Viagem de Bike Aparecida (SP) a Brasília (DF). Verão 2016
VIAGEM DE BIKE
APARECIDA (SP) A BRASÍLIA (DF). VERÃO 2016
ATUALIZADO EM 2025
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APARECIDA (SP) A BRASÍLIA (DF) |
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DIA |
DATA |
TRECHOS |
KM/DIA |
∑ (*) |
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DOM |
10/01 |
Aparecida (SP) a Piquete (SP) |
34 km |
34 km |
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2ªf |
11/01 |
Piquete (SP) a Itajubá (MG) |
56 km |
90 km |
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3 ªf |
12/01 |
Itajubá (MG) a S. Rita do Sapucaí (MG) |
43 km |
133 km |
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4 ªf |
13/01 |
S. Rita do Sapucaí (MG) a Ipuiuna (MG) |
67 km |
200 km |
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5 ªf |
14/01 |
Ipuiuna (MG) a Poços de Caldas (MG) |
70 km |
270 km |
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6 ªf |
15/01 |
Poços de Caldas (MG) a Casa Branca (SP) |
86 km |
356 km |
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SAB |
16/01 |
Casa Branca (SP) a S. Rosa
de Viterbo (SP) |
60 km |
416 km |
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DOM |
17/01 |
S. Rosa de Viterbo (SP) a R. Preto (SP) |
69 km |
485 km |
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2 ªf |
18/01 |
Ribeirão Preto (SP) a Uberaba (MG) |
180 km |
665 km |
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3 ªf |
19/01 |
Uberaba (MG) a Uberlândia (MG) |
105 km |
770 km |
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4 ªf |
20/01 |
Uberlândia (MG) a Catalão (GO) |
109 km |
879 km |
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5 ªf |
21/01 |
Catalão (GO) a Sonho Verde (GO) |
153 km |
1.032 km |
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6 ªf |
22/01 |
Sonho Verde (GO) a Brasília (DF) |
166 km |
1.198 km |
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APARECIDA (SP) A BRASÍLIA (DF) |
1.205 km |
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1º dia |
10/01/2016 |
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Aparecida (SP) a Piquete (SP) |
34 km |
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Almocei no Graal Clube dos 500 e voltei à lida para cumprir os quilômetros que restavam até a saída 51 (que coincide com o km 51), onde está o acesso à BR - 459, que me levou às Terras Altas da Mantiqueira [outra vez], mas, desta feita, pedalando pela vertente oeste, em terras mineiras.
Os primeiros quilômetros pela BR - 459 foram percorridos em uma reta a perder de vista e a Mantiqueira, ao fundo, deu-me a exata noção da elevação contínua [19 km] para o dia seguinte.
Passei pelo acesso a Lorena (SP) e segui na proa de Piquete (SP), cidade na qual a rodovia inclina fortemente para cima. Parei para pernoite antes que a inclinação começasse. Pizza e cama.
Trecho entre Aparecida (SP) e Piquete (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Aparecida (SP) e Piquete (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Aparecida (SP) e Piquete (SP). Ao fundo, a Mantiqueira. Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Aparecida (SP) e Piquete (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Chegada a Piquete (SP). Foto: Fernando Mendes. |
2º dia | 11/01/2016 | |
Piquete (SP) a Itajubá (MG) | 56 km | |

Lá fora, as nuvens estavam pesadas, barrigudas e escuras. Verifico a previsão do tempo via celular: chuva para o dia todo. Homessa (*).
(*) Antiga interjeição originada da junção de 'homem + essa' (no sentido de quem diz "homem! essa agora..."). Tem o mesmo sentido de 'ora essa!', indicando que a pessoa está espantada ou intrigada com algo de que teve notícia. Também é grafada da forma "hom'essa".
Disponível em:<https://www.dicionarioinformal.com.br/omessa/>.
Acesso: 31/01/2016.
Deixei a pacata Piquete (SP) (644 m) às 11h. Voltei à BR-459 para subir [sem trégua] até a divisa SP/MG. Encarei uma ascensão de 781 m em 19 quilômetros. Nada mal.
A rodovia serpenteia a Mantiqueira. Algumas curvas têm 180º e, quanto mais subia, mais chovia e mais bela ficava a paisagem, apesar da névoa que se formava por conta de tanta umidade. Foi o trecho mais belo pelo qual pedalei desde o início da viagem, em 30/12/2015.
Quando cheguei à divisa SP/MG, o GPS marcava 1.425 m de altitude. Parei num restaurante para almoçar.
Na hora de partir, troquei a blusa ensopada por outra seca, com mangas compridas e vesti agasalho impermeável, o corta-vento, para encarar o restante da viagem.
Ventava muito e chovia demais. O termômetro portátil marcava 16°C, mas a sensação térmica devia beirar os 11°C.
Daquele ponto em diante, depois de atingir 1.425 m de altitude, a rodovia [BR - 459] tem descenso de 30 quilômetros até a entrada para Itajubá (MG), onde cheguei às 17h.
O casaco me aqueceu muito bem. Sentia-me um pardal [feliz] na chuva.
Itajubá significa pedra amarela em tupi.
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, subida da Serra da Mantiqueira rumo a Itajubá (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| Chegada a Itajubá (MG). Fernando Mendes. |
| Itajubá (MG). Fernando Mendes. |
| Itajubá (MG). Fernando Mendes. |
| Itajubá (MG). Fernando Mendes. |
| Itajubá (MG). Fernando Mendes. |
Itajubá (MG). Fernando Mendes.
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Poucos quilômetros naquele dia 12/01/2016 para muita chuva. Às 12h parti após delicioso almoço no Restaurante Casa Grande.
Ingressei na BR-459 e tomei a proa de Piranguinho (MG), nove quilômetros à frente. Trecho plano e acostamento da melhor qualidade.
Ao chegar à Capital Nacional do Pé de Moleque, parei num quiosque à beira da estrada para saborear a iguaria do local, acompanhada de delicioso café expresso. Foi quando desabou um dilúvio, que me acompanhou por 34 quilômetros até a entrada de Santa Rita do Sapucaí (MG).
Cheguei ao Vale da Eletrônica às 16h. Fui conhecer a Igreja local. Muito bela. Enquanto fotografava o templo por fora, fui abordado pelo Washington, DJ da Rádio local (104,9 MHz). Ele pediu permissão para me entrevistar. E assim foi feito. Falei acerca da empreitada, onde começou, onde terminará e outras coisas a mais sobre viajar de bike.
Foi um dia de poucas fotos em virtude de muita chuva. Uma chuva para lavar a alma. Se porventura sobraram ranços de 2015, foram-se.
| BR - 459, entre Itajubá (MG) e Santa Rita do Sapucaí (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, entre Itajubá (MG) e Santa Rita do Sapucaí (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459, entre Itajubá (MG) e Santa Rita do Sapucaí (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| Santa Rita do Sapucaí (MG). Igreja Matriz de Santa Rita. Foto: Fernando Mendes. |
| Igreja Matriz de Santa Rita do Sapucaí (MG). Foto: Fernando Mendes. |
4º dia | 13/01/2016 | |
Santa Rita do Sapucaí (MG) a Ipuiúna (MG) | 67 km | |

Deixei Santa Rita do Sapucaí (MG) por volta das 10h 30. O mormaço maçaricava a pele. Os primeiros 22 quilômetros até Pouso Alegre (MG) foram plácidos. Pedalei num vale cercado pela Mantiqueira. A Rodovia [BR 459] está um tapete e o acostamento também.
Às 12h almocei em Pouso Alegre (MG), no Restaurante Fernandão, às margens da Rodovia Fernão Dias (BR-381).
No retorno à lida do pedal, a chuva me deu as boas-vindas do dia. Começou em forma de garoa paulistana, mas logo engrossou e deu o tom para o resto do dia. Quando cheguei a Congonhal (MG), estava ensopado. Felizmente não sou de açúcar.
Após atravessar o perímetro urbano de Congonhal (MG), a rodovia corta um vale muito extenso, com gado pastando de ambos os lados da estrada.
Muito verde e belas fazendas leiteiras. À medida que avançava, a Serra do Cervo, subgrupo da Mantiqueira, se engrandecia à minha frente.
Passada a Ponte sobre o Rio Cervo, a chuva engrossou. Uma placa indicou "trecho de serra nos próximos 12 quilômetros", com faixa adicional para veículos lentos [e aí eu me incluí].
Quando a subida começou, consultei o GPS de pulso. Estava na cota 853 m.
O traçado da estrada foi ficando íngreme, com curvas de 180º e aquele serpentear clássico de trechos sinuosos. Quando atingi a cota 1.266 m, parei no Mirante da Pedra. Trata-se de um enorme penedo no meio do caminho, com escada de metal para que a vista lá do alto seja contemplada. Algumas fotos e segui.
Mais subidas pela proa até atingir a cota 1.324 m. Naquele ponto, a faixa adicional acabou e veio uma descida animal de dois quilômetros até chegar ao acesso à cidade de Ipuiúna (MG), a terra da batata.
Sentia os ossos molhados. Hospedei-me num excelente Hotel Fazenda.
A baixa do dia ficou por conta de duas trocas de câmaras de ar furadas, mas nada que me tirasse o bom humor.
| Pouso Alegre (MG). BR - 381 (Rodovia Fernão Dias). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Santa Rita do Sapucaí (MG) e Ipuiúna (MG). Foto: Fernando Mendes.
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Parti de Ipuiúna (MG) após o almoço. Eram 13h. Chovia moderadamente. Assim que engrenei nas pedaladas, a chuva veio para não me deixar sozinho.
Os primeiros 21 quilômetros foram fáceis, com trechos planos intervalados por curvas bem abertas. As formações da Mantiqueira mostravam seus contornos mais rugosos e um brilho de chuva. Estava coberta por nuvens baixas, que pareciam lambê-la. O gado e a passarada estavam felizes com tanta água caindo.
No 22º quilômetro veio o aviso: "aclive acentuado nos próximos seis quilômetros". Um morrinho com 200 m de ascensão para quebrar a monotonia. No topo, a 1.291 m, outra placa indicava declive acentuado de dois quilômetros à frente.
Cheguei ao trevo de Caldas (MG). Parei para degustar deliciosos pastéis caseiros e fotografar os gatinhos do estabelecimento. A senhora que me serviu avisou-me: "antes de Poços de Caldas, ocê vai subir mais um morrim". Não tive outra opção, uma vez que esse "morrim" estava no meu caminho.
E tome subida, justamente quando a chuva caiu com a força, como se uma imensa tampa fosse aberta, deixando enorme volume de água a cair sobre mim. E veio acompanhada de forte vento lateral.
Às 17h 45, o dia havia virado noite. Quanto mais subia, mais as nuvens baixas, repletas de umidade, encobriam o caminho.
Finalmente, às 18h 03, com 22°C, cheguei a Poços de Caldas (MG), última cidade mineira do trajeto.
BR - 459 entre Ipuiuna (MG) e Poços de Caldas (MG). Foto: Fernando Mendes. |
BR - 459 entre Ipuiuna (MG) e Poços de Caldas (MG). Foto: Fernando Mendes. |
BR - 459 entre Ipuiuna (MG) e Poços de Caldas (MG). Foto: Fernando Mendes. |
BR - 459 entre Ipuiuna (MG) e Poços de Caldas (MG). Foto: Fernando Mendes. |
BR - 459 entre Ipuiuna (MG) e Poços de Caldas (MG). Foto: Fernando Mendes. |
BR - 459 entre Ipuiuna (MG) e Poços de Caldas (MG). Foto: Fernando Mendes. |
6º dia | 15/01/2016 | |
Poços de Caldas (MG) a Casa Branca (SP) | 86 km | |
Choveu à larga até o amanhecer. Depois de farto café da manhã no Hotel Joia, preferi partir a ficar.
Às 11h deixei Poços de Caldas (MG) sob chuva moderada. Mas quando o perímetro urbano cedeu lugar à Rodovia BR- 267, o aguaceiro caiu com vontade; pingos grossos e vento com rajadas laterais.
Às 13h cheguei à divisa MG/SP. Mudou o estado, mudou a qualidade [para melhor] da estrada. Rodovia SP-342, sob concessão e duplicada.
Parei para experienciar delicioso almoço. Tirei a blusa ensopada, coloquei uma seca e vesti casaco corta-vento.
Daquele ponto em diante, começou a descida [14 km] de uma serra que me levou à cidade de Águas da Prata (SP). Não suportaria tal descida sem casaco. Fazia frio e a bátega era intensa.
Em Águas da Prata (SP), parada para bebericar delicioso café expresso, comer uma barra doce de leite e seguir. Terminada a merenda, avante!
Passei por São João da Boa Vista (SP) e tomei a proa de Vargem Grande do Sul (SP). A chuva não dava trégua.
Naquele trecho, a bátega ficou mais intensa, igual quando estamos dentro de um automóvel e o limpador do para-brisa não dá conta de tanta água. Às 16h, anoiteceu. E o dilúvio, inclemente.
Em Vargem Grande do Sul (SP) parei num posto BR. Um senhor ofereceu me levar de caminhonete até Casa Branca (SP). Agradeci e disse que "o meu objetivo era pedalar".
Às 18h 30, Casa Branca (SP) foi alcançada. Desde o início da jornada, em 30/12/2015, não pegava uma bátega tão intensa e tão duradoura. Choveu, sem tréguas, de Poços de Caldas (MG) a Casa Branca (SP).
Foram 86 quilômetros percorridos em 9 horas, com carga d'água ininterrupta.
BR - 459 entre Poços de Caldas (MG) e a divisa MG/SP. Foto: Fernando Mendes. |
| BR - 459 entre Poços de Caldas (MG) e a divisa MG/SP. Foto: Fernando Mendes. |
| Portal de Poços de Caldas (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| Divisa MG/SP. Foto: Fernando Mendes. |
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| Trecho entre Poços de Caldas (MG) e Águas da Prata (SP). Foto: Fernando Mendes. |
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| Estação Ferroviária de Águas da Prata (SP). Foto: Fernando Mendes. |
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Águas da Prata (SP). Foto: Fernando Mendes. |
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Chegada a Casa Branca (SP). Foto: Fernando Mendes.
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Foi um pedal seco [alvíssaras] e silencioso, com 70 quilômetros. Seco porque a chuva não deu as caras e silencioso por conta da estrada pouco movimentada e com um trecho em leito natural, o mais belo do dia.
Na saída de Casa Branca (SP), optei por um caminho alternativo, para fugir da movimentada rodovia estadual.
A estrada é flanqueada por eucaliptos que parecem atingir o céu. O tempo estava abafado, mas o sombreamento arrefeceu a temperatura.
A oito quilômetros de Tambaú (SP), o asfalto cedeu lugar à terra. Passei por várias chácaras e sítios (não sei a diferença) em região na qual a passarada comanda os sons, junto com mugidos bovinos que vinham de todos os pontos cardeais.
Havia muita lama no caminho, resultado das chuvas de vários dias. Cheguei a Tambaú (SP) às 14h. Almocei no Restaurante Tarzan e fui rever as igrejas locais.
Tambaú (SP) é a terra do Padre Donizetti, o Padre Cícero local. É também um lugar com muitas olarias. O tempo fechou na saída de Tambaú (SP), mas felizmente ficou na ameaça.
Encarei os 35 quilômetros finais até Santa Rosa de Viterbo (SP) na SP-332, Rodovia Padre Donizetti. Somente as aves e a brisa prestavam atenção em mim, e não muita.
Nenhum movimento de veículos. Estrada com asfalto novo e relevo suave.
A partir de Casa Branca (SP), a Mantiqueira ficou para trás.
Passei a pedalar numa região de transição entre a Serra [da Mantiqueira] e o Planalto Meridional, onde está localizada Ribeirão Preto (SP), a Califórnia Brasileira.
Ouvi, na hora do almoço, uma canção, na voz de Sérgio Reis, que tem tudo a ver com viagens [iguais às minhas]: "se o Sol vem saindo eu já vou partindo e quando anoitece estou noutro lugar".
| Casa Branca (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Casa Branca (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores em Casa Branca (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Ligação alternativa entre Casa Branca (SP) e Tambaú (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Ligação alternativa entre Casa Branca (SP) e Tambaú (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Tambaú (SP). Santuário Nossa Senhora Aparecida. Foto: Fernando Mendes. |
| Igreja de Santo Antônio. Tambaú (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Olaria em Tambaú (SP). Foto: Fernando Mendes. |
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| Rodovia SP - 332 na ligação Tambaú (SP) a Santa Rosa de Viterbo (SP). Foto: Fernando Mendes. |

8º dia | 17/01/2016 | |
Santa Rosa de Viterbo (SP) a Ribeirão Preto (SP) | 69 km | |
Dancei no café da manhã do hotel. Acordei após às 10h. Pulei essa parte. Arrumei meus haveres e fui à Praça Central fotografar a Matriz de Santa Rosa de Viterbo (SP). Pena estar fechada.
Antes de deixar a pacata Santa Rosa (SP), parada para almoço e, pontualmente ao meio-dia, bike, pedal, estrada. Sempre nessa ordem.
A primeira cidade pela qual passei foi (*) São Simão (SP), 18 quilômetros à frente de Santa Rosa de Viterbo (SP). Céu cheio de Sol e, por extensão, muito calor.
(*) São Simão (SP) é a cidades dos três gês (plural da letra G).
Em 1917, a cidade foi vítima de Geado, Gafanhotos e Gripe Espanhola.
(Nota do Autor).
Cinco quilômetros após São Simão (SP), a Rodovia SP - 253 dá acesso à Via Anhanguera, SP-330. Eram 14h 30.
Parei num posto lotado de ônibus piratas. Perguntei a uma das passageiras: "esse ônibus vai aonde"? "Juazeiro do Norte (CE), moço". "Agente vamos chegar (sic) lá na terça-feira". Que coragem. Encarar uma viagem de três dias num ônibus sem a menor condição. Talvez para economizar R$ 50,00 em relação aos ônibus não piratas. A vida é feita de escolhas. E minha viagem seguiu.
Daquele posto, "inundado" de ônibus piratas, a Ribeirão Preto (SP), foram 30 quilômetros. Passei por Cravinhos (SP) e, pouco depois, a partir de uma forte descida, foi possível ver Ribeirão Preto (SP), lá embaixo, dentro de um buraco, à semelhança de uma maquete.
Isso explica o porquê de a cidade ser tão quente e abafada. Por esses motivos [calor e abafamento], optei por hospedagem no Hotel Bandeirantes, homônimo da Churrascaria e que fica às margens da Anhanguera [km 303]. Desnecessário entrar em área tão densamente povoada à procura de hospedagem.
Ganhei tempo [no dia seguinte] na hora de zarpar rumo a Uberaba (MG), 180 quilômetros à frente de Ribeirão Preto (SP).
A Via Anhanguera ou Rodovia SP-330 não tem esse número [330] fruto de uma escolha aleatória. Na bússola, o rumo [ou proa] 330 indica a direção quase NORTE.
Se olharmos no mapa, a SP-330 sai de SP Capital e segue sempre na proa norte, até a divisa com Minas Gerais, na Ponte sobre o Rio Grande. Ou seja, depois que ingressei na Via Anhanguera, minha direção geral foi sempre o Norte, até alcançar minha casa, em Brasília (DF).
Isso significou que assisti, até Brasília (DF), ao ocaso (pôr do Sol) sempre à minha esquerda [no Oeste] e o orto solar (nascer do Sol), à direita [no Leste].
Naquele 17/01/2016 foram completados 1.000 quilômetros desde o início da viagem em 30/12/2015, quando zarpei de Aparecida (SP) para um passeio de 534 quilômetros pelas Terras Altas da Mantiqueira.
Fazia uma semana que havia partido de Aparecida [pela 2ª vez], tendo por objetivo chegar a Brasília (DF). Faltavam 710 quilômetros.
| Matriz de Santa Rosa de Viterbo, a principal igreja católica da cidade. Foto: Fernando Mendes. |
| São Simão (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Rodovia SP - 330 Via Anhanguera. Foto: Fernando Mendes. |
| Rodovia SP - 330 Via Anhanguera. Foto: Fernando Mendes. |
| Rodovia SP - 330 Via Anhanguera. Foto: Fernando Mendes. |
| Rodovia SP - 330 Via Anhanguera. Foto: Fernando Mendes. |
| Rodovia SP - 330 Via Anhanguera. Chegada a Ribeirão Preto (SP). Foto: Fernando Mendes.
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Deixei Ribeirão Preto (SP) às 8h 10 sob um céu azul-ferrete e com nuvens de brancura láctea, que formavam desenhos desconexos.
Acordei cedo, saí cedo, pois o trecho foi puxado. Além de longo [180 km], muitas subidas, embora de pequena inclinação, todavia extensas.
Com uma hora e meia de pedal, atravessei a Ponte sobre o Rio Pardo, que separa o município de Ribeirão Preto (SP) de Jardinópolis (SP).
Logo em seguida, paralela à Anhanguera (SP-330), passei pela magnífica Ponte Ferroviária da FCA (Ferrovia Centro Atlântica). Um colosso.
Às 12h atravessei o perímetro urbano de Orlândia (SP) e às 13h parei em São Joaquim da Barra (SP) para almoçar.
A partir de São Joaquim da Barra (SP), o bicho pegou. O calor era intenso e o consumo de água idem. E tome protetor solar.
Por volta das 16h, não suportando tanta quentura, parei num posto e tomei banho, com roupa mesmo. Com as vestimentas ensopadas, o corpo agradeceu.
Às 18h 01, cheguei à Ponte sobre o Rio Grande, que separa SP de MG. Nos arredores caia uma chuva isolada.
Depois da ponte veio o trecho mais difícil do dia: os 30 quilômetros finais até Uberaba (MG), em trecho que se assemelha às corcovas dos camelos. Foi a prova de fogo daquele dia.
Às 20h 10, avistei o letreiro com a inconfundível logomarca da Rede Graal, em Uberaba (MG). Brasília (DF) a 530 quilômetros.
| Trecho entre Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG). Ponte Ferroviária em Jardinópolis (SP). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG). Divisa SP/MG. Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG). Divisa SP/MG. Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG). Divisa SP/MG. Foto: Fernando Mendes. |
| Rio Grande. Divisa SP/MG. Foto: Fernando Mendes. |
10º dia | 19/01/2016 | |
Uberaba (MG) a Uberlândia (MG) | 105 km | |

Diferentemente do que muitos dizem, pensam ou entendem, o Triângulo Mineiro NÃO é formado somente pelos municípios de Araguari, de Uberlândia e de Uberaba.
O Triângulo Mineiro é uma das dez regiões de planejamento ou Macrorregiões do Estado de Minas Gerais e é constituído por 35 municípios, conforme tabela e mapa que se seguem, respectivamente.
OS 35 MUNICÍPIOS DO TRIÂNGULO MINEIRO - 53.719 KM² | |||
MUNICÍPIOS | POPULAÇÃO | MUNICÍPIOS | POPULAÇÃO |
Água Comprida | 2.093 | Ituiutaba | 92.727 |
Araguari | 106.403 | Iturama | 31.495 |
Araporã | 6.113 | Limeira do Oeste | 6.492 |
Cachoeira Dourada | 2.470 | Monte Alegre de Minas | 18.348 |
Campina Verde | 18.680 | Pirajuba | 3.694 |
Campo Florido | 6.570 | Planura | 10.289 |
Canápolis | 11.313 | Prata | 25.511 |
Capinópolis | 15.302 | Santa Vitória | 15.492 |
Carneirinho | 8.859 | São Francisco de Sales | 5.167 |
Cascalho Rico | 2.799 | Tupaciguara | 23.076 |
Centralina | 10.219 | Uberaba | 287.760 |
Comendador Gomes | 3.087 | Uberlândia | 608.369 |
C. das Alagoas | 20.426 | União de Minas | 4.593 |
Conquista | 6.580 | Veríssimo | 3.667 |
Delta | 6.600 | Total (35) | 1.460.591 |
Fronteira | 13.983 | Disponível em:< www.triangulomineiro.com>. Acesso: 31/01/2016. | |
Frutal | 51.766 | ||
Gurinhatã | 6.194 | ||
Indianópolis | 6.244 | ||
Ipiaçu | 4.191 | ||
Itapagipe | 14.019 | ||

De Uberaba (MG) a Uberlândia (MG) [105 quilômetros], etapa percorrida em 2 dos 35 municípios de Triângulo Mineiro, a viagem foi feita em área muito deserta, com poucos pontos de apoio e muitas plantações de soja, milho e gado perambulando pelos pastos a mastigar capim. Existem diversas veredas (*) a embelezar o trajeto.
(*) Vereda é um tipo de formação vegetal do Cerrado que ocorre nas florestas-galeria. Caracterizada pelos solos hidromórficos (solos que, em condições naturais, se encontram saturados por água), podem apresentar buritis (da família das palmáceas), em meio a agrupamentos de espécies arbustivo-herbáceas e são seguidas pelos campestres.
No cerrado brasileiro são denominados campo limpo, caracterizados por uma topografia amena e úmida, mantendo parte da umidade em estratos de solo superficial e garantindo a umidade mesmo em períodos de seca, tornando-se um refúgio da fauna e flora, assim como local de abastecimento hídrico para os animais [e ciclistas].
Recebem este nome por serem caminho para a fauna hidratar-se.
Comumente encontradas nos Estado de Minas Gerais, Bahia e na Região Centro-Oeste.
Disponível em: <https://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia16/AG01/arvore/AG01_65_911200585234.html> Acesso: 31/01/2016 (com adaptações).

Às 10h fui despertado com o barulho [e que barulho!] da chuva castigando as costas quadradas do aparelho de ar-condicionado. Teria um dia bastante molhado.
Mas quando deixei Uberaba (MG), às 12h, após farto almoço, a chuva deu a vez a um mormaço que maçaricava a pele.
O trecho Uberaba (MG) a Uberlândia (MG) assemelha-se a uma montanha russa: subidas fortes e descidas acentuadas. Raras são as partes planas.
Às 13h 30, parada para hidratação no Posto Caxuxa I, 22 quilômetros após Uberaba (MG).
Nova substituição no jogo do tempo meteorológico: as nuvens se foram e o mormaço cedeu lugar ao Sol. O termômetro do GPS assinalava 36°C.
Quando voltei à estrada e ao pedal, o calor era digno de uma sucursal do inferno. Meia hora depois, o tempo fechou e caiu uma chuva de verão, rápida, como um piscar de olhos.
A quentura desprendida do asfalto aumentou a sensação de abafamento.
Após o Caxuxa I, pedalei parcos 14 quilômetros e parada para banho no Posto Tejuco. O calor estava abrasador. Banhei vestido. Assim, na volta à estrada e ao pedal, com as roupas encharcadas, a sensação é deveras refrescante, mas por pouco tempo.
No Posto Caxuxa II, 57 quilômetros antes de Uberlândia (MG), açaí na tigela (700 ml). Era energia que faltava. Sentia-me preparado e hidratado e alimentado para encarar 40 quilômetros até o Posto Décio Buriti, nos arredores de Uberlândia (MG), a 17 quilômetros do Hotel Carlton, na área central da cidade.
Quando entrei no Posto Décio Buriti, pneu traseiro furado. Respirei, entrei no estabelecimento, saboreei uma chávena de Café Expresso, precedida por 1/2 litro de água mineral, retornei à área externa do posto, substituí a câmara furada e, aproveitando que estava com a "mão na massa", executei o rodízio dos pneus, enquanto o Sol escorria mansamente para o horizonte, à minha esquerda (oeste), e a Lua Crescente - símbolo das bandeiras de muitos países muçulmanos - se mostrava entre nuvens, à minha direita (leste).
E assim aconteceu a minha chegada a Uberlândia (MG), às 18h.
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Rodovia BR - 050, trecho entre Uberaba (MG) e Uberlândia (MG). Foto: Fernando Mendes. |
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Posto Décio em Uberlândia (MG). Foto: Fernando Mendes. |
11º dia | 20/01/2016 | |
Uberlândia (MG) a Catalão (GO) | 109 km | |


Uberlândia (MG) é o 2º município de Minas Gerais em população absoluta. Foram recenseados 761.835 habitantes [IBGE em 2025]. O 3º é Contagem, localizado na RMBH, com 651.718 habitantes (IBGE 2025).
Eram 10h 30 quando comecei a arriscada aventura daquele 22º dia de viagem: atravessar o perímetro urbano de Uberlândia (MG). Muito movimento, pouco espaço para a bike.
Mas quando deixei para trás aquele trecho tenso, retornei à BR - 050 na proa de Araguari (MG), 30 quilômetros à frente.
ATUALIZAÇÃO |
Na travessia do perímetro urbano de Uberlândia (MG), o trecho descrito como "tenso e perigoso" pode ser evitado utilizando o Anel Rodoviário Ayrton Senna, com 25 quilômetros de extensão, passando ao largo da área central de Uberlândia (MG), que tem trânsito pesado, cascudo e trincheiras sem guarda-corpo para ciclistas e caminhantes |
Uma descida de 10 quilômetros me levou à ponte sobre o Rio Araguari, divisor natural dos municípios de Uberlândia (MG) e Araguari (MG).
Parei para algumas fotos - destaque para a Estação Ferroviária de Stevenson -, aquela que, um dia, foi a mais charmosa do Triângulo Mineiro.
Encarei uma subida de cinco quilômetros até o perímetro urbano de Araguari (MG). Parei para almoçar no Restaurante Paraná. R$ 13,00. Maravilha.
Quando voltei à bike e à estrada [BR-050], o calor estava no limite do suportável. Ao finalizar a descida da serra de Araguari, deixei a bike encostada no guarda mão da ponte sobre o Rio Jordão e tomei delicioso banho.
Quase meia hora a me deliciar nas águas daquele rio. De volta à lida, zerei uma subida honesta até o trevo de acesso a Monte Carmelo (MG) e Estrela do Sul (MG).
Às 16h, atingi a divisa MG/GO, parei no Restaurante do Baixinho para repor a água.
Pedalei os 34 quilômetros finais até Catalão (GO), com longas subidas.
Às 18h 12, cheguei ao Posto JK e "matei" 500 ml de açaí, o meu combustível em trechos difíceis, como daquele 20/01/2016, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Foram 109 quilômetros percorridos em 7 horas e meia. Deu para o gasto.
Trecho entre Uberlândia (MG) e Catalão (GO). Foto: Fernando Mendes. |
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| Estação ferroviária de Stevenson, monumento turístico localizado às margens da BR- 050, entre Uberlândia (MG) e Araguari (MG). Foto: Fernando Mendes. |
| A Árvore Solitária. Araguari (MG). Trecho entre Uberlândia (MG) e Catalão (GO). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Uberlândia (MG) e Catalão (GO). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Uberlândia (MG) e Catalão (GO). Foto: Fernando Mendes. |
| Ponte sobre o Rio Paranaíba. Divisa MG/GO. Trecho entre Uberlândia (MG) e Catalão (GO). Foto: Fernando Mendes. ![]() Disponível em: < https://www.badiinho.com.br/com-finalizacao-das-obras-de-reforco-e-alargamento-ponte-wagner-estelita-campos-na-divisa-de-goias-com-minas-gerais-esta-com-dois-lados-liberados/>. Acesso: 02/02/82023. |
| Trecho entre Uberlândia (MG) e Catalão (GO). Foto: Fernando Mendes. |
12º dia | 21/01/2016 | |
Catalão (GO) ao Hotel Sonho Verde (GO) | 153 km | |


Dia 21/01/2016, 223º aniversário do enforcamento do [último] rei francês, Luís XVI, na Praça da Concórdia, em Paris, França.
Após deixar Catalão (GO), as subidas me deram as boas vindas. Até o Posto Eldorado - 20 quilômetros à frente - subi mais do que desci. Almocei no Eldorado.
Cinco quilômetros adiante atravessei a pequena Pires Belo (GO) e pedalei sem parar até o Posto Paulistano.
Daí adiante, a estrada atravessa um trecho plano, com 35 quilômetros de extensão. A média horária, muito baixa por conta das subidas desde a saída de Catalão (GO), aumentou, dando ritmo mais veloz à viagem.
Por volta das 18h 30, quando passava pelo Posto Ponte Alta (*), nuvens de chuva vinham dos 4 pontos cardeais.
(*) Em 2022, o Posto Ponte Alta - km 149 da BR -050 - foi posto no rés do chão, sendo inaugurado, em 2023, o Posto Vereda Verde, deveras melhor em relação ao falecido. |
Em Portugal: A forma preferencial e tradicional é com hífen: rés-do-chão. No Brasil: Geralmente utiliza-se sem hífen: rés do chão. Fonte: Acordo Ortográfico 1990. |
Pedalei os 20 quilômetros finais com elas [as nuvens de chuva] no meu encalce.
Ao chegar ao Hotel Sonho Verde - km 128 da BR - 050 -, o aguaceiro caiu como um rio vertical.
Brasília (DF) a 166 quilômetros.
| Trecho entre Catalão (GO) e Campo Alegre de Goiás (GO). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Catalão (GO) e Campo Alegre de Goiás (GO). Foto: Fernando Mendes. |
| Ao fundo, o lago da Usina Hidrelétrica de Serra do Facão. Rio São Marcos. Foto: Fernando Mendes. |
| Ao fundo, o lago da Usina Hidrelétrica de Serra do Facão. Rio São Marcos. Foto: Fernando Mendes. |

13º dia | 22/01/2016 | |
Hotel Sonho Verde (GO) a Brasília (DF) | 166 km | |
Deixei o Hotel Sonho Verde, localizado no km 128 da BR-050, às 9h 20. Cheiro de chuva no ar. O dia prometia. Até Cristalina (GO), foram 32 quilômetros em subidas leves e longas, que se intervalaram com trechos planos.
Cheguei à cidade dos cristais às 11h 20. Parei no Posto Lamar para almoçar. E a chuva começou. Inicialmente fraca e logo engrossou.
De nada adiantaria ficar parado esperando melhoras no tempo. As nuvens cor de chumbo e muito baixas não deixaram dúvidas: teria tempo ruim pela frente. Vesti casaco impermeável e segui na proa de Brasília (DF), 133 quilômetros à frente.
Passei pelo Posto JK, no meu través leste, ponto no qual se situa a maior altitude do dia: 1.250m. A partir daquele ponto, a estrada BR-050 fica sobreposta à BR - 040 e, assim, se mantem até Brasília (DF).
Passei pela última praça de pedágio e pedalei forte, aproveitando o traçado em declive ininterrupto, por 28 quilômetros, até a Ponte sobre o Rio Furnas. Fiz esse trecho em uma hora. E a chuva castigando.
Parei na Pamonharia Acantus, degustei delicioso pão com linguiça. Após, pé na estrada. Era necessário não perder tempo. A caminho!
Logo à frente atravessei a ponte sobre o Rio São Bartolomeu que, naquele ponto, marca a divisa dos municípios de Cristalina (GO) e Luziânia (GO). E tome chuva. Veio um trecho duplicado da BR-040, que ainda não havia sido liberado ao tráfego. Reinei absoluto por uns 15 quilômetros.
Na serra chamada "Mané Preto", uma borda de chapada com quatro quilômetros de ascensão, a água descia com força pela calha lateral da estrada.
| Trecho entre Cristalina (GO) e Brasília (DF). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Cristalina (GO) e Brasília (DF). Foto: Fernando Mendes. |
| Trecho entre Cristalina (GO) e Brasília (DF). Foto: Fernando Mendes. |
Cheguei a Luziânia (GO) por volta das 16h. E veio a parte mais perigosa do dia: atravessar os municípios goianos do Entorno do Distrito Federal, com trânsito frenético, pedestres desatentos caminhando pelo acostamento e muita, muita chuva.
Às 18h passei pela divisa GO/DF. Daquele ponto à minha casa, foram exatos 38 quilômetros. E a chuva castigando.
Quando entrei no Eixão Sul, o pior dos mundos. A cidade estava sob dilúvio bíblico. Tesourinhas alagadas, carros enguiçados e passagens de pedestres submersas.
Apesar do caos, cheguei bem à porta da garagem do meu prédio, pouco antes das 20h. Sentia os ossos molhados. Mas cheguei bem. Obrigado aos que acompanharam, comentaram e deram força.
Foram 1.198 quilômetros percorridos em 13 dias, com média diária de 92 km/dia.
Não foi possível tirar mais fotos no último dia por conta das chuvas.
Obrigado pela leitura.
Brasília (DF), 31/01/2016.























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