhor dos mundos.

Após poucos quilômetros percorridos - talvez uns 10 -, o pneu traseiro foi atingido por um prego de dimensões marcantes. Esvaziou tão rápido quanto o piscar de olhos. 

Abri a bolsa de "primeiros socorros" que trago à cautela.

Retirei os alforjes presos ao bagageiro, o retrovisor preso ao guidão, virei a bike de cabeça para baixo, saquei a roda traseira e fiz a substituição da câmara de ar, colocando a última que tinha no estoque. Não poderia continuar sem "estepe". 

Encontrei a solução parando na cidade de Campo Mourão (PR), distante 24 quilômetros à frente do local no qual o pneu furou. 

Foto: Fernando Mendes.

Cidade enorme e com boa infraestrutura. Decerto encontraria uma bicicletaria, compraria umas três câmaras de ar e seguiria adiante. Mas era sábado e o tempo gasto na troca de pneu consumiu um bom tempo. 

O comércio fechando geral por volta do meio-dia e eu precisando encontrar uma bicicletaria para comprar as câmaras de ar reservas. Até aquele momento, o resultado brilhava pela ausência.

Após um périplo de quase uma hora pela área central da cidade, consegui comprar três câmaras de ar na bicicletaria "Dois Irmãos", que estava baixando as portas quando cheguei.

Ao parar para almoçar, a minha intuição - repetindo - infalível semáforo da alma - me orientou a não seguir viagem, pois percorrer os 116 quilômetros restantes, saindo àquela (14h), minha chegada à recôndita Ubiratã (PR), se daria por volta das 21h. 

Com vulnerabilidade, versatilidade e sapiência, trunfos que conquistei ao longo de 24 anos viajando de bike pelo Brasil, decidi ficar em Campo Mourão (PR) e prosseguir viagem para Ubiratã (PR) no dia seguinte, no Domingo de Páscoa, 31/03/2024. 

E assim, com tranquilidade deixei a continuação da jornada para o dia seguinte. Minha intuição fez outro gol de placa.

Acomodei-me no Piacentini Palace Hotel, localizado na área central e próximo à Pizzaria Fornetto, na minha opinião a melhor num raio de 200 quilômetros.

Foz do Iguaçu (PR) a 335 quilômetros.


17º dia

31/03/2024

Campo Mourão (PR) 

a Ubiratã (PR)

116 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

A saída de Campo Mourão (PR) é feita pelo Anel Rodoviário, evitando, dessa forma, atravessar uma área urbana extensa e muito movimentada. 

Porém, a cidade está localizada no Vale do Rio Campo. Para sair, tome subida pela proa, com baixa inclinação, mas que se estendeu por exatos 11 quilômetros e findou defronte ao Posto GP. 

Parada para hidratação.

Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Naquele Domingo de Páscoa, o tempo manteve-se bom e o céu permaneceu limpo do orto solar (nascer do Sol) ao ocaso (pôr do Sol). 

O trânsito estava frenético por conta do retorno após o feriado prolongado da Semana Santa. Movimento intenso na BR-369 em ambas as direções.

Trecho escasso em pontos de apoio, mas às 15 horas, um pouco além da hora do almoço, no Posto GP Grande Parada, me alimentei com dignidade. 

Voltei a pedalar às 16h. À medida que o Sol batia em retirada rumo ao poente, o movimento na rodovia se intensificava, mas cheguei bem a Ubiratã (PR), acolhido pela noite, com firmamento estrelado.

Check-in no Hotel Cilico, excelente estada, jantar maravilhoso e noite repleta de sono.

Foz do Iguaçu (PR) a 219 quilômetros.


18º dia

01/04/2024

Ubiratã (PR) a Cascavel (PR)

91 km



Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

Ao descer para o café da manhã, uma visão do inferno: ambos os pneus da bike estavam esvaziados. Quase chorei. Decerto foram atingidos por materiais pontiagudos próximo a chegada e murcharam lentamente durante a noite. 

Respirei, tomei o café da manhã e me neguei a realizar aquela tarefa insana de virar a bike de cabeça para baixo e etc.

Na recepção me indicaram o endereço da Bicicletaria Central, a dois quilômetros do Hotel Cilico. Arrumei meus haveres e fui empurrando a bike. O serviço demorou, pois, havia um mecânico e quatro pessoas na fila à espera para atendimento. Paciência, como quase tudo na vida.

Foram utilizadas duas das três câmaras de ar que comprei em Campo Mourão (PR) há dois dias. Restou um “estepe”. Comprei duas câmaras e voltei a ter três sobressalentes. 

Uma vez mais, a fortuna pôs-se ao meu lado. 

Quando a bike ficou pronta para seguir viagem, era hora do almoço e 91 quilômetros a vencer me aguardavam. Melhor fazer essa tarefa bem alimentado.

Às 13 h, a simpática Ubiratã (PR) ficou para trás, ingressei na BR-369, cuja altimetria é quase 100% em ascensão, que passa de leve à moderada à medida que Cascavel (PR) aproxima-se. Portanto foi necessário pedalar com constância e parar rapidamente, estratégia que rendeu bom resultado ao ingressar no Posto Avenida, em Corbélia (PR), quando o GPS de pulso, que devorava os dígitos, marcava 55 quilômetros percorridos nonstop em três horas e meia. Nada mal para os meus 64 anos na carcaça.

Faltavam 36 quilômetros para Cascavel (PR), trecho com ascensão contínua e discreto ângulo de subida. 

Com uma réstia de luz natural no Oeste, entrei em Cascavel (PR) pela Avenida Corbélia e sofri para chegar ao Hotel Plaza Garden, localizada no ponto oposto à entrada da cidade. 

O GPS do celular não se entendia com os nomes das ruas, errava mais do que acertava, mas consegui chegar em segurança. Àquela altura dos acontecimentos, o manto da noite havia envolvido a cidade. Eram 19h.

O Hotel Plaza Garden foi o segundo estabelecimento, ao longo da viagem, que ofereceu jantar. Sendo assim, não foi preciso ir à rua à caça de víveres.

O meu Everest pessoal estava a um dia de ser conquistado. Agradeci em silêncio antes de me deitar e dormir o sono dos justos. 

Foz do Iguaçu (PR) a 128 km.


19º dia

02/04/2024

Cascavel (PR) 

a Foz do Iguaçu (PR)

128 km


Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
 Acesso: 17/06/2024.

O último dia do Pedal das Cataratas amanheceu com uma névoa alvadia encobrindo tudo à roda. Impossível sair sob aquelas condições desfavoráveis quanto à visibilidade. Não me restou alternativa senão esperar.

A BR-277, rodovia que "nasce" em Paranaguá (PR) e "morre" em Foz do Iguaçu (PR), apresentava naquela manhã - suspeito que nas demais manhãs - trânsito pesado, com pontos de retenção. Com a visibilidade reduzida, a coisa complicou.

Fiquei por uns 40 minutos parado, na pista marginal, aguardando, enquanto via o disco solar através da névoa. Podia olhá-lo sem ferir meus olhos devido à densidade do nevoeiro. Foi questão de saber esperar, como quase tudo na vida.

Quando o Sol mostrou quem manda no firmamento, a névoa alvadia foi se dispersando e a visibilidade tornou-se segura para iniciar a jornada.


Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Passava das 9h quando dei as primeiras pedaladas no último dia de viagem. 

Parada no Auto Posto Quebra Galho, em Santa Teresa do Oeste (PR),18 quilômetros à frente de Cascavel (PR). Eram 10h 30. A altimetria se apresentou, até aquele ponto, predominantemente plana. 

Renovei a água das duas garrafas que levo presas ao quadro da bike e bati em retirada rumo à pequena Céu Azul (PR), 28 quilômetros adiante. 

Pausa para almoço, ao meio-dia, no Posto Central. Refeição deliciosa e volta à lida do pedal sem tardança, uma vez que Foz do Iguaçu (PR) estava a 82 quilômetros. "O tempo não para no porto, não apita na curva e não espera ninguém". Trecho da canção "O Tempo", de Reginaldo Bessa, ano de 1978.

A partir de Céu Azul (PR), a altimetria até o ponto final, em Foz do Iguaçu (PR), é quase toda em descenso contínuo e os 82 quilômetros derradeiros foram cumpridos em cinco horas, chegando às cercanias de Foz do Iguaçu (PR) com o pôr do Sol, que considerei ser uma homenagem ao término da minha aventura.

Meu Everest pessoal foi escalado, alcançado e conquistado.


Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

Após um périplo pelas movimentadas ruas de Foz do Iguaçu (PR), cheguei ao Che Lagarto Hostel, localizado no Bairro Vila Paraguaia, próximo à área central.

Valeu cada quilômetro pedalado, dos 1.740, entre Brasília (DF) e Foz do Iguaçu (PR).


20º dia

03/04/2024

Passeios pelo Parque 

das Cataratas do Iguaçu (PR)

48 km


Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
A Guerreira. Foto: Fernando Mendes.

21º dia

04/04/2024

Passeios Paraguai

e Marco das 3 Fronteiras (PR)

30 km


Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.
Foto: Fernando Mendes.

22º dia

05/04/2024

Retorno para casa. 

30 horas modorrentas 

de viagem rodoviária.

1.609 km



Foto: Fernando Mendes.

Antônio Fernando Mendes, 64 anos, Professor de Geografia e Geógrafo.

Obrigado pela leitura.



Comentários

  1. Excelente relato! Inimaginável pedalar tantas "corcovas de camelo". De fato um ciclista e tanto!

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  2. Eu não canso de dizer o quanto admiro sua escrita. A riqueza de detalhes, a forma como você descreve cada trecho, leva o leitor a viajar junto. Você realmente é gigante em tudo que faz! Todo meu respeito e carinho. J.M.R

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    1. J.M.R. obrigado pelas palavras de reconhecimento, com tons carinhosos. Tudo que faço, de viajar de bike ao relacionamento familiar, tento ser o melhor que posso, dando o meu melhor.

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