Pedal das Cataratas. Viagem de Bike de Brasília (DF) a Foz do Iguaçu (PR). Outono 2024.
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PEDAL DAS
CATARATAS |
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DE BRASÍLIA (DF) A FOZ DO IGUAÇU (PR) 1.740 km |


BRASÍLIA (DF) A FOZ DO IGUAÇU (PR) – 1. 740 km | |||
DATAS | TRECHOS | KM | ∑ (*) |
15/03/2024 | Brasília a Sonho Verde (GO) | 166 | 166 |
16/03/2024 | Sonho Verde (GO) a Campo Alegre (GO) | 79 | 245 |
17/03/2024 | Campo Alegre (GO) a Catalão (GO) | 72 | 317 |
18/03/2024 | Catalão (GO) a Uberlândia (MG) | 97 | 414 |
19/03/2024 | Uberlândia (MG) a Uberaba (MG) | 125 | 539 |
20/03/2024 | Uberaba (MG) a Ituverava (SP) | 77 | 616 |
21/03/2024 | Ituverava (SP) a Orlândia (SP) | 48 | 664 |
22/03/2024 | Orlândia (SP) a Jaboticabal (SP) | 110 | 774 |
23/03/2024 | Jaboticabal (SP) a Itápolis (SP) | 68 | 842 |
24/03/2024 | Itápolis (SP) a Borborema (SP) | 39 | 881 |
25/03/2024 | Borborema (SP) a Marília (SP) | 120 | 1.001 |
26/03/2024 | Marília (SP) a Assis (SP) | 82 | 1.083 |
27/03/2024 | Assis (SP) a Sertanópolis (PR) | 88 | 1.171 |
28/03/2024 | Sertanópolis (PR) a Apucarana (PR) | 85 | 1.256 |
29/03/2024 | Apucarana (PR) a Eng. Beltrão (PR) | 115 | 1.371 |
30/03/2024 | Eng. Beltrão (PR) a Campo Mourão (PR) | 34 | 1.405 |
31/03/2024 | Campo Mourão (PR) a Ubiratã (PR) | 116 | 1.521 |
01/04/2024 | Ubiratã (PR) a Cascavel (PR) | 91 | 1.612 |
02/04/2024 | Cascavel (PR) a Foz do Iguaçu (PR) | 128 | 1.740 |
MÉDIA: 91,5 km/dia | TOTAL 1.740 km | ||
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15/03/2024 |
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1º dia |
Brasília (DF) ao Hotel Sonho Verde
(GO) |
166 km |
Do ponto de vista meteorológico, o tempo apresentava-se radiante. O vivo escarlate daquela manhã de15 de março de 2024, pressagiava um dia radiante.
O comportamento das imprevisíveis inclemências atmosféricas, ao longo dos 166 quilômetros a percorrer, no primeiro dia da aventura, poderiam trazer surpresas. A ver.
Nos primeiros quilômetros, meu coração, a pleno rendimento, revelava ritmo sinusal, ou seja, indicação de batimentos saudáveis.
De Brasília (DF) a Cristalina (GO), os 133 quilômetros foram percorridos sob ar abafado, muito calor e nuvens ameaçadoras na minha vertical.
Almoço no Posto Corujão - 12 quilômetros à frente da entrada de Luziânia (GO).

Na chegada à Cidade dos Cristais, uma bátega (aguaceiro) caiu sobre mim como cascata solta. Raios e clarões de relâmpagos à roda. Vento lateral desequilibrando a bike.
E assim foram os 33 quilômetros finais até alcançar o Hotel Sonho Verde, às margens da BR - 050.
Cheguei em segurança. Merecida ceia e merecido descanso. Foz do Iguaçu (PR) a 1.574 quilômetros.
16/03/2024 | ||
2º dia | Hotel Sonho Verde (GO) a Campo Alegre
(GO) | 79 km |
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17/03/2024 |
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3º dia |
Campo Alegre (GO) a Catalão (GO) |
72 km |
Acordei com a chuva atingindo a vidraça do quarto com a força de uma artilharia. Menos mal, pois pedalar sob chuva não sentiria calor com tanta água a despencar sobre mim. Ledo engano.
Após parcos 10 quilômetros percorrido, desde a saída de Campo Alegre de Goiás (GO), o céu de chuva, que deixei para trás em Campo Alegre (GO), ia timidamente abrindo clareiras pelas quais espreitava um abrasador mormaço tropical, torrando a carcaça.
Percorridos 20 quilômetros, parada no Posto Paulistano, lanche frugal e retorno à lida do pedal e à estrada, passando pela Praça de Pedágio de Campo Alegre de Goiás (GO) e despencando numa descida alucinante de três quilômetros, para encarar - em seguida - uma subida de igual quilometragem.
A partir daquele ponto, a altimetria predominantemente plana, desde a saída de Campo Alegre de Goiás (GO), mudou repentinamente, marcada por um sobe e desce, intervalados por pequenos trechos planos.
A temperatura batia os 34°C e o asfalto estava seco, mesmo após uma noite com muita chuva.
Alcancei Pires Belo (GO) - distrito de Catalão (GO) - na hora do almoço.
Parada no Posto Pacheco para providencial refeição e reabastecimento das garrafas com água. Faltavam 37 quilômetros para chegar a Catalão (GO).
O traçado, à semelhança de uma Montanha Russa, permaneceu até o fim da jornada daquele 17/03/2024.

Observei o céu. O Sol começou a aparecer e desaparecer, intervalado por uma densa e interminável frente nebulosa.
E
as imprevisíveis inclemências atmosféricas - que não se fazem anunciar no longo
prazo -, rapidamente mudaram o tempo, com a mesma rapidez na troca de pneus no
box da Fórmula 1.
A tempestade se anunciava à média distância, com trovões e o inconfundível odor de terra molhada, trazido pelo vento pertinaz (persistente).
Àquela altura dos acontecimentos, a chuva era tão certa quanto os boletos que vencem no dia 5.
Percebi, na minha vertical, as temidas nuvens classificadas como Cb's, conhecidas por cumulonimbus [em latim] e acumulado de nuvens [em português], nuvens altas e escuras.
Os cúmulos-nimbos estavam à vista e espalhavam-se rapidamente à roda. Parei para admirá-lo por baixo. Apresentavam-se negros e altos, como montanhas, com a típica, clássica e singular forma de bigorna em suas zonas superiores.
São acompanhados [os Cb] de ventos intensos, granizo, fenômenos elétricos e congelamento.
Representam perigo maior à navegação aérea em relação às navegações terrestres e marítimas.
Em 31/05/2009, condições meteorológicas análogas às enfrentadas nesse trecho - Campo Alegre de Goiás (GO) a Catalão (GO) - derrubaram o Airbus A 330-203, da companhia francesa Air France - voo AF 447-, que fazia a rota Rio - Paris.
Disponível em:
<https://https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/21/acidente-com-voo-rio-paris-da-air-france-matou-228-pessoas-em-2009-relembre.ghtml>. Acesso: 17/04/2024.
Enquanto avançava pela madrugada sobre o
Atlântico, cruzando a imensidão negra que separa os dois continentes, as
condições meteorológicas se deterioravam, expondo a aeronave à umidade e a
baixas temperaturas existentes em elevadas altitudes. A combinação de umidade com baixa temperatura gerou os
cristais de gelo, levando ao entupimento dos tubos de pitot, um
medidor indireto de velocidade que, bloqueado pelo gelo, forneceu informações
errôneas quanto à velocidade e à altitude da aeronave. Deu-se o que chamamos na
aviação de consciência situacional. Ou seja, os pilotos não sabem
se o avião está subindo ou descendo. Disponível em: <https://hangarmma.com.br/blog/sistema-pitot-estatico/>. Acesso: 17/04/2024. Com o entupimento dos tubos de pitot, os indicativos de altitude e velocidade deixaram de ser coerentes e, num átimo, o piloto automático desarmou. No entanto, o avião continuou voando manualmente, sendo possível aos pilotos manter a dirigibilidade, embora a tripulação não conseguisse entender a que velocidade realmente se encontrava o A 330, tanto para baixo, quanto para cima. Naquelas condições, o controle da aeronave está nas mãos dos pilotos, que se viram diante de um cenário desconhecido: interpretar o que acontecia e aplicar os ajustes necessários para continuação do voo. Mas por que os pilotos não tiveram condições de pilotar o A 330? Simples: eles não foram treinados para tal situação! Caso a tripulação de cabine não tivesse feito nada e deixado o avião simplesmente voar, nenhum problema teria sido notado, pois o A 330 continuaria na altitude de cruzeiro (nível de voo 350, ou seja, 35 mil pés de altitude ou aproximadamente 11.500 m acima das águas do Atlântico). Em meio à escuridão, os cérebros dos pilotos, privados de referências visuais externas, entraram em conflito com aquilo que os instrumentos mostravam (falta de clareza quanto à velocidade e à altitude, devido aos tubos de pitot entupidos de gelo), gerando o fenômeno bastante conhecido na aviação: a desorientação espacial. Faltavam poucos minutos para a queda do A 330. O tripulante sentado à direita, executou um
comando indevido, puxando o sidestick para trás, aumentando
em dez graus a elevação do nariz - o procedimento padrão é de cinco graus. Dez graus de inclinação é o usual para decolagem. O que aconteceu nos minutos seguintes produziu a fatalidade: o nariz do avião - a dez graus de inclinação - estava ligeiramente para cima, foi quando se deu o stall (perda de sustentação) ou estol, em português. Em três minutos e meio, o A 330 passou de 11.500 m de altitude para o nível do mar. A velocidade de descida foi similar a um jato de
caça. Não houve tempo para mais nada. A tripulação do AF 447 não conseguiu recuperar a sustentação e o choque com as águas do Atlântico ocorreu a 820 quilômetros após a vertical (passagem sobre) do Arquipélago de Fernando de Noronha (PE). Disponível em: <https://extra.globo.com/noticias/rio/voo-447-rio-paris-justica-francesa-ditara-em-17-de-abril-sentenca-sobre-acidente-25623289.html? Somente em condições de perda de velocidade um Airbus estola. Do contrário, jamais o A 330 entraria em estol. O AF 447 estava sob condições que jamais foram experimentadas, testadas, registradas. Os únicos que viveram tal situação, estão mortos. As 228 almas a bordo de 33 nacionalidades (216 passageiros e 12 tripulantes) vieram a óbito. Somente 51 corpos foram resgatados. O congelamento dos tubos de Pitot - localizados no nariz da aeronave - resultaram em leituras incorretas acerca da velocidade e da altitude do Airbus, reveladas após investigações do B.E.A, órgão de investigação de acidentes aéreos da França, correspondente ao CENIPA no Brasil. Posteriormente, e por pressão dos pilotos, a Air France trocou todos os sensores de velocidade (tubos de pitot) nos modelos A 330 e A 340. Em bom português: "depois da casa arrombada,
reforça-se a fechadura". "Passaram-se 6 dias para encontrar os
primeiros destroços do Airbus A 330-203, bem como o primeiro corpo. O último
corpo foi localizado no 17 º dia das buscas. A distância entre a primeira vítima encontrada (6º dia) e a última (17º dia) foi de 185 quilômetros". Silvio Monteiro. Silvio Monteiro é piloto e chefe da Divisão de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira à época da tragédia com o voo AF - 447. É considerado o maior acidente aéreo brasileiro, pois aconteceu em águas territoriais do País. As duas caixas-pretas foram localizadas, a 4 mil metros de profundidade, quase dois anos após a queda da aeronave; a primeira em 01/05/2011 e a segunda em 03/05/2011, respectivamente. Ao custo de 60 milhões de dólares, o robô subaquático Remora 6000, um tipo de R.O.V. (Remotely Operated Vehicle), que navega até 6 mil metros de profundidade, foi o responsável por encontrar o chassi das duas caixas-pretas do voo AF 447 da Air France. Em abril de 2023, 14 anos após a tragédia, a justiça francesa, apesar de listar os erros da Airbus e da Air France, sentenciou: "Houve erros de fato, mas não há provas de ligações entre os erros e o acidente". "Não há certeza, há uma forte probabilidade." "Então, como não há certeza, eu [a juíza] absolvo a Airbus e a Air France". Não é somete a justiça brasileira que é difícil de entender. ATUALIZAÇÃO Após 17 anos desse sinistro, Air France e a Airbus foram condenadas por homicídio culposo pelo acidente aéreo de 31/05/2009, que matou 228 pessoas a bordo de um voo entre o Rio de Janeiro e Paris. A decisão foi divulgada em 21/05/2026. O Tribunal de Apelações de Paris considerou a
companhia aérea (Air France), bem como a fabricante da aeronave (Airbus),
culpadas de homicídio culposo corporativo (quando não há intenção de matar)
pela queda do avião no Oceano Atlântico, a 820 quilômetros após a vertical
(passagem sobre) do Arquipélago de Fernando de Noronha (PE). Um outro tribunal francês havia absolvido as duas empresas em julgamento realizado em abril de 2023 — mas agora elas foram consideradas culpadas após este recurso. O Airbus A330 desapareceu dos radares durante uma tempestade, e seus destroços foram encontrados após uma longa busca em uma área de 10 mil km2 do fundo do mar. Disponível em:<:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwy2wz97gjyo>. Acesso: 21/05/2026. |
Na minha vertical, os cumulonimbus (Cb´s), animados por fortes correntes ascendentes, transformaram-se em montanhas com alturas consideráveis (uns quatro quilômetros ou pouco mais acima do solo).
Rapidamente a base do Cb desceu. As centelhas elétricas limitaram-se a iluminar o interior das cumulonmbus, retumbando na distância. O dia virou noite e os flashes dos relâmpagos, que festejavam a tempestade, comandavam a sinfonia das trovoadas. Uma visão inolvidável (difícil de esquecer).
A base das nuvens havia baixado consideravelmente - talvez uns 600 metros - e espessos jatos do Cb precipitaram-se para o solo em forma de negras cortinas de água, que chegaram com vontade e a chuva - acompanhada de pedras de granizo, à semelhança de goiabas, - não se fez esperar.
Quando cheguei a Catalão (GO), o vento havia varrido a tempestade, mas, no céu, ainda se viam escuras e ameaçadoras nuvens e o distante e apagado troar
dos cumulonmbus. Essa chuva molhou minha saudade de casa.
O crepúsculo vespertino se anunciou lentamente, chamado pela voz dos sinos da Igreja de São Francisco, que choravam no ar a Hora da Ave Maria. Eram 18h, a Hora do Ângelus.
Estada no Hotel Champion, o mesmo de tantas outras jornadas de bike por aquelas paragens.
Ao sair para jantar, a Lua Crescente surgiu em intervalos entre as compactas nuvens. A passos fui jantar na pizzaria da Gula e depois.... cama.
Foz do Iguaçu (PR) a 1.423 quilômetros.
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18/03/2024 |
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4º dia |
Catalão (GO) a Uberlândia (MG) |
97 km |

Apesar da quilometragem daquele trecho não assustar - parcos 100 km -, a etapa entre Catalão (GO) e Uberlândia (MG) é marcada pela presença de diversos vales fluviais, com descidas fortes, transposição das pontes sobre os rios da região e, a seguir, subidas cascudas, vencidas uma após a outra.
Fonte: Meu Wikiloc.Disponível em: <https://pt.wikiloc.com/trilhas-ciclismo/catalao-go-a-uberlandia-mg-posto-do-decio-km-61-158917104>. Acesso: 17/04/2024.
A chuva, por meio dos seus arautos - os trovões -, me deu as boas-vindas ao atravessar a Ponte Wagner Estelitta, sobre o Rio Paranaíba que, naquele ponto, marca a divisa natural dos Estados de Goiás e de Minas Gerais.


Disponível em: < https://www.badiinho.com.br/com-finalizacao-das-obras-de-reforco-e-alargamento-ponte-wagner-estelita-campos-na-divisa-de-goias-com-minas-gerais-esta-com-dois-lados-liberados/>. Acesso: 02/02/82023.
Almoço no Restaurante Tucunaré, localizado após a travessia da ponte sobre o Rio Paranaíba.
Deliciosa refeição com file de tilápia, arroz, feijão e salada. Tive companhia durante a refeição.
Terminado o almoço encarei uma ascensão de quatro quilômetros, dando início à química digestiva.
Para alcançar o trevo de acesso a Patrocínio (MG), outra inclinação de respeito (quatro quilômetros) e, em seguida, uma descida alucinante de cinco quilômetros, até transpassar a ponte sobre o Rio Jordão.
Como acontece após descer até o fundo de um vale fluvial, veio a gigantesca subida da Serra de Araguari, com exatos 10 quilômetros de extensão, finalizados ao ingressar no perímetro urbano de Araguari (MG). A chuva deu uma trégua.

Parada no Posto Menegon. Estava desejoso de uma tigela de açaí. Nada feito.
Fiquei no suco de goiaba e toquei em frente para percorrer os últimos 30 quilômetros daquele 4º dia de viagem, divididos da seguinte forma: 15 quilômetros de descida contínua, até a ponte sobre o Rio Araguari (*) e 15 quilômetros de subida única, até o início do perímetro urbano de Uberlândia (MG), onde está o Posto Décio Buriti (km 61 da BR - 050), com hotel anexo. Estada e jantar maravilhosos.
(*) Atualização: em 2012, o trecho entre a divisa GO/MG - sob administração da Concessionária ECO 050 - foi plenamente asfaltado até a divisa MG/SP, etapa com 207 km de extensão e a ponte sobre o Rio Araguari foi duplicada. Foto abaixo.
Disponível em: https://www.badiinho.com.br/concessionaria-eco050-celebra-uma-decada-com-mais-de-200-quilometros-de-duplicacao-na-br-050-e-com-investimentos-bilionarios/. Acesso: 09/01/2024.

Na verdade, a região é formada por 35 municípios. (*)
Ei-los na tabela e mapa que se seguem.
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(*) OS 35 MUNICÍPIOS DO TRIÂNGULO MINEIRO IBGE - 2022 |
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MUNICÍPIO |
POPULAÇÃO |
MUNICÍPIO |
POPULAÇÃO |
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1. Água Comprida |
2.108 |
22. Ituiutaba |
102.207 |
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2. Araguari |
117.808 |
23. Iturama |
38.295 |
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3. Araporã |
8.479 |
24. Limeira do Oeste |
8.687 |
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4.Cachoeira Dourada |
2.315 |
25. M. Alegre de MG |
20.170 |
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5. Campina Verde |
18.011 |
26. Pirajuba |
5.537 |
|
6. Campo Florido |
8.466 |
27. Planura |
11.145 |
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7. Canápolis |
10.608 |
28. Prata |
28.342 |
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8. Capinópolis |
14.655 |
29. Santa Vitória |
20.973 |
|
9. Carneirinho |
9.422 |
30. São Fco. de Sales |
5.732 |
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10. Cascalho Rico |
2.712 |
31. Tupaciguara |
24.470 |
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11. Centralina |
10.207 |
32. Uberaba |
377.846 |
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12.Comdor. Gomes |
2.773 |
33. Uberlândia |
713.232 |
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13. C. das Alagoas |
28.381 |
34. União de Minas |
3.828 |
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14. Conquista |
6.694 |
35. Veríssimo |
3.411 |
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15. Delta |
10.494 |
Total: 35 municípios e 1.718.957 habitantes |
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16. Fronteira |
14.533 |
Disponível em:<
https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-pr-470-de-28-de-junho-de-2023-493169747>. Acesso: 20/05/2026. ÁREA: 53.719 KM². O gentílico para quem nasce em um dos
35 municípios do Triângulo Mieiro é TRIANGOLINO. |
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17. Frutal |
58.588 |
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18. Gurinhatã |
5.192 |
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19. Indianópolis |
6.171 |
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20. Ipiaçu |
3.775 |
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21. Itapagipe |
13.690 |
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"Antes de adquirir a sua atual configuração, o Triângulo Mineiro fazia parte da região do Alto Paranaíba".
"O reordenamento das regiões, promovido pelo IBGE na década de 1990, fez com que essa área fosse dividida em duas, de onde surgiu, então, o Triângulo Mineiro."
Lavei a bike usando uma mangueira ao lado das bombas de combustíveis. Lubrifiquei a corrente com graxa branca e fui jantar.
Na volta para o quarto, observei a Lua Crescente se esforçando para ficar visível em meio às nuvens densas e ameaçadoras.
Meu sono foi tão profundo que sequer escutei uma forte chuva que passou procedente do Alto Paranaíba em direção às áreas próximas à divisa dos Estado de Minas Gerais e São Paulo, localizada no extremo oeste mineiro.
Foz do Iguaçu (PR) a 1.326 quilômetros.
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19/03/2024 |
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5º dia |
Uberlândia (MG) a Uberaba (MG) |
125 km |
Fonte: Meu Wikiloc. Disponível em: https://pt.wikiloc.com/trilhas-ciclismo/custodio-pereira-uberaba-159077568. Acesso: 17/04/2024.
Após farto café da manhã, deixei o Hotel Décio Buriti (homônimo do posto).
Poucos quilômetros adiante, estava a pedalar pelo Anel Viário Ayrton Senna ou Contorno Leste/Norte de Uberlândia (MG), com 25 quilômetros de extensão, que evita a travessia da área central de Uberlândia (MG), com trânsito confuso, intenso, repleto de trincheiras e sem acostamento. TRECHO PERIGOSÍSSIMO PARA CICLISTAS.




Após percorrer placidamente os 25 quilômetros de extensão do Anel Viário Ayrton Senna ou Contorno Leste/Norte de Uberlândia (MG), voltei a pedalar pela BR - 050 e, cinco quilômetros à frente, parada no Posto Décio Buriti II. Hora da boia.
Enquanto almoçava, visualizei, através das janelas do restaurante, nuvens cinzas e muito baixas, que caíam materialmente sobre a rodovia e não pressagiavam nada de bom.
O tempo ficou ameaçando chuva até as proximidades de Uberaba (MG). Felizmente, ficou na ameaça.
Fazendo valer do dinamismo que o tempo meteorológico é dotado, a ameaça de chuva cessou e, cúmplice, Alguém, lá em cima, limpou o firmamento, apresentando um pôr do Sol maravilhoso. Parei para contemplá-lo e fotografá-lo.

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20/03/2024 |
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6º dia |
Uberaba (MG) a Ituverava (SP) |
77 km |


Dia 20/03/2024, início do outono no Hemisfério Sul e da primavera no Hemisfério Norte.
Ao ingressar na BR - 050, na saída de Uberaba (MG), após excelente estada, observei o céu estendendo seus azuis do começo ao fim e tratando de varrer um par de nuvens perdidas. Que dia magnífico, mas ainda era cedo - umas 7h 40 - e o calor dava sinais inequívocos: "vou torrar sua carcaça"; e torrou. Àquela hora, 29°C.
Até a divisa MG/SP, percorri 30 quilômetros, num traçado semelhante às corcovas dos camelos, até chegar à ponte sobre o Rio Grande, divisor natural dos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Naquele ponto, a BR - 050 passa à nomenclatura SP - 330 ou Rodovia Anhanguera.

Parada para contemplar o lugar e registros fotográficos. De volta ao pedal, contínua subida com quatro quilômetros, sentindo a fornalha sendo acionada sob a bike.
Um calor demencial e aquele Sol estival (próprio do Verão - embora estivéssemos no início do outono), cada vez mais alto e impiedoso.
Meu termômetro portátil marcava 33°C, mas a sensação térmica devia beirar os 40°C. Foi como presenciar minha cremação, sentindo-me em local com o pior clima da Terra.
Almoço no Posto do Japão, cujo proprietário é gaúcho.
Na volta à lida no pedal e à estrada, giro nonstop até o trevo de acesso a Ituverava (SP), ocasião na qual a roda traseira da bike ficou deveras empenada após passar por um catadióptrico, popularmente chamado de “tartaruga” ou “olho de gato”.
Estando na entrada de uma cidade com boa infraestrutura, minha intuição me aconselhou a entrar em Ituverava (SP) e dar por encerrada a jornada daquele dia, que deveria se estender até Orlândia (SP), assentada 48 quilômetros adiante.
O reparo da roda empenada e Orlândia (SP) ficaram para o dia seguinte. A cautela se impôs e a prudência é minha bússola.
Estada no Hotel Domus, na área central de Ituverava (SP).
Enquanto aguardava o jantar, fiz uma pesquisa no Google acerca de "bicicletarias em Ituverava (SP)". A São João fica a dois quilômetros do hotel. Problema resolvido.
Foz do Iguaçu (PR) a 1.124 quilômetros.
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21/03/2024 |
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7º dia |
Ituverava (SP) a Orlândia (SP) |
48 km |

Como a distância entre Ituverava (SP) a Orlândia (SP) foi de apenas 48 quilômetros, almocei com dignidade e voltei à SP-330, percorrendo a curta distância em três horas, chegando a Orlândia (SP) no meio da tarde. Nada mal. Pude tirar uma soneca até o crepúsculo vespertino.
Foz do Iguaçu (PR) a 1.076 quilômetros.
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22/03/2024 |
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8º dia |
Ituverava (SP) a Jaboticabal (SP) |
110 km |
Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.
Acesso: 17/04/2024.
Dia infernal por conta do calor persistente e da distância de 110 quilômetros percorridos.
O Sol redondo e implacável me observava do alto.
À roda, canaviais a perder de vista. Tudo parecia um verde quieto.
Em Jardinópolis (SP), a monumental ponte ferroviária, paralela à Rodovia Anhanguera (SP-330), passou no través leste.
No acesso à Sertãozinho - saída 321 -, que corresponde ao km 321, abandonei a Rodovia Anhanguera (SP-330) e ingressei na Rodovia Leonor Mendes de Barros (SP-333), que se estende, por 392 quilômetros, até alcançar a divisa SP/PR.
Passei a pedalar por outro trecho à semelhança de uma Montanha-Russa.
Precisava de um posto ou equivalente para almoçar e renovar abastecimento de água. Nada acontecia.
Foram 15 quilômetros penosos, com goela seca e um calor inclemente.
Meu termômetro portátil assinalava 36°C e a sensação térmica, decerto, batia acima dos 40°C.
No acesso a Sertãozinho (SP), abandonei a SP-333 e segui por uma pista marginal, que me levou ao Bairro Recreio dos Bandeirantes. Estava salvo.
Um Posto BR, com enorme loja de conveniência e repleta de víveres, saciou minha fome e matou minha sede.
O ar-condicionado aliviou brevemente o calor, que voltei a sentir ao retornar à SP-333.
Foram 40 quilômetros de sucessivos sobe e desce até chegar a Jaboticabal (SP).
Estada no Hotel Paranoá, que serviu uma macarronada deliciosa na ceia.
Foz do Iguaçu (PR) a 966 quilômetros.
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23/03/2024 |
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9º dia |
Jaboticabal (SP) a Itápolis (SP) |
68 km |
Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.Na saída de Jaboticabal (SP) há uma pequena e bem conservada mata, flanqueando ambos os lados da rua, que dá acesso à Rodovia SP-333.
Uma zoeira me fez interromper as pedaladas. Silêncio das rodas para ouvir as cigarras e seus intermináveis gritos abrasadores, se misturando à fuzarca entre as maritacas, que pareciam chamar umas às outras, mas não se entendiam. Que espetáculo.
Por conta do mormaço - na hora da saída [às 10h] a temperatura estava em infernais 30°C -, decidi pedalar até Itápolis (SP), 68 quilômetros à frente.
Sentia-me esmagado pelo calor.

Encerrados os primeiros e penosos 30 quilômetros - penosos pelo sobe e desce e pela ausência de pontos de apoio -, almoço em Taquaritinga (SP), pneu dianteiro furado quando voltei à bike e reparo demorado numa borracharia anexa ao restaurante. Duas horas entre almoçar e reparar a câmara de ar.
No retorno à SP-333, o sobe e desce me pareceu ter ficado mais "espichado" e, por conta disso, associado ao calor inclemente, o ritmo das pedaladas foi caindo, a água acabando, nada de pontos de apoio, até visualizar uma placa indicando "Pesqueiro Guariroba". Um oásis localizado na intersecção das Rodovias SP-333 e Washington Luís (SP-310). Alvíssaras.
Fiz uma pausa no pedal por uns 30 minutos, me refrescando à sombra de uma enorme figueira branca, enquanto bebia uma Coca-Cola e degustava algumas paçocas de rolha. Precisava de açúcar na veia.
Consultei meu termômetro portátil. Marcava 37°C. Eram 15h 30. Faltavam 28 quilômetros para Itápolis (SP), alcançada às 17h. A Coca-Cola e as paçocas deram um gás a mais.
A chegada a Itápolis (SP) aconteceu às 17h.
Antes de fazer check-in na estalagem, fui à Igreja Matriz do Divino Espírito Santo para fotos.


Jantar maravilhoso, noite tranquila, silenciosa, garantindo sono reparador, com o ambiente arrefecido por aparelho de ar-condicionado potente.
Foz do Iguaçu (PR) a 898 quilômetros.
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24/03/2024 |
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10º dia |
Itápolis (SP) a Borborema (SP) |
39 km |
Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.Ao retomar à lida do pedal, o GPS de pulso marcava 11h e a
temperatura estava em 36°C.



Decidi não forçar e pedalei apenas 39 quilômetros até a recôndita (desconhecida) Borborema (SP). Chegando, almocei e senti que o calor me derrotara.
Ao invés de tomar o rumo da saída da cidade, tomei o rumo ao Hotel Reday. Banho gelado e ar-condicionado amenizaram deveras o calor. Cochilo reparador e saída à noite para jantar num restaurante japonês.
As ruas localizadas no bairro Jardim Ouro Verde, onde fica o Hotel Reday, são escassamente iluminadas, porém a Lua quase cheia - faltava um dia - iluminava o caminho pelas vias desertas e silenciosas.
Cheguei à metade do caminho. Foz do Iguaçu (PR) a 859 quilômetros.
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25/03/2024 |
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11º dia |
Borborema (SP) a Marília (SP) |
120 km |
Céu de brigadeiro na saída rumo a Marília (SP), permanecendo assim até o ocaso (pôr do Sol).
No 20° quilômetro, transpassei os 2,5 quilômetros da ponte sobre o Rio Tietê, que liga a margem direita (Borborema SP) à margem esquerda (Novo Horizonte SP).

Almoço no mezanino do Posto "O Imperador", visualizando pequena porção dos 356 km2 de área alagada, que deram origem à UHE (Usina Hidrelétricas de Promissão ou Mário Lopes Leão).
45 quilômetros à frente, parada rápida na incógnita Guarantã (SP), que me pareceu ser um lugar no qual tudo transcorre como de hábito: sem transcorrer.
Lugar escasso de horizontes e novidades.
Quando o Sol foi para o Japão, acionei um par de faróis presos ao guidão da bike, subi a serra que antecede o perímetro urbano de Marília (SP) e fui cortando a escuridão, à semelhança da proa de um navio, que avança mar adentro.
Cheguei a Marília (SP) quando a Lua Cheia se erguia do horizonte oriental, rodeada por fiapos de nuvens.
O Hotel Leatis fica às margens da SP-333, evitando, dessa forma, enfrentar a busca por hospedagem em cidade tão grande e desconhecida para mim.
Foz do Iguaçu (PR) a 675 quilômetros.
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26/03/2024 |
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12º dia |
Marília (SP) a Assis (SP) |
82 km |
Saída após o almoço (às 14h 15) devido a perrengues com a bike.
Trecho com altimetria menos severa ao longo do trajeto.
Escassos pontos de apoio, mas as temperaturas permaneceram civilizadas, garantido um pedal com boa média.
O entardecer aconteceu quando faltavam 10 quilômetros para a chegada a Assis (SP).
O céu parecia em chamas.
Hospedagem no Hotel Vintage. Estada maravilhosa.
Os proprietários (marido e esposa) foram muito atenciosos e ficaram surpresos quando relatei minha aventura.
Foz do Iguaçu (PR) a 657 quilômetros.
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27/03/2024 |
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13º dia |
Assis (SP) a Sertanópolis (PR) |
88 km |
Na saída de Assis (SP), ao iniciar o 13º dia de jornada, o vento dava sinais de mudança no tempo. Ficou na ameaça.
Após os 23 quilômetros iniciais, almoço em Tarumã (SP) e, a seguir, 29 quilômetros pedalados nonstop (*), chegando à Ponte sobre o Rio Paranapanema, que assinala a divisa natural entre os Estados de São Paulo e do Paraná. Parada prolongada para fotos.
Daí adiante, a estrada atravessa um trecho plano, com 35 quilômetros de extensão.
(*) Embora a forma com hífen seja a oficial, a versão junta (nonstop) também é bastante aceita e utilizada, principalmente no inglês americano e em nomes comerciais.


Usinas Hidrelétricas de Canoas I (área alagada de 30, 85 km²) e Canoas II (área alagada de 22,5 km²), respectivamente. Dados: Operadora CGT Brasil.
Foto: Fernando Mendes.
Divisa SP/PR. Rio Paranapanema. Foto: Fernando
Mendes.
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28/03/2024 |
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14º dia |
Sertanópolis (PR) a Apucarana (PR) |
85 km |

Quinta-Feira, dia da Última Ceia, Véspera de Semana Santa e o movimento de veículos aumentava exponencialmente.
A maior parte do trajeto – uns 75% – foram percorridos
em subidas, ora longas, ora muito longas.


Foi dia de atravessar ou transpassar cidades grandes do Meio-Oeste paranaense: Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas até alcançar Apucarana. Ficam muito próximas umas das outras devido ao crescimento horizontal, unindo-as espacialmente, fazendo desaparecer os limites físicos entre elas.
À exceção das placas de sinalização na rodovia, que indicam as respectivas divisas, fica difícil saber a localização de forma visual. É o fenômeno da conurbação, ou seja, a união por meio do crescimento horizontal entre sítios (lugares) próximos, a ponto de os limites físicos desaparecerem.
O trajeto pela BR - 369 foi feito em pista simples, com movimento frenético de veículos, muitos conduzidos por motoristas apressados e, por extensão, imprudentes.
Pedalava sem a afobação, não brigava com as subidas longas, que foram sendo vencidas tranquilamente.
Às 17h 20 estava fazendo check-in no Hotel Palace, a poucos metros da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, localizada na Praça Ruy Barbosa, em Apucarana (PR).
Depois de deliciosa pizza, fiz várias fotos noturnas da igreja Nossa Senhora de Lourdes, em Apucarana (PR).
Uma beleza de cidade, com ruas limpas, trânsito civilizado, asfalto sem remendos e muita arborização.



À medida que o mês de março avançava, o calor abrasador dos primeiros dias de viagem foi se arrefecendo, pois a área tropical do Brasil ficou para trás.
Foz do Iguaçu (PR) a 484 quilômetros.
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29/03/2024 |
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15º dia |
Apucarana (PR) a Engenheiro Beltrão
(PR) |
115 km |
Sexta-Feira da Paixão. Felizmente as temperaturas estavam bem
comportadas e o trecho entre Apucarana (PR) e Engenheiro Beltrão (PR) é,
majoritariamente, em descensos. Alvíssaras!
Mesmo naquela que é considerada a hora mais quente do dia - 14h -, a temperatura não ultrapassou 27°C. Melhor dos mundos.
O trecho foi
percorrido sob imenso céu azul cerúleo e com poucas nuvens, sem formas
definidas. O repasto (almoço) foi na cidade de Marialva (PR), a capital da uva
fina.
A combinação das condições ambientais na região, a tecnologia adotada e a diferenciação da qualidade das uvas finas de mesa produzidas foram determinantes para o reconhecimento e reputação nacional desses produtos, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
A detentora do registro é a Associação Norte
Noroeste Paranaense dos Fruticultores (Anfrut), que representa cooperativas e
produtores de uvas de mesa da Região de Marialva (PR).
Disponível em: < https://www.aen.pr.gov.br/Noticia/Indicacao-Geografica-reforca-vocacao-de-Marialva-como-maior-produtora-de-uvas-do-Parana>. Acesso: 17/04/2024.
De volta à estrada, rapidamente cheguei ao anel rodoviário que contorna a cidade de Maringá (PR), bastante movimentado e atenção às placas indicando a direção de Engenheiro Beltrão (PR).
Findo esse trecho movimentadíssimo, passei pelo Aeroporto Regional de Maringá (PR) e segui pela PR-317 por 60 quilômetros, com asfalto novo e movimento intenso naquela Sexta-Feira Santa.
A chegada a Engenheiro Beltrão (PR) aconteceu quando o Sol acabara de baixar no horizonte ocidental, deixando o firmamento multicolorido.
Estada no Hotel Vitória Régia e dificuldade para encontrar um estabelecimento aberto, pois era feriado santo e o comércio, em geral, fecha as portas.
Felizmente, nas proximidades do Vitória Régia, o Armazém Gourmet estava de portas abertas. O Sangue de Jesus tem Poder.
Antes de me deitar, fui à varanda do quarto contemplar a Lua Minguante, em seu segundo dia, estando com 81% da superfície iluminada. Céu estrelado, prenúncio de tempo firme para o dia seguinte.
Foz do Iguaçu (PR) a 387 quilômetros, distância inferior ao trecho entre Rio de Janeiro e São Paulo, que é de 402 quilômetros.
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30/03/2024 |
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16º dia |
Engenheiro Beltrão (PR) a Campo Mourão
(PR) |
34 km |

Engenheiro Beltrão (PR) e o Hotel Vitória Régia foram diminuindo de tamanho vistos pelo retrovisor da bike.
Eram 9h de uma manhã esplêndida para começar a viagem. Céu de brigadeiro e sem nuvens. Nada de vento e temperatura em suáveis 23°C. O melhor dos mundos.
Após poucos quilômetros percorridos - talvez uns 10 -, o pneu traseiro foi atingido por um prego de dimensões marcantes. Esvaziou tão rápido quanto o piscar de olhos.
Abri a bolsa de "primeiros socorros" que trago à cautela.
Retirei os alforjes presos ao bagageiro, o retrovisor preso ao guidão, virei a bike de cabeça para baixo, saquei a roda traseira e fiz a substituição da câmara de ar, colocando a última que tinha no estoque. Não poderia seguir viagem desapercebido, ou seja, desprevenido de "estepes".
Encontrei a solução parando na cidade de Campo Mourão (PR),
distante 24 quilômetros à frente do local no qual o pneu furou.
Cidade enorme e com boa infraestrutura. Decerto encontraria uma bicicletaria, compraria umas três câmaras de ar e seguiria adiante. Mas era sábado e o tempo gasto na troca de pneu consumiu minutos preciosos.
O comércio fechando geral por volta do meio-dia e eu precisando encontrar uma bicicletaria para comprar as câmaras de ar reservas. Até aquele momento, o resultado brilhava pela ausência.
Após um périplo de quase uma hora pela área central da cidade,
consegui comprar três câmaras de ar na bicicletaria "Dois Irmãos",
que estava baixando as portas quando cheguei.
Ao parar para almoçar, a minha intuição - repetindo - infalível semáforo da alma -, me orientou a não seguir viagem, pois, percorrer os 116 quilômetros restantes daquele dia, saindo àquela (14h), minha chegada à ignota Ubiratã (PR) se daria por volta das 21h.
Com vulnerabilidade, versatilidade e sapiência, trunfos que conquistei ao longo de 24 anos viajando de bike pelo Brasil, decidi ficar em Campo Mourão (PR) e prosseguir viagem para Ubiratã (PR) no dia seguinte, no Domingo de Páscoa, 31/03/2024.
E assim, com tranquilidade, deixei a continuação da jornada para o dia seguinte. Minha intuição fez outro gol de placa.
Acomodei-me no Piacentini Palace Hotel, localizado na área central e próximo à Pizzaria Fornetto, na minha opinião, a melhor num raio de 200 quilômetros.
Foz do Iguaçu (PR) a 335 quilômetros.
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31/03/2024 |
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17º dia |
Campo Mourão (PR) a Ubiratã (PR) |
116 km |
Porém, a cidade está localizada no Vale do Rio Campo. Para sair,
tome subida pela proa, com baixa inclinação, mas que se estendeu por exatos 11
quilômetros e findou no trevo de acesso à BR - 369. Cascavel (PR) e Foz do
Iguaçu (PR), à direita; Curitiba (PR), à esquerda.
No km 348, uns três quilômetros à frente do trevo de acesso à BR -
369, parada no Posto da PRF para hidratação. Na falta de um posto de
combustíveis, o posto policial foi a solução para "matar a sede",
expressão idiomática, dentre tantas em nossa rica língua portuguesa, igual a:
"dormir com as galinhas", "tirar o cavalinho da chuva",
"chutar o balde", "cair a ficha" "com a pulga atrás da
orelha", e por aí vai.



Naquele Domingo de Páscoa, o tempo manteve-se bom e o céu permaneceu limpo do orto solar (nascer do Sol) ao ocaso (pôr do Sol).
O trânsito estava frenético por conta do retorno após o feriado prolongado da Semana Santa. Movimento intenso na BR-369 em ambas as direções. Trecho escasso em pontos de apoio.
Às 15 horas, um pouco além da hora do almoço, no Posto GP Grande Parada, me alimentei com dignidade. Voltei a pedalar às 16h, dando início à química digestiva.
À medida que o Sol batia em retirada rumo ao poente, o movimento na rodovia se intensificava, mas cheguei bem a Ubiratã (PR), acolhido pela noite, com firmamento estrelado.
Check-in no Hotel Cilico, excelente estada, jantar maravilhoso e noite repleta de sono.
Foz do Iguaçu (PR) a 219 quilômetros.
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01/02/2024 |
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18º dia |
Ubiratã (PR) a Cascavel (PR) |
91 km |
Disponível em: <www.google.com.br/maps/dir/>.Ao descer para o café da manhã, uma visão do inferno: ambos os pneus da bike estavam esvaziados. Quase chorei. Decerto foram atingidos por materiais pontiagudos próximo à chegada e murcharam - lentamente - durante a noite.
Respirei, tomei o café da manhã e me neguei a
realizar aquela tarefa insana de virar a bike de cabeça para baixo e etc.
Na recepção me indicaram o endereço da Bicicletaria Central, a dois quilômetros do Hotel Cilico.
Arrumei meus haveres e fui empurrando a bike. O serviço demorou, pois, havia um mecânico e quatro pessoas na fila à espera para atendimento. Paciência, como quase tudo na vida.
Foram utilizadas duas das três câmaras de ar que comprei em Campo Mourão (PR) há dois dias. Restou um “estepe”. Comprei duas câmaras e voltei a ter três sobressalentes.
Uma vez mais, a fortuna pôs-se ao meu lado.
Quando a bike ficou pronta para seguir viagem, era hora do almoço e 91 quilômetros a vencer me aguardavam. Melhor fazer essa tarefa bem alimentado.
Às 13 h, a simpática Ubiratã (PR) ficou para trás, ingressei na BR-369, cuja altimetria é quase 100% em ascensão, que passa de leve à moderada, à medida que Cascavel (PR) aproxima-se.
Portanto, foi necessário pedalar com constância e parar rapidamente, estratégia que rendeu bom resultado ao ingressar no Posto Avenida, em Corbélia (PR), quando o GPS de pulso, que devorava os dígitos, marcava 55 quilômetros percorridos nonstop (ou non-stpo) em três horas e meia. Nada mal para os meus 64 anos na carcaça.
Faltavam 36 quilômetros para Cascavel (PR), trecho com ascensão contínua e discreto ângulo de subida.
Com uma réstia de luz natural no Oeste, entrei em Cascavel (PR) pela Avenida Corbélia e sofri para chegar ao Hotel Plaza Garden, localizada no ponto oposto à entrada da cidade.
O GPS do celular não se entendia com os nomes das ruas, errava mais do que acertava, mas consegui chegar em segurança.
Àquela altura dos acontecimentos, o manto da noite havia envolvido a cidade. Eram 19h.
O Hotel Plaza Garden foi o segundo estabelecimento, ao longo da viagem, que ofereceu jantar. Sendo assim, não foi preciso ir à rua à caça de víveres.
O meu Everest pessoal estava a um dia de ser conquistado.
Agradeci em silêncio antes de me deitar e dormir o sono dos justos.
Foz do Iguaçu (PR) a 128 km.
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02/02/2024 |
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19º dia |
Cascavel (PR) a Foz do Iguaçu (PR) |
128 km |
O último
dia do Pedal das Cataratas amanheceu com uma névoa alvadia (esbranquiçada) encobrindo tudo à
roda. Impossível sair sob aquelas condições desfavoráveis quanto à
visibilidade. Não me restou alternativa, senão esperar.
A BR-277, rodovia que "nasce" em Paranaguá (PR) e "morre" em Foz do Iguaçu (PR), apresentava, naquela manhã - suspeito que nas demais manhãs -, trânsito pesado, com pontos de retenção. Com a visibilidade reduzida, a coisa complicou.
Fiquei por uns 40 minutos parado, na pista marginal, aguardando, enquanto via o disco solar através da névoa. Podia olhá-lo sem ferir meus olhos, devido à densidade do nevoeiro. Novamente foi questão de saber esperar, como quase tudo na vida.
A situação, mais uma vez, era escassa em horizontes e novidades.
Quando o Sol mostrou quem manda no firmamento, a névoa alvadia foi se dispersando e a visibilidade tornou-se segura para iniciar a jornada.

Passava das 9h quando dei as primeiras pedaladas no último dia de
viagem.
Parada no Auto Posto Quebra Galho, em Santa Teresa do Oeste (PR),18 quilômetros à frente de Cascavel (PR). Eram 10h 30. A altimetria se apresentou, até aquele ponto, predominantemente plana.
Renovei a água das duas garrafas que levo presas ao quadro da bike e bati em retirada rumo à pequena Céu Azul (PR), 28 quilômetros adiante.
Pausa para almoço, ao meio-dia, no Posto Central. Refeição
deliciosa e volta à lida do pedal sem tardança, uma vez que Foz do Iguaçu (PR)
estava a 82 quilômetros. "O tempo não para no porto, não apita na curva
e não espera ninguém". Trecho da canção "O Tempo", de
Reginaldo Bessa, ano de 1974.
A partir de Céu Azul (PR), a altimetria, até o ponto final, em Foz
do Iguaçu (PR), é quase toda em descenso contínuo e os 82 quilômetros
derradeiros foram cumpridos em cinco horas, chegando às cercanias de Foz do
Iguaçu (PR) com belíssimo pôr do Sol, que considerei ser uma homenagem ao
término da minha aventura.
Meu Everest pessoal foi escalado, alcançado e conquistado.

Após um périplo pelas movimentadas ruas de Foz do Iguaçu (PR),
cheguei ao Che Lagarto Hostel, localizado no Bairro Vila Paraguaia, próximo à
área central.
Valeu cada quilômetro pedalado, dos 1.740, entre Brasília (DF) e Foz do Iguaçu (PR).
Chegar a Foz do Iguaçu (PR) foi diferente de qualquer chegada em
minhas outras tantas viagens de bike, iniciadas no ano 2000.
Não foi o fim de um trajeto. Foi a prova de que o impossível é apenas algo que ainda não tentamos.
Diante das Cataratas, senti gratidão pelo corpo que aguentou, pela mente que não desistiu e pelo Brasil imenso que me recebeu, pedalada por pedalada.
Essa viagem não ficou apenas nas estradas; ficou em mim.
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03/02/2024 |
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20º dia |
Passeios pelo Parque das Cataratas do
Iguaçu (PR) |
48 km |

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04/02/2024 |
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21º dia |
Passeios ao Paraguai e ao Marco das 3
Fronteiras (PR) |
30 km |

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05/02/2024 – Viagem de volta para
casa |
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22º dia |
30 horas modorrentas de viagem rodoviária.
Cheguei com currículo de sobrevivência em dia. |
1.609 km |

Foto:
Fernando Mendes.
Brasília, 17/04/2024.
Antônio Fernando Mendes - 64 anos.
Professor de Geografia e Geógrafo.
Obrigado pela leitura.







































































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