Viagem de Bike E. Real. Caminho Novo. Ouro Preto (MG) a Petrópolis (RJ). Abril/Maio 2026
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RELATO VIAGEM DE BIKE ESTRADA REAL - ABRIL/MAIO 2026 |
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CAMINHO NOVO |
OURO PRETO (MG) A PETRÓPOLIS (RJ) |
438 km |
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OURO PRETO (MG) A PETRÓPOLIS (RJ) |
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CAMINHO NOVO 438 KM |
DATA |
DE |
PARA |
Km |
∑ |
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24/04 |
Ouro Preto (MG) |
Ouro Branco (MG) |
32 |
32 |
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25/04 |
Ouro Branco (MG) |
Queluzito (MG) |
44 |
76 |
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26/04 |
Queluzito (MG) |
Ressaquinha (MG) |
62 |
138 |
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27/04 |
Ressaquinha (MG) |
Antônio Carlos (MG) |
41 |
179 |
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28/04 |
Antônio Carlos (MG) |
Santos Dumont (MG) |
56 |
235 |
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29/04 |
Santos Dumont (MG) |
Juiz de Fora (MG) |
68 |
303 |
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30/04 |
Juiz de Fora (MG) |
Paraíba do Sul (RJ) |
69 |
372 |
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01/05 |
Paraíba do Sul (RJ) |
Petrópolis (RJ) |
66 |
438 |
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438 km |
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24/04/2026 | ||
1º dia | OURO PRETO (MG) A OURO BRANCO (MG) | 32 km |
Em janeiro de 2017, percorri o Caminho Novo da Estrada Real entre Petrópolis (RJ) e Ouro Preto (MG). Portanto, estava ciente da robusteza da altimetria.
Para melhor avaliar/sentir essa “musculatura”, Ouro Preto (MG) está a uma altitude média de 1.116 m, enquanto a travessia do Serra do Itatiaia, subgrupo da Serra do Espinhaço (*), para alcançar Ouro Branco (MG), atinge picos de até 1.560 m.
Um sobe e desce inclemente pela Rodovia MG - 129, com asfalto gasto
e ausência de acostamento. Tenso.
(*) Considerada a única cordilheira do Brasil, a Serra do Espinhaço tem aproximadamente 1.000 quilômetros de extensão, parte em Minas Gerais e parte na Bahia
Possui o maior afloramento de calcário do País, jazidas de ouro,
ferro, bauxita e manganês
Estima-se que sua idade geológica seja de 2,5 bilhões de anos.
Funciona como divisor de águas: a Leste, todos os rios tendem ao Atlântico, enquanto que a oeste inflam o sistema hídrico do Rio São Francisco.
A largura da Serra do Espinhaço varia de 50 a 100 quilômetros. Vales e picos são interpostos, configurando um terreno bastante acidentado.
É Reserva da Biosfera, contém muitas áreas de proteção e outras de preservação, além de reservas particulares.
Fonte: Brasília-Paraty, somando pernas para dividir impressões.
Weimar Pettengil – Brasília – Editora Thesaurus, p.90.
Pontualmente às 10h, deixei Ouro Preto (MG) rumo a Ouro Branco (MG), pedalando pela Rua Padre Rolim, sítio da Pousada Horto dos Contos, local do primeiro pernoite pré-viagem de bike.
A Rua Padre Rolim é asfaltada e desemboca na Praça Tiradentes.
Contornei o Museu da Inconfidência e começou uma descida absurda, em
paralelepípedos, até a Estação do Trem da Vale (atualmente o passeio até
Mariana - MG está desativado, e não se sabe até quando).
À minha esquerda, um paredão rochoso; à minha direita, casas simples se alternavam a espaços vazios, permitindo, ao viajante, dar o último adeus à Antiga Vila Rica.
As curvas se sucediam, a ascensão crescia e a qualidade do asfalto piorava.
A cidade ficou para trás. A paisagem passou e ser formada por morros arredondados pelo pai tempo - erosão - e carecas, pois a vegetação foi substituída por pastos.
O burburinho urbano foi trocado pelos sons da natureza. Mas por pouco tempo.

Logo cheguei ao Bairro Saramenha, repleto de casas e empórios à beira da Avenida Lima Júnior, além da gigante Hindalco Brasil, empresa do grupo indiano, que atende aos mercados nacional e internacional. Opera em Ouro Preto (MG) desde agosto de 2013.
Após quatro quilômetros, percorridos desde a saída de Ouro Preto (MG), a Avenida Lima Júnior termina abruptamente no cruzamento com a BR - 365. Um trevo marca a interceptação das duas vias.
Atravessei
a BR [365] ao mesmo tempo em que girava 180º na rotatória, ingressando na
Rodovia MG – 129. Ouro Branco (MG) a 28 quilômetros. Eram 10h 44.
Quando o Ciclo do Ouro na região atingiu o rush, Ouro Preto (MG) e Ouro Branco (MG) revelaram-se regiões auríferas de grande produção.
Logo, foi aberto um caminho direto entre as duas comarcas.
Suspeita-se que a Rodovia MG – 129 foi construída sobre parte desse caminho histórico.
Fonte: Antônio Olinto/Rafaela Asprino em seu Guia de Cicloturismo Estrada Real Caminho Velho, 2ª Edição; São Paulo 2010; Editora Gráficos Unidos, p. 144.
A despeito da falta de acostamento na Rodovia MG - 129, a beleza do caminho fica por conta das pontes, em estruturas de pedras e com mais de 150 anos de existência. Um patrimônio cultural de Minas Gerais.
Foram construídas para o trânsito de carroças, que atendiam à região entre Ouro Preto (MG) e Ouro Branco (MG). Foram erigidas com o Ciclo do Ouro, findado em 1808.
| Estrada Real trecho entre Ouro Preto (MG) e Ouro Branco (MG). Conjunto Rancharia. Foto: Fernando Mendes. |
| Estrada Real trecho entre Ouro Preto (MG) e Ouro Branco (MG). Conjunto Rancharia. Foto: Fernando Mendes. |
| Estrada Real trecho entre Ouro Preto (MG) e Ouro Branco (MG). Conjunto Rancharia. Foto: Fernando Mendes. |

Às 12h 17, passei pelo acesso a Lavras Novas (MG), distrito de Ouro
Preto (MG). Não entrei, pois em Maio de 2022, ocasião na qual percorri a
Estrada Real entre Paraty (RJ) e Ouro Preto (MG), pernoitei em Lavras Novas e,
portanto, foi desnecessária uma [outra] visita a tão bela localidade. Recomendo
conhecê-la.
Passada a entrada de Lavras Novas, o leito da Rodovia MG - 129
despenca absurdamente para por cerca de 1,5 quilômetro e, a seguir,
empina abruptamente, mostrando a dureza do pedal daquele primeiro dia
de jornada pelo Caminho Novo da Estrada Real.
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Estrada
Real é isso: |
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Ou não se
vai ou, quando se vai, se sabe ao que se vai. |
Quando passei pelo trevo de acesso a Itatiaia, distrito de Ouro Branco (MG), havia percorrido metade do caminho.
O sobe e desce deu a maior fome. Almocei no Restaurante Parada de Itatiaia, às margens da Rodovia MG - 129 e, terminada a refeição, subi uma singela ladeira, com 1,1 quilômetro, e cheguei ao Centro Histórico de Itatiaia.
Carimbo no Passaporte numa biblioteca e, poucos metros à frente, está a Igreja Matriz de Santo Antônio, construída em estilo Barroco, do começo do século XVIII.
É considerada uma das mais antigas de Minas Gerais e uma das
primeiras da região.
O primeiro registro de batismo realizado na igreja aconteceu em
20 de agosto de 1714.
Ao terminar ascensão de seis quilômetros, atingi a maior altitude do caminho desde o início da saída de Ouro Preto (MG): 1.560 metros. Eram 16h 46. Uma hora e seis minutos para subir meia dúzia de quilômetros, em inclinação insana.
No entanto, verifiquei uma inconsistência entre as informações da placa (foto) e os dados do meu Garmin GPS de pulso, que indicava altitude de 1.350m.
Desse ponto em diante, forte descida com três quilômetros, repletos de curvas fechadas, e outros quatro quilômetros de planura, feitos em
ciclovia, que termina na entrada de Ouro Branco (MG). Eram 17h 06.
Atraídos pela existência de ouro, em fins do século XVII, ex-integrantes da bandeira de Borba Gato desbravaram a região da atual Ouro Branco.
O bandeirante Miguel Garcia lá encontrou ouro de coloração esbranquiçada, ficando assim conhecido como "ouro branco".
Naquela época, a má qualidade das jazidas auríferas e as dificuldades de exploração, advindas do primitivo processo utilizado, fizeram a atividade mineradora retroceder.
Disponível em:<https://www.ourobranco.mg.gov.br/detalhe-da-materia/info/historia-de-ouro-branco/6495>. Acesso: 12/05/2026 (com adaptações).

E para quem achou que a insanidade das subidas terminou, ledo engano.
O acesso à área central de Ouro Branco (MG) é feito por uma ladeira, caprichosamente inclinada, na qual empurrei a bike com altivez.
Às 18h, bem no momento no qual os sinos da Igreja Matriz de Santo Antônio, choravam no ar, a Hora da Ave-Maria, encostei minha bike às portas do templo.
Pela primeira vez, dentre algumas que por Ouro Branco (MG) passei,
as portas da Casa de Deus estavam abertas. Alvíssaras!
De acordo com um registro no Livro nº 1 da Irmandade, a Matriz é anterior a 1717, ano de emissão de uma certidão do primeiro casamento que teria ocorrido na Igreja Matriz de Santo Antônio de Ouro Branco.
A parte exterior da Matriz traz as influências da reforma introduzida por Aleijadinho, estilo característico de Minas Gerais.
Os altares refletem a fase mais vigorosa do
Barroco clássico do Barroco do século XVIII e são recobertos de ouro.
Destaque para as pinturas do Mestre Ataíde.
Disponível em:<https://www.ourobranco.mg.gov.br/detalhe-da-materia/info/matriz-de-santo-antonio---centro/6542>. Acesso: 12/05/2026.
Estada no Hotel Verdes Mares, excelente estalagem, com quarto amplo e cama maravilhosa para descansar os membros fatigados do cascudo trecho daquele dia.
Outro carimbo no Passaporte Estrada Real, obtido na recepção.
Jantei no Restaurante Elmiras, que outrora foi mais diversificado no cardápio. A explicação da proprietária à redução das opções para refeições foi em decorrência da quarentena imposta pela Covid - 19. A pizza estava razoável.
Voltei ao Verdes Mares e a noite de sono foi reparadora.
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25/04/2026 |
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2º dia |
OURO BRANCO (MG) A CONS. LAFAIETE (MG) |
24 km |
44 km |
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CONSELHEIRO LAFAIETE (MG) A QUELUZITO
(MG) |
20 km |
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Às 7h iniciei a jornada do 2º dia pelo Caminho Novo da Estrada Real.
Ruas apertadas e trânsito nervoso Ruas apertadas e trânsito nervoso, naquele último sábado de abril.
O Marco indicativo da saída para Conselheiro Lafaiete (MG) fica próximo à Igreja Nossa Senhora dos Homens. Contornei-a [180º] e segui uns 100 metros até a esquina da Rua Leôncio P. Almeida. Visualizei o Marco do Instituto indicando virar à direita.
Vencida uma sucessão de “virar à esquerda” e “virar à direita”, sempre bem-sinalizadas pelo balizamento dos marcos - e não totens, como muitos dizem -, cheguei ao início do trecho em leito natural, após uma subida longa, com cerca de dois quilômetros de extensão.
Ouro Branco (MG) ficou lá embaixo, dentro de um vale cercado pelo colosso da Serra do Espinhaço. Eram 7h 34.
As ruas apertadas e trânsito nervoso cederam lugar à tranquilidade da zona rural. Movimento zero de veículos, trecho plano - finalmente - e a sinfonia da passarada a embalar o ritmo das pedaladas.
Ao longo do caminho, as pequenas propriedades me remeteram à canção “Gente Humilde”, de Chico Buarque, Vinícius de Moraes e Garoto, que diz: "são casa simples com cadeiras na calçada e na fachada escrita em cima que é um lar".
As casas floridas e mostrando que, mesmo possuindo pouco, essa gente é feliz. Gente simples, sempre a acenar à minha passagem.
| Estrada Real trecho entre Ouro Branco (MG) e Conselheiro Lafaiete (MG). Foto: Fernando Mendes. |
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26/04/2026 |
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3º dia |
QUELUZITO (MG) A CARANDAÍ (MG) |
30 km |
62 km |
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CARANDAÍ (MG) A RESSAQUINHA (MG) |
32 km |
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Apesar de dormir com tapadores de ouvidos - não durmo sem eles, não vivo sem eles -, fui despertado por uma zoada de bateção de panelas na cozinha, que fica próxima aos quartos da estalagem. Não entendi o porquê de tanto barulho logo cedo. Eram 6h 30.
Felizmente dormi por longa e ininterruptas 11 horas de sono, algo improvável no meu dia a dia, principalmente tendo três gatos virados no Jiraya boliviano (agitados).
Levantei-me e fui para o cenáculo degustar o café da manhã, bem fraco e pouco sortido. Nada de frutas. Apenas pão com manteiga, mortadela, leite e café.
Às 7h 30 e sob céu cheio de Sol, no qual algumas poucas nuvens
quietas denunciavam a ausência de vento e desenhavam figuras incompreensíveis,
parti de Queluzito (MG) rumo a Carandaí (MG), o "Celeiro de Minas", por
ser o maior horticultor do Estado.
Segui pela Rua Professor Manoel Lino e, em poucos metros,
cheguei ao trevo no qual a rua faz uma bifurcação: à direita, direção Casa
Grande, pelo Caminho Velho da Estrada Real (MG); à esquerda, Carandaí (MG),
pelo Caminho Novo da Estrada Real.
Pedalei boa parte do tempo paralelamente ao Rio Paraopeba (rio largo, em Tupi) cuja nascente localiza-se em Cristiano Otoni (MG), 17 quilômetros à frente de Queluzito (MG), na região da Fazenda Soledade. Na foz - ou deságue - é despejado portentoso volume hídrico, que alimenta a Represa de Três Marias (MG), no município de Felixlândia (MG).
O Paraopeba é um dos principais afluentes do Rio São Francisco.
Mesmo após sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 25/01/2019, resultados ainda não são conclusivos e as recomendações de não utilização das águas do Rio Paraopeba se mantêm e há estudos que mostram que o retorno do rio a sua condição pré-rompimento demoraria entre 7 e 11 anos.
Disponível em:
<https://jornaldejuatuba.com.br/estudos-apontam-que-agua-do-rio-paraopeba-continua-contaminada/>.
Acesso: 12/05/2026.
É uma construção do Século XIX, provavelmente edificada entre os anos de 1823 e 1833.
É cercada por um muro de pedra, estando às margens do Caminho Novo da Estrada Real, serviu de hospedaria para os inconfidentes, sendo também ponto de comércio àquela época.
Ainda conserva muito de sua originalidade.
Disponível em: < https://www.cristianootoni.mg.leg.br/paisagens-fazendas>. Acesso: 12/05/2026.
Parada para degustar a merenda que trouxe. O fraco café da manhã
manifestou fome na metade do caminho até Carandaí (MG). Salvo por um sanduíche
de pão com mortadela.

De volta à lida no pedal e observando o Rio Paraopeba, ora se
aproximando do caminho e ora se afastando, a ponto de perdê-lo de vista, não
tardou para eu chegar à Pedra do Sino, distrito de Carandaí (MG), que abriga a
Fábrica do Cimento Tupi, às margens da Rodovia BR - 040, no KM 658. Eram 11h.
Atravessei a BR - 040 e, doutro lado, o Caminho Novo da Estrada Real continua sua trajetória, deixando vários bairros de Pedra do Sino para trás.
Segui paralelamente à BR - 040, por caminho que se elevou e permitiu, lá do alto, concluir que a rodovia [BR -040], em muitos trechos, foi construída sobre partes do leito do Caminho Novo da Estrada Real, "inaugurado" em 1702, de forma incompleta e concluído em 1725 por outros construtores.
Eis a comprovação nas transcrições que se seguem:
[...] Mariano Procópio Ferreira Lage, nascido em 1821 e falecido em 1872, natural de Barbacena [...]
[...] pioneiro na construção da Estrada União e Indústria, implantada de 1856 a 1861, entre Juiz de Fora (MG) e Petrópolis (RJ), aproveitando o leito original do Caminho Novo, aberto por Garcia Rodrigues Pais, em 1702, que vinha direto do Rio de Janeiro (RJ) a Ouro Preto (MG) [...].
À medida que o perímetro urbano de Carandaí (MG) se aproximava, a Estrada Real desemboca - novamente - na BR - 040, defronte ao Posto de Pesagem da ANTT, no KM 644. Eram 11h 47.
Outra vez atravessei a rodovia e um marco, logo à frente, indica "virar à direita" e ingressar num bairro periférico.
A referência para encontrar a saída rumo a Ressaquinha (MG) é o prédio da Prefeitura, na Rua Dom Silvério, na área central, próximo ao Restaurante da Rosana. Parada para almoço. Meu estômago estava igual a um cântaro vazio e clamava por víveres.
Fiz honra à refeição deliciosa, variada e bem servida, em mesas com toalhas, ambiente impecavelmente limpo, característico de uma casa de pasto comandada por mulheres.
Terminado o almoço reiniciei [às 12h 25] as pedaladas pela Rua Dom Silvério, uma ladeira longa e empinada, me levou até o Cemitério Paroquial Padre Randolpho Henriques.
Tendo a entrada principal do Campo Santo como referência, giro à direita e segui pela Rua Professora Maria Ferreira até um campo de futebol, ponto no qual o asfalto dá lugar ao leito natural. Os marcos reapareceram. Avante!
Em Carandaí (MG), assim como em Queluzito (MG), não existem pontos de carimbos no Passaporte Estrada Real.
Passados 10
quilômetros, em ascenso contínuo leve, desde a saída de Carandaí (MG), atravessei a
pacata Hermilo Alves, distrito de Carandaí (MG). Eram 13h 10.
20 quilômetros à frente, transpus a simplória Comunidade Ressaca, povoado pertencente a Carandaí (MG). Eram 14h 17.
A região funcionava como uma "encruzilhada do campo", um local de clareira onde bandeirantes acampavam, construíam casas e plantavam para renovar mantimentos durante o percurso da Estrada Real. Real à época do Ciclo do Ouro (1645 – 1808).
Disponível em: <https://www.google.com/search>.
Acesso: 12/05/2026.
É uma área rural, com presença de comércio, ruas residenciais e características de pacata vida interiorana.
O destaque fica por conta da Capela de Nossa Senhora da Glória, mais conhecida como Igreja da Ressaca, um patrimônio histórico e religioso, construída em 1736, às margens do Caminho Novo da Estrada Real.
Pedalei os 30 quilômetros finais - predominantemente planos - daquele 3º dia de jornada e, às 16h 30, cheguei a Ressaquinha (MG), diminuto município mineiro, com cerca de 4.600 habitantes (IBGE/2024), localizado na região do Campo das Vertentes e atravessado ou transpassado pela Rodovia BR - 040, que liga o Rio de Janeiro (RJ) a Belo Horizonte (MG) e a Brasília (DF).
O comércio, à beira da estrada [BR – 040] atende à população
local e aos viajantes. As residências ocupam ambos os lados daquela Rodovia
Federal, outrora nomeada de BR – 3.
Antes de seguir para hospedagem, parada providencial no empório "A Legítima Empada", que oferece muitas opções dessa iguaria. Detonei três de sabores diferente.
Terminada a merenda empanada, atravessei a BR - 040 e fui rever a Igreja de São José, que nasceu como capela em 1893 e foi concluída [como Matriz] em 1939.
O Padre Joseph Buttgens (1879 - 1959) foi um artista plástico e pintor alemão.
Ele assinou importantes obras de arte na Alemanha, em Moçambique, em Gana, na Índia, na Itália e no Brasil.
Foto: Fernando Mendes.

Apesar de tão próxima à estrada, o barulho da movimentação de veículos sequer é ouvido no interior da estalagem.
Pousada confortável e atendimento bastante acolhedor por conta dos
proprietários (esposa e marido). Outro carimbo no Passaporte.
Após o merecido banho - sensação de ter trocado de pele - fui a passos à área central e jantei fartamente no Restaurante "O Mexidão". Prato comercial de qualidade e merecido, após dia bastante quente e caminho empoeirado.
Na volta à pousada, a iluminação pública, cada vez mais fraca, à medida que me afastava da área central, divisei o firmamento negro, brilhante e com hieróglifos de estrelas, que cintilavam no escuro de Ressaquinha (MG), sítio (lugar) tão desconhecido quanto o resultado de um duelo.
Elas [as estrelas] continuavam lá, as mesmas constelações de sempre, heroicamente espalhadas naquele céu de outono nos Trópicos. Privilégio para poucos.
Infelizmente, no momento da saída, organizando meus haveres e conferindo se nada havia ficado para trás, esqueci de ir à estação.
Baixei foto da internet.
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27/04/2026 |
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4º dia |
RESSAQUINHA (MG) A BARBACENA (MG) |
24 km |
41 km |
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BARBACENA (MG) A ANT. CARLOS (MG) |
17 km |
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Outro dia de baixa quilometragem, porém cansativo e com pequena média horária. A ver durante a leitura deste relato.
Pela Avenida dos Inconfidentes, deixei Ressaquinha (MG) às 8h, sob céu azul e pacífico, que se estendia sem limites, num mar profundo de nuvens que me acompanhavam. Que dia maravilhoso para pedalar.
Até Barbacena (MG), plácidos 24 quilômetros, com o caminho bastante acidentado, à semelhança de uma Montanha Russa, mas as subidas (ascensos) e descidas (descensos) pouco radicais e pedaláveis.
O trecho é flanqueado por diversas fazendas e alguns haras, muito bem cuidados, com bovinos e equinos a desfrutar de um delicioso banho de Sol. Ao fundo da paisagem, as belíssimas araucárias. (*)
(*) Espécie arbórea de destaque na Região Sul do Brasil, em áreas de clima subtropical.
No entanto, ao longo dos trechos mais elevados da Estrada Real, o microclima tem características semelhantes ao clima subtropical do Sul do País, devido à presença de altitudes elevadas.
Um exemplo no qual a altitude corrige a latitude, permitindo a existência dessas formações arbóreas [as araucárias] nas áreas serranas da Mantiqueira, presentes no Caminho Novo da Estrada Real, a partir da transição entre Queluzito (MG) e Barbacena (MG).
Curtos 13 quilômetros, após a saída de Ressaquinha (MG), e seguindo entre propriedades rurais, em trechos com pouca movimentação de veículos, cheguei à pacata Alfredo Vasconcelos (MG), elevada à categoria de município, ao ser desmembrada de Ressaquinha (MG), em 27/04/1992.
Parada rápida - estilo troca de pneus nos boxes da Fórmula 1 - para reposição de água e fotos da Igreja Nossa Senhora do Rosário do Ribeirão de Alberto Dias, obra concluída em 1725. Duas torres no frontispício e cemitério na parte de trás.
Igreja Nossa Senhora do Rosário do Ribeirão de Alberto Dias. Foto: Fernando Mendes. A Antiga Estação Ferroviária de Alfredo Vasconcelos (MG), inaugurada em 1º/02/1896, foi ponto de parada da Linha do Centro da Estrada de Ferro D. Pedro II que, a partir de 1889, passou a ser chamada de Estrada de Ferro Central do Brasil, ajudando a desenvolver o antigo povoado, que deu origem ao município. O nome da cidade homenageia o engenheiro que faleceu precocemente durante a inspeção da construção de um túnel ferroviário.
Em 2007, o prédio foi tombado pelo município e funciona como
Casa da Cultura. |
Parei no Roselanches às 11h. Self-service a R$ 12,40 para 100g, ou seja, R$ 124,40 o quilo. E ainda têm aqueles que reclamam dos preços praticados pela Rede Graal.
O estabelecimento fica às margens da BR - 040, no KM 697. Almoço delicioso e caro, seguido de uma chávena de café expresso.
Caramanholas abastecidas com água e força nas pernas, para
encarar uma subida das arábias – a subida começa onde está a Kombi (foto acima) – até a entrada de Barbacena (MG). Era meio-dia. Sol no zênite (Sol a pino) e
temperatura subindo.
Quando a subida das arábias, com 2,5 quilômetros de extensão terminou, o caminho interceptou ortogonalmente [90º] a BR – 265. Silêncio das rodas: à direita, Tiradentes (MG) e São João del Rei (MG); à esquerda, acesso à BR - 040, e para ela me dirigi.
Pedalei no acostamento por 2 quilômetros e cheguei à Cabana da Mantiqueira, local de carimbo no Passaporte Estrada Real.
Até àquele ponto da viagem, tudo correndo bem. Eram 13h.
Ao sair da Cabana da Mantiqueira, no rumo de Antônio Carlos (MG), 17 quilômetros adiante, segui pela Rua Nações Unidas, depois Cruz das Almas e passei sob pontilhão ferroviário da EFOM (Estrada de Ferro Oeste de Minas), que operou de 1880 a 1931.
Os problemas de localização/direção começaram quando o GPS não se entendia com os nomes das ruas e, para piorar a situação - a exemplo do que ocorreu em Conselheiro Lafaiete (MG) -, os marcos da Estrada Real inexistem entre Barbacena (MG) e Antônio Carlos (MG).
Não sabia mais onde eu estava; se ainda em área do município de Barbacena (MG) ou em área do município de Antônio Carlos (MG).
Isso se deve ao fato de as cidades Barbacena (MG) e de Antônio Carlos (MG)
terem se unido, em virtude do crescimento horizontal de ambas, fenômeno que a
Geografia denomina "conurbação". Os limites físicos desaparecem e não
existem placas indicando a divisa entre ambos. Nem placas e muito menos os
marcos da Estrada Real.
O cronômetro do GPS devorava os dígitos, o trânsito estava infernal, as ruas são estreitas, nas quais mal cabem dois ônibus em direções opostas, enquanto o GPS repetia incessantemente: "faça um retorno". “Raios, mil vezes raios”!
O conhecido bordão de Dick Vigarista, o vilão do
desenho animado de Hanna-Barbera, a "Corrida Maluca”.
Parei. Respirei. Comprei uma Coca-Cola e paçocas de rolha. Enquanto degustava finas iguarias e, com olhar perdido em meio ao caos, decidi utilizar uma prática anterior ao GPS: perguntar aos transeuntes.
Saí da Cabana da Mantiqueira às 13h. Até ali, 1 hora perdida em meio às indefinições do caminho. Eram 14h e os dígitos do relógio, avançando.
Perguntei ao primeiro que, sequer sabia o nome da rua onde estávamos. Desisti e agradeci. O mesmo aconteceu com os próximos, aos quais indaguei qual a saída para chegar a Antônio Carlos (MG) e a resposta foi negativa. Continuei pedalando sem rumo.
Na porta de uma residência, à Rua General Osório, dois camaradas conversavam animadamente. Cheguei e dei a infalível saudação em minerês: "bão"? De pronto responderam, "bão, sô!
Expliquei que estava percorrendo a Estrada Real - o mais incrível é que eles conhecem a Estrada Real - e pedi informações acerca da saída para Antônio Calos (MG).
E veio a informação chave: “de Barbacena (MG) e Antônio Carlos (MG), o senhor vai seguir as indicações de Aeroporto de Barbacena (MG)".
"No próximo trevo, virar à esquerda e seguir pela Rua
Saldanha Marinho, sempre em frente, nada de conversões à direita ou à esquerda".
"Passado o Aeroporto, começa a Rodovia MG -135, que liga as duas cidades". Facim, facim.
Mas fui alertado: "a Rodovia MG - 135 não tem acostamento e o trânsito é intenso".
E despediram-se de mim no bom minerês: "com Deus, sô"! Agradeci e segui as indicações.
Embora estivesse com a sensação de pedalar sem rumo, o caminho era aquele. Nessa brincadeira de cabra-cega, perdi uma preciosa hora, indo daqui para ali.
Mal havia reiniciado o caminho - agora na direção certa - quando,
após uma curva suave à direita, qual não foi a minha surpresa ao avistar um
marco da Estrada Real sobre uma espremida calçada.
Veio-me à mente, naquele momento, um velho ditado iídiche (*), deveras apropriado ao momento: "O Homem planeja e Deus ri".
(*) iídiche é a língua germânica das comunidades judaicas da Europa Central e Oriental.
Estava na Rua Pedro Bonatto e logo as indicações de Aeroporto de Barbacena (SBBQ) apareceram, como uma luz no fim do túnel.
A partir do campo de aviação, uma placa do DER - MG indica o
início da Rodovia MG - 135. Alvíssaras!
Faltavam apenas 10 quilômetros para o destino daquele 4º dia de jornada pelo Caminho Novo da Estrada Real.
Cinco quilômetros e meio até Dr. Sá Fortes, distrito do município de Antônio Carlos (MG), e derradeiros quatro quilômetros e meio até Antônio Carlos (MG).
Dr. Sá Fortes é um local pacato, daqueles que todos se conhecem
e sua origem está em torno da Estação Ferroviária de Sá Fortes, parte da Linha
do Centro da Estrada de Ferro Central do Brasil.
A distrito tem laços históricos com a indústria de laticínios, incluindo o queijo do reino, abundantes e pendurados nas portas de vários empórios locais.
Lamentável é o estado de conservação da Estação Ferroviária em Dr. Sá
Fortes.
A chegada a Antônio Carlos (MG), apesar do tempo perdido na travessia de Barbacena (MG), se deu às 16h 43.
Presenciei um comboio da MRS Logística passando sobre a ponte ferroviária, que marca o início da área urbana, apitando alto e ecoando a inconfundível buzina, como se estivesse a me dar as boas-vindas pela chegada.
Foi um dia cansativo, não pelo caminho, mas pela dificuldade com o GPS errando mais do que acertando. “Faça um retorno”. "Raios, mil vezes raios".
Hospedagem na única estalagem de Antônio Carlos (MG), a Pousada Familiar, simples e acolhedora.
Em janeiro de 2017, ocasião na qual percorri o Caminho Novo da Estrada Real, entre Petrópolis (RJ) e Ouro Preto (MG), no pernoite em Antônio Carlos (MG), a estada foi na Pousada Casarão que, infelizmente, não resistiu ao lockdown imposto pela pandemia da Covid - 19. Em 2020 foi fechada.
Abrigando 11.095 habitantes (IBGE 2022), a cidade é bem simples, sem maiores atrativos turísticos, à exceção da Estação Ferroviária de Antônio Carlos, inaugurada em 1880 como parte da Estrada de Ferro D. Pedro II.
A partir de 1889, com o fim do período imperial (1822 - 1889), foi nomeada Estrada de Ferro Central do Brasil e, posteriormente, encampada pela EFOM - Estrada de Ferro Oeste de Minas -, que operou de 1878 a 1931.
Após sucessivas crises financeiras e processo de liquidação,
suas linhas foram incorporadas, em 1931, à Rede Mineira de Viação e
rapidamente integrada à Rede Ferroviária Federal S.A, a RFFSA, criada
em 1957 e extinta em 2007.
Atualmente abriga o Museu Ferroviário “Poeta Cruz e Sousa", com
maquetes e acervo.
Ao sair à noite para alimentar-me, não simpatizei com nenhum boteco da localidade. Todos com
pequena área interna, música de qualidade duvidosa, frequentadores - sob efeito
do álcool - falando alto, muita fumaça de cigarro e nenhuma opção de janta.
O jeito foi me acomodar numa mesa diante de um trailer de
lanche, defronte à estação ferroviária. Cerveja gelada, nenhuma muvuca por
parte dos clientes e sanduíche de qualidade. O “X – Tudo” (sic), recomendado pelo proprietário da lancheria sobre rodas, estava deveras
saboroso, salvou a noite.
"Os comboios da RMS Logística não param e a movimentação atravessa a madrugada", disse-me o dono do empório sobre rodas.
Felizmente não me separo dos meus tapadores de ouvido. A linha do trem passa a poucos metros da parte lateral da Pousada Familiar.
Apesar de ter feito calor, que não chegou a ser abrasador durante o dia, a temperatura ficou bem amena à noite. Primeira noite sem ar-condicionado ou ventilador.
Dormi antes que o trem passasse ou, se passou, meus tapadores de ouvido mostraram eficiência ao longo da noite/madrugada.
Petrópolis (RJ) a 259 quilômetros, quase a mesma distância entre o Rio de Janeiro (RJ) e Paraty (RJ), que é de 249 quilômetros.
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28/04/2026 |
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5º dia |
ANT. CARLOS (MG) A PATRIMÔNIO DOS
PAIVAS (MG) |
28 km |
56 km |
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P. DOS PAIVAS (MG) A SANTOS
DUMONT (MG) |
28 km |
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Deixei a pacata Antônio Carlos (MG) às 8h 20 de uma manhã esplendidamente bela, com céu limpo e o Sol, redondo e implacável, me observava do alto.
Foi um dia difícil por conta da ausência de pontos de apoio ao longo dos 56 quilômetros daquele dia, exceto pela presença de um diminuto e acanhado povoado, pertencente à jurisdição de Santos Dumont (MG), nomeado Patrimônio dos Paivas, que parece oculto de tão pequeno e assentado às margens do Caminho Novo da Estrada Real. Não há dados acerca do número de habitantes.
Por ser um povoado e não uma cidade emancipada,
o IBGE não divulga um censo populacional, com estatísticas oficiais, para localidades
isoladas.
Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/>. Acesso: 12/05/2026 (com adaptações).
Antes de pegar a estrada rumo a Santos Dumont (MG) - 56 km adiante -, uma visita ao Museu Ferroviário “Poeta Cruz e Sousa", localizado no prédio da antiga estação ferroviária. Foi Inaugurado para preservar a memória cultural e ferroviária da região.
O espaço cultural funciona exclusivamente aos sábados. Como era
3ªf, apenas fotos externas e raspei-me dali sem tardança.
A saída de Antônio Carlos (MG), rumo a Santos Dumont (MG), é pela Avenida Dr. Henrique Diniz.
Após o primeiro marco sinalizador, atravessei a linha férrea e ingressei na Estrada para Borda do Campo. Não tardou a mudança de asfalto para o leito natural. Eram 9h.
Caminho bem sombreado e movimento zero de veículos.
À minha esquerda passou o Instituto Missionário São Miguel, ponto a partir do qual as subidas leves começaram a mostrar a cara.
Solo bem compactado e as araucárias a
flanquear ambos os lados da Estrada Real. A passarada comandava os sons daquela
manhã, com céu cheio de Sol.
Silêncio de contemplação e nada de motos com escapamentos adulterados, carros de som a fazer anúncios de promoções e outras pechinchas, alarmes disparando - e o dono do veículo parece ser o único a não escutar -, e lojas que colocam caixas de som à porta para atrair clientes.
Esses abomináveis sons urbanos sequer foram ouvidos ao longo do caminho daquela 3ª feira, 28/04/2026. Que enlevo.
Às 9h 41, parei num singelo lugarejo nomeado Borda do Campo, pertencente à jurisdição de Antônio Carlos (MG), que abriga a Capela de Nossa Senhora das Graças, a Fazenda Borda do Campo e, historicamente, foi o marco zero - ou ponto de partida - para o povoamento e, posteriormente, a formação [no século XVIII] da cidade de Barbacena (MG).
No século XIX, a Fazenda Campo Verde foi desmembrada da secular Fazenda da Borda do Campo.
Parada nos giros dos pedais para fotografar o templo, as hortênsias
a balizar o caminho e muitos, muitos bovinos e equinos soltos a pastar; alguns mugiam,
enquanto outros mastigavam capim em profusão.
As hortênsias emolduram a entrada da Fazenda Campo Verde, em Borda do Campo.
Às 11h 32, cheguei ao Chafariz Mariano Procópio, também conhecido como "Chafarizes dos Tropeiros".
É uma fonte de água
natural que hidratava animais e escravizados à época do vai e vem de gente e
riquezas pelo Caminho Novo da Estrada Real.
Em meio ao silêncio da natureza, às vezes quebrado por bando
de maritacas barulhentas, que pareciam disputar, umas com as outras, quem gritava mais alto, a viagem seguiu.
Aos poucos o caminho foi inclinando singelamente para baixo, quando começou a descida da Serra do Trovão, com uns dois quilômetros de descenso, em piso cujas pedras encaixadas, para dar tração às rodas de veículos e às patas de animais, tiveram partes arrastadas pelo escoamento superficial das águas das últimas chuvas.
Com 10 quilos de bagagem nos alforjes presos à garupa da bike e
o piso deveras irregular, com buracos à semelhança de uma pessoa banguela, a
descida foi tensa e penosa e os freios exigidos em demasia.
Ao final da descida da Serra do Trovão, parada para alongar a musculatura dos braços, que sofreram com os impactos e o acionamento constante dos freios.
Eram 12h 20, estava famélico e sequer sabia se encontraria um
restaurante ou afins em Patrimônio dos Paivas, o único "oásis" do
caminho. A ver quando lá chegasse.
Às 13h 11 cheguei ao ponto que aparece na foto abaixo. Uma curva de 180º para acessar o "oásis" Patrimônio dos Paivas.
Àquela altura
dos acontecimentos, meu estômago estava tão oco quanto uma moringa vazia.
E tudo que está ruim, pode piorar, e muito. Logo após a curva à esquerda (foto), uma subida cascuda e com o piso repleto de buracos, que ocupavam quase toda a largura da estrada, tornaram-se um tormento para seguir pedalando.
Por precaução, desci da bike e fui empurrando-a, enquanto me
espremia entre as crateras, à minha esquerda, e o barranco, à minha direita.
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Repetindo: Estrada
Real é isso: |
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ou não se
vai ou, quando se vai, se sabe ao que se vai. |
Quando a subida cascuda e esburacada terminou, voltei a pedalar em terreno plano e as primeiras - e poucas - casas de Patrimônio dos Paiva foram aparecendo.
Havia chegado à metade do caminho. Santos Dumont (MG) a 28 quilômetros.
Parei diante de uma casa simples. Pelas grades do portão,
avistei uma senhora sentada e vendo o tempo passar. Perguntei se havia algum
lugar onde eu pudesse almoçar.
Ela chamou o filho que, pronta e gentilmente, me levou a uma
casa na rua de baixo, me apresentou à Sra. Lúcia, que colocou as panelas
novamente sobre a mesa e me serviu uma refeição maravilhosa, com arroz, feijão,
macarrão, salada e, de quebra, dois ovos mexidos. Duas Cocas 290 ml para
assentar a refeição no estômago, agora não mais vazio como uma moringa.
Isso chama-se hospitalidade mineira, presente ao longo de todos os caminhos da Estrada Real.
Às 14h, depois de agradecer e me despedir daqueles que me
ajudaram, de maneira tão gentil, deixei Patrimônio dos Paivas e
voltei à lida e à estrada. Mas não por muito tempo.
Não havia pedalado nem três quilômetros quando ouvi o som de água correndo. Uma visão maravilhosa à minha esquerda: um rio de águas claras e convidativas ao banho.
Tirei o capacete, o relógio e logo estava a me deliciar naquelas
águas frias, que arrefeceram o calor. O almoço dos deuses e o banho, elevaram o
moral e deram o gás necessário para continuar.
Com a roupa molhada, o calor foi abrandado, mas por pouco tempo. Mesmo assim, valeu muito ter banhado naquela que é considerada o período mais quente do dia (entre 14 e 15h).
Faltavam 10 quilômetros para o fim do trecho em leito natural.
Após uma descida forte, em obras de calçamento, pavimentação em blocos de concreto e implantação de sistema de drenagens, cheguei à Estação Ferroviária de Cabangu (à esquerda) e ao Museu Cabangu (à direita), que ocupa uma área de 365 mil m², guardando espelhos d’água, cascatas, quiosques, jardins, arvoredos e passarelas. Ali nasceu, em 1873, Alberto Santos Dumont.
Naquele ponto, o leito do caminho aplainou e atravessei a linha férrea da RMS Logística.
O significado da palavra "Cabangu” é um tanto folclórico. Vem da transformação da frase "Acabou o angu", usada pelos antigos moradores à época da construção da ferrovia na região.
Transpassado os trilhos ferroviários, fim do caminho em leito
natural e início do asfalto da Rodovia BR – 499, com acostamento excelente e
fraco movimento de veículos. Eram 16h
15.
Faltavam 18 quilômetros para encerrar a jornada daquele 28/04/2026, o 5º dia pedalando pelo Caminho Novo da Estrada Real, prova cabal de felicidade.
Às 18h 30 cheguei a Santos Dumont (MG), cujo primeiro nome foi Palmira, e estacionei a bike defronte à Banca de jornais do Zezé, ponto de carimbo no Passaporte da Estrada Real.
A caminho da Pousada Vila Dumont, a estalagem reservada para pernoite, ao passar pela entrada de um bar, a decoração interna me chamou a atenção: seu interior reproduz fielmente a Vila do Chaves. Entrei para contemplar. Arranjo deveras criativo. O empório chama-se “Bar da Vila”
Entrei e não resisti ao ver canecas de chopes sendo servidas no
balcão e nas mesas. Tomei duas tulipas para fazer descer a poeira do caminho e
irrigar a goela seca.
Fui à Pousada Vila Dumont, banhei e voltei à Vila do Chaves para jantar e encerrar aquele dia da melhor forma possível: comemorando, silenciosamente, o fato de ter pedalado o trecho mais extenso do Caminho Novo da Estrada Real, com apoio quase zero e o cronograma sendo cumprido à risca.
Noite esplendidamente bem dormida, sob denso e promissor silêncio.
Petrópolis (RJ) a 203 quilômetros, 19 quilômetros a menos em
relação à distância entre São Paulo (SP) e Ubatuba (SP).
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29/04/2026 |
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6º dia |
S. DUMONT (MG) A EWBANK DA CÂMARA (MG) |
20 km |
68 km |
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EWBANK DA CÂMARA (MG) A JUIZ DE FORA
(MG) |
48 km |
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Despertei com aroma de pão de queijo no ar. Não foi difícil identificar de onde vinha deliciosa fragrância.
Deixei para arrumar meus haveres após o delicioso e farto café da manhã ou pequeno almoço, como se diz em Portugal. E ainda existem pessoas que afirmam que no Brasil, falamos Português.
Ao sair para a etapa de cada dia, o mesmo ritual se repetia: acoplar alforjes à garupa e verificar a fixação no bagageiro, esperar o GPS se entender com os satélites, odômetro parcial zerado da quilometragem do dia anterior, verificar a previsão do tempo, via celular, e uma última olhada na altimetria a encarar. Pura rotina. Às 9h 10, tudo pronto.
Iniciei as primeiras pedaladas pela Avenida Getúlio Vargas, onde existe uma réplica [em miniatura] da Torre Eiffel.
Tentei fotografá-la, mas havia grande movimentação de
pessoas ao redor do monumento. Para obter bom ângulo, seria preciso me
posicionar no meio da rua, com muitos automóveis circulando. Desisti e consegui
imagens melhores na internet.
Disponível em: <ipatrimonio.org/santos-dumont-monumento-da-torre-eiffel-e-dirigivel-numero-6/>. Acesso:
12/05/2026.
Continuei pedalando pela Avenida Getúlio Vargas até alcançar o Trevo Sul, acesso à BR - 040.
Atravessei-a no ponto no qual um marco da Estrada Real, doutro lado da rodovia, indica o início do caminho para Ewbank da Câmara (MG).
Ao parar no Posto 14 Bis, próximo ao marco que aparece na foto acima, completei as garrafas (caramanholas) com água e bati uma tigela de açaí.
Um frentista alertou-me que o trecho da Estrada Real, entre Santos
Dumont (MG) e Ewbank da Câmara (MG), está muito ruim, por conta das últimas
chuvas e da falta de manutenção no piso. Nas etapas feitas em trilhas, “nem
moto passa, sô”, falou-me o funcionário do posto, que mora próximo às áreas
afetadas.
Agradeci a preciosa informação e parti para o Plano B: ir de
Santos Dumont (MG) a Ewbank da Câmara (MG) pedalando pela Rodovia BR - 040, apesar da
falta de acostamento e trânsito, naquele dia, felizmente, de leve a moderado.
Foi uma etapa tranquila.
A maioria dos motoristas, independentemente do tamanho dos veículos
que conduziam, desviava de mim pela faixa da esquerda. Por isso, retrovisor é
indispensável numa bike, assim como nos veículos automotores, independente do
tamanho e da quantidade de rodas. Na minha bike tenho um retrovisor da moto
Titan – 125, acoplado no lado esquerdo do guidão.
Às 10h 36 estava pedalando pelo calçamento de Ewbank da Câmara
(MG) – a antiga Tabuões –, que, apesar de desconhecida do grande público, tem
sua história fortemente ligadas à antiga ferrovia e ao engenheiro José Ewbank
da Câmara, pioneiro no plano estratégico das ferrovias gaúchas e
autor da transferência do nome Tabuões para Ewbank da Câmara.
Fui rever a Estação Ferroviária, que fez parte da Estrada de Ferro D. Pedro II até 1889, quando a ferrovia passou a ser chamada de Estrada de Ferro Central do Brasil.
Às 11h, delicioso almoço no Restaurante Drijair, conhecido da viagem de 2017, quando percorri a Estrada Real de Petrópolis (RJ) a Ouro Preto (MG).
Esse restaurante, fundado há 25 anos (em 20/04/2001), resistiu aos temporais, às fake news acerca da eficácia das vacinas e à pandemia da Covid – 19, serve refeições de qualidade, comida farta e saborosa. Recomendo o Drijair.
A Estação Ferroviária de Ewbank da Câmara, inaugurada em 1890, foi restaurada recentemente.
A Prefeitura realizou obras de revitalização e urbanização no entorno da estação, tombada como patrimônio histórico e cultural.
Atualmente, o prédio sedia a Biblioteca Pública do município.
Disponível em: https://www.google.com/search.
Acesso: 12/05/2026.
Terminado o almoço, iniciei a química digestiva revendo a Igreja de Santo Antônio,
edificada em 1909 e elevada à condição de Paróquia em 1994.
Ao meio-dia e meia zarpei de Ewbank da Câmara (MG) para encarar 48 quilômetros de vastidão até Juiz de Fora (MG).
A primeira parada - às 13h - foi em Chapéu D'Uvas, oito quilômetros adiante de Ewbank da Câmara (MG). É um antigo distrito/região de Juiz de Fora (MG), que teve sua estação ferroviária inaugurada em 1887.
O distrito também abriga a colossal Represa de Chapéu d´Uvas, com 12 km2 de espelho d’água. (*).
Para efeito comparativo, o
espelho d’água do Lago Paranoá, localizado no Plano Piloto de
Brasília (DF), tem 38 km2.
(*) Situada a 50 quilômetros da nascente do Rio Paraibuna e a 36 quilômetros de Juiz de Fora (MG), a represa tem 12 km2 de espelho d’água, 41 m de profundidade e volume de 146 milhões m3.
O lago formado pelo barramento do curso do Rio Paraibuna tem capacidade para fornecer cinco mil litros de água por segundo.
A obra foi concebida com as finalidades de defender Juiz de Fora das inundações, regularizar o volume do Rio Paraibuna, permitir maior aproveitamento das usinas hidrelétricas da Cemig e ser mais uma fonte de abastecimento de água às localidades de Juiz de Fora (MG), Santos Dumont (MG) e Antônio Carlos (MG).
Disponível
em:<www.cesama.com.br/mananciais/barragem-de-chapeu-d-uvas-2>. Acesso:
1º/03/2017.
É também local ideal para turismo rural e de natureza, incluindo a pesca esportiva (tucunaré, tilápia), passeios de lancha na represa, trilhas off-road e cicloturismo.
A localidade de Chapéu d'Uvas abrigava cerca de 607 habitantes, segundo dados referenciados pelo Censo 2010.
A área foi profundamente transformada pela construção da Represa de Chapéu d´Uvas, inaugurada em 1994, que cobriu o povoado original e realocou a população em áreas adjacentes à represa.
Pedal que segue e sob calor senegalês. Transpassei uma ponte sobre pequeno braço de rio canalizado. Delicioso banho para arrefecer a canícula abrasadora que, àquela hora, estava em 33°C.
Devidamente refrescado raspei-me dali e passei a pedalar com as
marcações da Gasmig (Companhia de Gás de Minas Gerais), distribuidora
exclusiva de gás natural canalizado para Juiz de Fora (MG), Antônio Carlos
(MG), Santos (Dumont (MG) e demais distritos desses três municípios mineiros.
A julgar pelo número de trancas, o proprietário não quer que ciclistas atravessem sua propriedade.
Dei meia-volta e retornei à portaria do gasoduto da Gasmig.
Um funcionário me informou que, para seguir, eu deveria subir um morro, absurdamente inclinado, que tem início após a bifurcação entre a Estrada Real – interditada – e o desvio. (Foto).
Felizmente, o piso do caminho alternativo é de bloquetes, dispostos de forma regular; infelizmente, as absurdas inclinações no sobe e desce - 1 km para cima e 1 km para baixo -, não me deram outra opção: empurra a bike com dignidade por uma hora.
Empurrei a bike e, ao coroar o cume, uma descida, igualmente absurda à subida, me levou de volta à Estrada Real, contornando, dessa maneira, a propriedade com a porteira fechada [repito indignado] por três cadeados e grossas correntes. Que transtorno.
Quando retornei ao leito da Estrada Real, eram 14h 30 e ainda faltavam 34 quilômetros para Juiz de Fora (MG).
Dias Tavares, um misto de bairro e distrito de Juiz de Forra (MG), foi a próxima parada, 14 quilômetros adiante. Mas para alcançá-lo foi necessário "escalar" uma parede, descê-la, comprar paçocas e Fanta Uva com caquinhos de gelo no gargalo e "escalar" outra parede para prosseguir viagem.
Cerca de meia-hora depois das "escaladas", avistei a Estação Ferroviária de Dias Tavares, quando atravessei a linha férrea, administrada pela MRS Logística.
Transpassados os trilhos ferroviários, passei a pedalar numa longa reta, que desemboca, de forma ortogonal [90º], na Rodovia BR - 040, defronte ao Graal Sylvios. Eram 17h e o Sol escorria mansamente para o Oeste.
No Graal Sylvios, café expresso de qualidade, depois de alguns dias sem essa iguaria, que tanto aprecio.
Não foi preciso muito esforço para concluir que chegaria a Juiz
de Fora (MG) sob o manto da noite.
Pelo adiantar da hora, ir para área central de Juiz de Fora (MG), via Bairro Barreira do Triunfo, conforme indica um marco da Estrada Real no primeiro acesso à cidade, seria loucura, pois pedalaria por ruas muito movimentadas àquela hora, a hora do rush.
Não confundir rush, barulho, com hush, silêncio.
Decidi seguir pela BR - 040 por 13 quilômetros até a saída 786, que corresponde ao KM 786, onde há um acesso [direto] à Rodoviária de Juiz de Fora (MG), vizinha ao Pepita Hotel, local do pernoite daquela 4ªf.
Venci os 13 quilômetros pedalados pelo BR - 040, cheguei ao acesso ao Bairro São Dimas, abandonei a Rodovia [BR - 040], ingressei noutra Rodovia [BR -267], que me conduziu, por meio uma descida maravilhosa e com dois quilômetros de extensão, à Avenida Brasil, onde fica o Pepita Hotel. Eram 18h 30.
Mais tarde fui a passos à Brasa Churrascaria. Cerveja gelada e carnes variadas. Melhor maneira de fechar dia de pedal tão duro e sob calor saariano.
Petrópolis (RJ) a 137 quilômetros, um pouco menos que a distância entre Brasília (DF) e Pirenópolis (GO), que é de 150 quilômetros.
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30/04/2026 |
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7º dia |
JUIZ DE FORA (MG) À DIVISA MG/RJ |
48 km |
69 km |
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DIVISA MG/RJ A PARAÍBA DO SUL (RJ) |
21 km |
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Penúltimo dia da aventura. Passeio com gosto de fim.
Minha 8ª edição pelos caminhos da Estrada Real estava quase concluída. Parti rumo a Paraíba do Sul (RJ), a Rainha das Águas Minerais.
Manhã ensolarada em Juiz de Fora (MG) - 567.730 habitantes (IBGE - 2025) -, a maior cidade da Zona da Mata Mineira. Zarpei às 10h 09.
O Pepita Hotel não é nenhuma Brastemp, mas sua localização é que me fez escolhê-lo, desta e de outras vezes, como local de pernoite, por ficar na Avenida Brasil, que me levou, de forma direta, à saída da cidade rumo a Mathias Barbosa (MG), 21 quilômetros adiante.
Há um arremedo de ciclovia na Avenida Brasil, mas os marcos da Estrada Real inexistem em Juiz de Fora (MG). Seguia as placas de sinalização indicando a saída para Leopoldina (MG) e Mathias Barbosa (MG).
O trânsito frenético e ciclovia estreita. Porém, sem dificuldades, alcancei a Rodovia União e Indústria, antiga Petrópolis - Juiz de Fora, construída pelo Comendador Mariano Procópio, que conectou Petrópolis (RJ) a Juiz de Fora (MG), sendo fundamental para o escoamento da produção cafeeira da região à época do Ciclo do Café (século XIX).
A Rodovia União e Indústria foi inaugurada em 23 de junho de 1861 com a presença de S.M.I D.
Pedro II, sendo a primeira rodovia macadamizada (*) da América
Latina.
(*) Adjetivo que descreve estradas ou ruas pavimentadas com o sistema macadame.
Essa técnica consiste na compactação de várias camadas de pedra britada, desenvolvida pelo engenheiro escocês John Loudon McAdam, por volta de 1820, para criar superfícies duráveis e convexas.
Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Macadame. Acesso: 12/05/2026.
Sem acostamento e com trânsito moderado, fui percorrendo placidamente a primeira rodovia pavimentada do Brasil - Rodovia União e Indústria -, repleta de curvas e escassa em trechos planos.
Nos anos 1950, ela foi estendida ao Rio de Janeiro e passou a ligar, a então capital do País, a Belo Horizonte e, posteriormente, a Brasília. Na época era nomeada BR - 3.
Às 11h cheguei a Matias Barbosa (MG). Parada para o almoço e
carimbo no Passaporte Estrada Real, ambos no Restaurante Cabana Matiense, às
margens da Rodovia União e Indústria.
Almoço maravilhoso e café expresso divino, acompanhado de delicioso pudim de leite.
Às 12h, com o Sol no Zênite, segui pela Rodovia União e Indústria, passei sob o viaduto da BR - 040 e tomei a proa de Cotegipe, distrito de Simão Pereira (MG), pedalando pela Estrada do Buraco Fundo.
Parada para conhecer e fotografar a reformada Estação Ferroviária de Cotegipe, distrito de Simão Pereira (MG). Eram 13h 20.
O Barão de Cotegipe (João Maurício Wanderley) foi uma das principais figuras políticas do Império e um dos poucos senadores a votar contra a aprovação da Lei Áurea em 1888.
Ele defendia os interesses dos
grandes proprietários de terras e argumentava que a abolição sem indenização
causaria uma grave crise econômica no país.
A administração municipal inaugurou a restauração da Estação Ferroviária de Cotegipe, um projeto que recuperou o telhado, instalações elétricas, pintura e adicionou acessibilidade e palco para atividades culturais.
É um belo e pacato sítio, onde o tempo parece não ter pressa em passar, dando a impressão que tudo transcorre como de hábito, ou seja, sem transcorrer.
Às 13h 35, Cotegipe ficou para trás e retornei à rodovia (Estrada do Buraco Fundo).
Não girei muito e veio uma subida mais inclinada que o Monte
Calvário, com 2,4 quilômetros de ascenso e que termina no Mirante Pôr do Sol.
Eram 14h 43.
Testemunhar o ocaso, (hora do Pôr do Sol) sentado nesse balanço (foto), deve ser um espetáculo. Mas estava muito cedo para o crepúsculo vespertino e 45 longos quilômetros me aguardavam, sendo que os 20 quilômetros finais, até Paraíba do Sul (RJ), foram percorridos em leito natural.
Uma descida alucinante me levou, do Mirante Pôr do Sol, ao trevo de acesso – novamente - à Rodovia União e Indústria.
Cheguei a Simão Pereira (MG), último município mineiro antes da divisa MG/RJ. Eram 14h 48.
O calor que se desprendia do asfalto, deu-me a impressão de estar numa sucursal do inferno.
O GPS marcava 34°C. Senti falta de chuva abençoada.
Foi uma passagem rápida por Simão Pereira (MG). Sua população, recenseada no Censo 2022, era de parcos 2.947 habitantes.
O atual município nasceu em consequência da abertura do Caminho Novo da Estrada Real, em 1698.
Simão Pereira de Sá foi o primeiro donatário e colonizador das terras municipais do arraial que recebeu seu nome, em 1746.
Simão Pereira (MG) é atravessado por uma ferrovia de grande importância histórica - a Linha do Centro da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil - estando hoje sob concessão – e não privatização – da MRS Logística para o transporte de cargas.
A cidade oferece mirantes com vistas espetaculares, excelente gastronomia típica e roteiros perfeitos para caminhadas e ciclismo. De certo é o destino ideal para quem busca tranquilidade e contato com a natureza.
Ao pedalar pelas plácidas ruas daquele sossegado sítio (lugar), constatei que a configuração da área urbana de Simão Pereira (MG) foi sendo construída – acidentalmente ou não – segundo o padrão helênico-romano de cardo maximus e decumani, quer dizer, com uma via principal de Norte a Sul (cardo maximus) interceptada em ângulo reto (90º) por outras ruas menores (decumani), orientada de Leste a Oeste.
Inúmeros municípios brasileiros, de porte pequeno, têm esse padrão helênico - romano.
(Nota do Autor).
Faltavam duas horas para o crepúsculo vespertino e o “tempo não para no porto, não apita na curva e nem espera ninguém”, conforme está na canção de Reginaldo Bessa (1974) e finalista do Festival Abertura (1975), que revelou e projetou artistas consagrados, como Djavan – que alcançou o 2º lugar cantando "Fato Consumado".
Oito quilômetros à frente de Simão Pereira (MG), o Registro do Paraibuna passou à minha esquerda. Eram 15h 26.
É um prédio em ruínas, situado estrategicamente nos limites naturais entre os Estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, às margens da Rodovia União e Indústria, a antiga Rio de Janeiro (RJ) - Juiz de Fora (MG) ou União e Indústria.
À época do Ciclo do Ouro (1695 - 1808) foi parada obrigatória para o recolhimento do Quinto Real (*), imposto (20%) cobrado pela Coroa Portuguesa, que incidia sobre o ouro que seguia pela Estrada Real - Caminho Novo -, da antiga Vila Rica (atual Ouro Preto - MG) para a Corte (Rio de Janeiro) e posterior envio a Portugal.
(*) O termo quinto não significou necessariamente a quinta parte (1/5) ou 20% da produção de ouro.
Na verdade, o quinto assumiu o significado de quota devida sobre o ouro, podendo não corresponder ao limite de 20%, ou seja, o quinto ficou sendo a denominação para qualquer forma de encargo tributário destinado especificamente às explorações auríferas.
Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a
inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre
Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, p.61.
O Registro do Paraibuna evitava os descaminhos (contrabando) do ouro nas Minas Setecentistas.
A mãe do Duque de Caxias - Mariana Cândida de Oliveira Belo - nasceu, em 29 de abril de 1783, no interior desse prédio, em lamentável estado de conservação.
Às 15h 42, atravessei a ponte sobre o Rio Paraibuna, que marca a
divisa natural entre MG/RJ. Essa travessia, nos tempos do Ciclo do Ouro (1695 - 1808),
tem história para contar.
A coloração escura das águas do Rio Paraibuna – foto –, deveu-se à turbidez causada pelas fortes chuvas, que antecederam à minha passagem nesta aventura.
Nos tempos do ouro, a travessia do Rio Paraibuna era feita um pouco mais rio acima (a montante) de onde hoje está a ponte da estrada de ferro.
Alguns autores, diferentemente, dizem que a atual ponte foi construída sobre os pilares da antiga.
Um desenho da ponte, feito há mais de 150 anos, pelo pintor alemão Johann Moritz Rugendas, revela que a ponte era coberta. Esse cuidado era necessário, pois aumentava sua vida útil uma vez que [as pontes] eram feitas de madeira.
Em 1842, a ponte que Rugendas desenhou, foi queimada à época da Revolução Liberal, de forma a dificultar o avanço das tropas “corretivas” do Duque de Caxias, que marchavam em direção ao território mineiro.
Fonte Guia Estrada Real para caminhantes: RJ a J. Fora. Olivé Raphael, Ed. Estrada Real, 1999 p. 80.
Ao fundo da Paisagem, o colosso da Pedra do Paraibuna. Estava em Monte Serrat, distrito de Levy Gasparian (RJ).
Segundo dados fornecidos pelo IBGE, a Pedra do Paraibuna possui aproximadamente 890 metros de altura e, em vão livre, tem imenso paredão vertical, com cerca de 450 metros de altura. Esse monolito é o eterno vigilante da região.
Outro destaque dessa afável localidade é a Igreja de Nossa Senhora de Monte Serrat, inaugurada em 1869 por S.M.I o Senhor D. Pedro II, o segundo e último monarca do Império, tendo reinado o País ao longo de 58 anos (1831 – 1889).
Somente a Rainha Vitória, rainha do Reino Unido e Irlanda, teve
um reinado mais longevo (duradouro) que D. Pedro II: 64 anos no poder, contra
58 anos de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco
Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança - o
Magnânimo -, pai das Princesas Isabel e Leopoldina e marido da italiana Teresa
Cristina de Bourbon-Duas Sicílias.

Às 16h, me despedi silenciosamente daquele sítio maravilhoso, na minha opinião, um dos trechos mais cênicos (relativo a um cenário) da Estrada Real.
Lugar que me fez relembrar as primeiras viagens de ônibus do Rio de Janeiro (RJ) para Brasília (DF) - início dos anos 1970 - quando minha família se transferiu da Cidade Maravilhosa para a Capital do País.
Bike novamente na Estrada União e Indústria, no rumo de Paraíba do Sul (RJ), mas por poucos quilômetros.
Defronte à PCH (Pequena Central Hidrelétrica), instalada no Rio
Paraibuna, um marco da Estrada Real indica virar à direita e ingressar num
trecho, em leito natural, que se estendeu até Paraíba do Sul (RJ). Eram 16h 15.
O Sol, aos poucos, foi escorrendo para detrás (posição estática) da Pedra do Paraibuna, deixando réstias de luz, que se erguiam pelo firmamento. As sombras começaram a crescer sobre o caminho. Chegaria (como de fato cheguei) a Paraíba do Sul (RJ) sob o manto da noite.
Estava preparado para enfrentar o breu. Acoplei um farol no guidão da bike e segui cortando a escuridão, como a proa de um navio, atravessando a imensidão do oceano.
Era a primeira noite de Lua Cheia,
que logo se ergueu acima do horizonte Leste e surgiu entre escassos fiapos de
nuvens, à semelhança de uma enorme hóstia.
Pedalava sob um silêncio de sabedoria e tendo o céu com tons que
iam do roxo claro ao rosa pêssego, no lado Oeste, enquanto a Lua Cheia, do lado
Leste, testemunhava minha jornada pela Estrada Real. Privilégio para poucos.
Farol ligado novamente e, vencendo a escuridão, sem percalços, cheguei
a Paraíba do Sul (RJ), a Rainha das Águas Minerais, às 19h.
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01/05/2026 |
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8º dia |
PARAÍBA DO SUL (RJ) A ITAIPAVA (RJ) |
34 km |
68 km |
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ITAIPAVA (RJ) A PETRÓPOLIS (RJ) |
32 km |
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O café da manhã foi farto em pães e frutas, meu combustível para aquele último dia de jornada até a Cidade Imperial, com 68 difíceis quilômetros me aguardando.
Às 13h 20 atravessei Queima Sangue, sítio tão singular quanto nossos pensamentos. É outro bairro de Paraíba do Sul (RJ).
Nesse pacato e recôndito lugar, a
vida decorre monótona e placidamente.

"O bairro [Queima Sangue] começou a ser criado após se tornar um ponto de parada dos tropeiros, pessoas que levavam o ouro por meio de muares (mulas)".
"Quando passavam por Paraíba do Sul, fizeram de Queima-Sangue local de parada para se abrigarem e aproveitavam para cauterizar as feridas das mulas e cavalos utilizados no transporte do ouro".
"O bairro ganhou o nome de Queima-Sangue, local no qual era queimado o sangue dos animais para cicatrização".
"Segundo historiadores, o lugar das cauterizações ocorria na atual Praça Sebastiana Nunes".
Disponível em:<http://blogdequeimasangue.blogspot.com/p/historia-do-bairro.html>. Acesso: 12/05/2026 (com adaptações).
E segui pelos sofridos quilômetros da RJ - 131. Sofridos por conta do mormaço, da rodovia estreita [e sem acostamento], dos ascensos contínuos e prolongados, intervalados por curtas descidas, com trânsito cascudo. Tenso!
Às 13h 15, parada providencial em Sebollas ou Arraial de
Inconfidência, 3º distrito de Paraíba do Sul (RJ), também conhecido por
antiga Vila de Santana de Sebollas (*), que guarda uma parte pouco conhecida - infelizmente - da nossa
mal contada História do Brasil.
(*) A localidade de Sebollas, também conhecida como Inconfidência, guarda passagens importantes da nossa história.
Consta que ali, com frequência, pousava Tiradentes, o arauto da Inconfidência Mineira, em suas viagens ao Rio de Janeiro, tendo - naquele sítio - desenvolvido algumas amizades.
Preso no Rio de Janeiro, à Rua dos Latoeiros – atual Rua Gonçalves dia –, no Centro, em 1789, e enforcado, no mesmo sítio, em 21/04/1792, o Alferes teve o corpo partido em pedaços e algumas partes ficaram expostas em lugares públicos, ao longo do trajeto por ele habitualmente percorrido, desde as Minas Gerais até o Rio de Janeiro, para que constasse como exemplo e desestímulo a eventuais insurgentes.
Foi assim que, uma das partes de seu corpo, o quarto superior esquerdo, foi pendurado na localidade de Sebollas.
No início da tarde de 21 de abril de 1792, retirado da forca, o seu corpo foi entregue a soldados tidos como hábeis na arte de esquartejar.
Dividiram o cadáver de acordo com o decidido na sentença, as partes foram colocadas em sacos de couro com suficiente quantidade de sal.
Foram chamados tropeiros a fim de fazer o transporte das peças para o sítio das Sebollas e para Minas.
A viagem durou cerca de 20 dias, o dobro do tempo normal, pois eles tinham que providenciar a entrega dos restos ao longo do caminho para serem expostos.
O sítio das Sebollas foi o primeiro local a receber 1/4 do corpo de Tiradentes e a pendurá-lo no alto do poste; o segundo quarto foi levantado no Arraial da Igreja (atual Barbacena - MG); o terceiro, entregue na Estalagem da Varginha, situada a seis quilômetros de Conselheiro Lafaiete (MG) e o último quarto foi pendurado no sítio das Bandeiras, próximo a Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto (MG).
Coube a Vila Rica (Atual Ouro Preto) a cabeça que, guardada por sentinelas, ficou expostas por dias na atual Praça Tiradentes.
Fonte: Ibañez, Alexandre. Marília de Dirceu : a musa, a inconfidência e a vida privada em Ouro Preto no século XVIII / Alexandre Ibañez, Staël Gontijo - Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2012, pp. 131-132.
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Nas linhas que se seguem, eis o porquê de a nossa História [do Brasil] ser tão mal contada.
Vamos aos fatos:
Àquela época, era regra, antes de qualquer execução, raspar a barba e os cabelos do condenado, no caso, Tiradentes, condenado à forca.
No quadro do pintor paraibano Pedro Américo, Tiradentes não teve a barba e, muito menos, os cabelos cortados.
Esse quadro ratifica outra construção mitológica da nossa mal contada História do Brasil.
Os livros didáticos do Ensino Fundamental II (6º ao 9 º ano) mostram [o mito?] Tiradentes como uma figura parecida à de Jesus Cristo. Num Brasil de forte tradição católica, isso pegou bem. Mas não é real. É outra construção mitológica.
"Narrativas celebratórias, porém, nem sempre correspondem à realidade", anotou Laurentino Gomes, na Obra 1889, 1ª ed. - São Paulo: Globo, 2013, p. 317.
A versão sempre é mais importante e empolgante do que a realidade.

Tiradentes, e os demais conjurados (*), jamais quiseram a independência do Brasil, e sim a emancipação da Capitania de Minas Gerais das garras ferozes da Coroa Portuguesa, que sugava o ouro do Brasil com voracidade.
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(*) OS 25 CONJURADOS |
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PENA DE MORTE (1) |
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1. Alferes Joaquim José da Silva Xavier — o Tiradentes |
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PENA COMUTADA (ALTERADA) PARA DEGREDO
(10) |
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2. Tenente - Coronel Fcº de Paula Freire de Andrade - Morte em
Angola 1808 |
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3. José Álvares Maciel - Morreu em Angola 1804 |
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4. Coronel Inácio José de Alvarenga Peixoto - Morreu em Angola
1804 |
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5. Ten. Coronel Domingos de Abreu Vieira - Morreu em Moçambique
1794 |
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6. Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes - Morte em
Moçambique 1794 |
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7. Sargento - mor Luiz Vaz de Toledo Piza - Morte em Angola 1807 |
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8. Salvador Carvalho do Amaral Gurgel - Morte em Moçambique 1812 |
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9. Capitão José de Resende Costa - Morte em Guiné-Bissau em 1798 |
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10. José de Resende Costa (filho) - Deportado para Cabo Verde.
Voltou ao Brasil em 1809 - Morte no Rio de Janeiro 1841 |
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11. Domingos Vidal de Barbosa Laje - Morreu em Cabo Verde 1793 |
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CONDENADOS AO DEGREDO PERPÉTUO (6) |
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12. Desembargador Tomás Antônio Gonzaga - Morte em Moçambique
1810 |
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13. Capitão Vicente Vieira da Mota - Morte em Moçambique 1798 |
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14. Coronel José Aires Gomes - Morte em Moçambique 1794 |
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15. Antônio de Oliveira Lopes - Morte em Moçambique 1794 |
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16. João da Costa Rodrigues - Não há ano exato e local do
falecimento |
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17. Vitoriano Gonçalves Veloso Morte em Moçambique 1803 |
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FALECIDOS NO CÁRCERE (3) |
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18. Cláudio Manuel da Costa - Morte em 4 de julho de 1789 |
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19. Cap. Manuel Joaquim de Sá Pinto Fortes - Morte em 18 de abril
de 1792 |
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20. Francisco José de Mello - Sem registro do falecimento |
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SENTENÇAS SIGILOSAS (RÉUS CLÉRIGOS)
(5) |
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21. Cônego Luís Vieira da Silva - Morte em Paraty (RJ) 1809 |
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22. Padre José da Silva e Oliveira Rolim - Morte em Diamantina
(MG) 1835 |
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23. Padre Carlos Correia de Toledo e Melo - Morte em Lisboa 1803 |
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24. Padre Manuel Rodrigues da Costa - Voltou a Minas Gerais após
cumprir degredo em Lisboa, por dez
anos, em dependências eclesiásticas. |
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25. Padre José Lopes de Oliveira - Morte em Lisboa 1796 |
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Disponível em: > https://pt.wikipedia.org/wiki/Inconfid%C3%AAncia_Mineira>. Acesso: 12/05/2026. |
Quase nada se sabe sobre a aparência física de Tiradentes. Não há retratos (ou pinturas) do século XVIII e as poucas descrições são imprecisas.
Não se sabe se era branco ou mulato, rico ou pobre e mesmo seu verdadeiro papel na conjuração não é plenamente conhecido e ainda gera muito debate entre os historiadores.
Transformou-se
em um mito sem ter sido plenamente conhecido como personagem histórico.
Como
lembra Murilo de Carvalho, a construção do mito transcende ao debate
historiográfico:
O domínio do mito é o imaginário que se manifesta
na tradição escrita e oral, na produção artística, nos rituais.
A formação do mito pode dar-se contra a evidência documental; o imaginário pode interpretar evidências segundo mecanismos simbólicos que lhe são próprios e que não se enquadram necessariamente na retórica da narrativa histórica.
Disponível em: https://ensinarhistoria.com.br/tiradentes-esquartejado-uma-leitura-critica/
- Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues. Acesso: 12/05/2026.
(*) Gottfried Wilhelm Leibniz foi um proeminente diplomata, filósofo alemão e figura central na história da matemática e na história da filosofia.
"E assim vem sendo construído um País mais imaginário do que real".
Laurentino Gomes em 1822 – Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2010, p. 107.
Às 14h, dei continuidade à jornada, com o Sol tentando vencer algumas nuvens cinzas e robustas. O mormaço comandou aquela tarde.
Com uma dezena de quilômetros percorridos, após deixar Sebollas, entrei nos limites de Secretário, bucólico e charmoso bairro rural pertencente à jurisdição de Pedro do Rio, o 4º distrito de Petrópolis (RJ).
Em Secretário, às margens da Rodovia RJ - 131, parei diante
de outra parte da nossa História em ruínas: o Registro da Pampulha ou
Guarda da Pampulha. (*) Eram 14h 30.
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(*) O Registro da Pampulha, conhecido também como
"Guarda da Pampulha", foi um importante posto de
fiscalização e controle da Coroa Portuguesa situado no trecho do Caminho
Novo da Estrada Real. Situava-se estrategicamente no caminho entre Vila Rica (atual Ouro
Preto - MG) e o Rio de Janeiro, mais precisamente entre Secretário e
Sebollas, cruzando o Rio Fagundes e marcando a entrada no território de
Paraíba do Sul. A Guarda da Pampulha operava na região, sendo um posto de
verificação de passaportes e inspeção de mercadorias, frequentemente associado
ao contexto de trânsito intenso daquela época. Registro da Pampulha. Fotos: Fernando Mendes. Era um dos "registros" da Coroa Portuguesa no Caminho
Novo da Estrada Real, destinado a fiscalizar o transporte de ouro e evitar o
contrabando ou descaminhos, garantindo o pagamento do "quinto" (cota
de 100 arrobas anuais). O local preserva ruínas de paredes de pedra, que servem como
testemunho do período colonial e da fiscalização intensa realizada naquela
época. O posto foi presumivelmente erguido em meados do século XVIII.
As ruínas ficam no Caminho Novo da Estrada Real, criado entre
1722 e 1725, facilitando o escoamento de riquezas, foi a rota mais jovem e mais
rápida para ir da antiga Vila Rica (atual Ouro Preto -MG) à Corte, onde o metal
precioso seguia para Portugal. A região na qual se localizava o registro guarda memórias da fiscalização colonial e, posteriormente, a área ao redor da Guarda da Pampulha foi mencionada em documentos históricos de trânsito e processos daquela época. Disponível em: <www. https://www.google.com/maps/>. Acesso: 12/05/2026. Deixei as ruínas e toquei por 7,5 quilômetros até o BR Posto Ponte de Lima, na área central de Secretário. Outro carimbo no Passaporte Estrada Real. Eram 15h 10. Aproveitei a parada para "injetar" açúcar nas veias: Coca-Cola de 290 ml e, na falta das paçocas de rolha, doce de leite. A exemplo de Sebollas ou Arraial de Inconfidência, Secretário estava com as ruas fervilhando. A nomenclatura da Rodovia RJ - 131 passou a ser RJ - 123. Petrópolis (RJ) a 33 quilômetros. Na saída de Secretário, encarei uma subida contínua de 7 quilômetros - que pareceram muito mais - até Pedro do Rio, o 4º distrito de Petrópolis (RJ). O cronômetro do GPS tragava os dígitos velozmente. Às 16h, atravessei a BR - 040, sob imenso viaduto e vizinho à Cervejaria
Itaipava, e, em poucos metros, estava diante da Estação Ferroviária de Pedro do
Rio, que pertenceu à Linha Norte da Estrada de Ferro Grão-Pará, inaugurada em
1886 e desativada em 1964. Estação Ferroviária em Pedro do Rio. Foto: Fernando Mendes. Estação Ferroviária em Pedro do Rio. Foto: Fernando Mendes. Atualmente, a estação abriga o Centro Cultural, com exposição de fotos e cursos de artesanato. A partir de Pedro do Rio (RJ), a Estrada Real volta ao leito da Rodovia União e Indústria, e o movimento de veículos crescia exponencialmente, ocasionando os conhecidos e inevitáveis engarrafamentos na travessia de Itaipava, Distrito de Petrópolis (RJ), também conhecida como a "Búzios Serrana". Com inúmeros condomínios fechados e de alto padrão, pequenos shoppings, com sofisticadas lojas de grifes, Itaipava (pedra redonda, em Tupi) é frequentada por parte da abastada sociedade carioca. O distrito abriga muitas pousadas com ampla infraestrutura, hotéis de alto padrão e sofisticados restaurantes. Com essas características, não fica difícil imaginar a muvuca por lugar tão chique, principalmente em época de feriado "esticado". Pausa nas pedaladas para delicioso almoço, composto de tilápia grelhada, arroz, feijão e salada. Infelizmente, a máquina de café expresso estava em pane. Às 16h 20, passei pelo acesso a Teresópolis (RJ), girando à esquerda, feito
pela BR -495, a Rodovia das Hortênsias. Continuei em frente pela Rodovia União e Indústria até alcançar um posto de combustíveis (não me recordo o nome nem a bandeira). Conversão à esquerda, atravessei o poluído Rio Piabanha - o Tietê de Petrópolis e região - guardadas as devidas proporções -, e segui as placas de indicativas de Cascatinha, o distrito mais populoso de Petrópolis (RJ), que abriga a Estação Ferroviária de Cascatinha. (*)
Disponível em: https://otremexpresso.blogspot.com/2016/06/estacao-cascatinha-outra-estacao.html. Acesso: 12/05/2026 (com adaptações). Estação Ferroviária de Cascatinha. Foto: Fernando Mendes. Estação Ferroviária de Cascatinha. Foto: Fernando Mendes. Estação Ferroviária de Cascatinha. Foto: Fernando Mendes. Estação Ferroviária de Cascatinha. Foto: Fernando Mendes. Paróquia Santana e São Joaquim, em Cascatinha. Foto: Fernando Mendes. Faltavam incríveis 5,1 quilômetros para chegar ao local do último pernoite da aventura, a Pousada 14 Bis, localizada na área central de Petrópolis (RJ). O vento de alta altitude, varreu as nuvens cinzas e deixou o firmamento limpo e azulado, que logo começou a ser tingido por cores semelhantes a uma aquarela, à medida que o crepúsculo vespertino avançava, emoldurando-o com cores sortidas, que se formavam no céu sobre Petrópolis (RJ). Cenário digno de contemplação para comemorar minha chegada à Cidade Imperial. Segui pela Rua Bernardo Proença que, ao terminar, passa a ser nomeada Rua Quissamã, uma ladeira (a última, depois de tantas pelo caminho) que termina diante do Túnel de Quissamã, no passado, um túnel da Ferrovia Grão - Pará. (*) Atualmente é um túnel rodoviário. (*) A Ferrovia Grão-Pará servia como ponto de ligação saindo de Raiz da Serra, localizada no Rio de Janeiro (RJ), até Petrópolis (RJ), de onde seguia até Pedro do Rio (RJ). Mais adiante, passava por Posse (RJ), Areal (RJ), Três Rios (RJ) e terminava o trajeto em São José do Vale do Rio Preto (RJ), numa extensão de 73 quilômetros. Foi desativada em 1964. Disponível em: < https://ferroviavezevoz.com/2026/03/15/estrada-de-ferro-principe-do-grao-para/. Acesso: 12/05/2026 (com adaptações).
Túnel Quissamã, da extinta E. F. Grão Pará. 100 metros de extensão. Estrada Real trecho entre Petrópolis (RJ) e Paraíba do Sul (RJ). Foto: Fernando Mendes. Túnel Quissamã, da extinta E. F. Grão Pará. 100 metros de extensão. Estrada Real trecho entre Petrópolis (RJ) e Paraíba do Sul (RJ). Foto: Fernando Mendes. ![]() Foto [data provável 1953]. Saída do Túnel Quissamã em Petrópolis (RJ). Disponível em: <https://soupetropolis.com/2025/04/03/nomes-de-rua-voce-conhece-a-historia-por-tras-da-rua-do-tunel-em-petropolis/>. Acesso: 12/05/2026. Para mim foi o ponto final do Caminho Novo da Estrada Real em
Petrópolis (RJ); aos que prosseguem, ela termina no Rio de Janeiro (RJ), no
Antigo Porto da Estrela (*), na Baixada Fluminense, em Magé (RJ). (*) Foi um dos mais importantes entrepostos comerciais do Brasil entre os séculos XVIII e XIX. Conhecido como a "boca das Minas Gerais", funcionou como marco inicial da Estrada Real e escoadouro do ouro e do café. Disponível em:https://institutoestradareal.com.br/cidades/porto-estrela-rj/. Acesso: 12/05/2026. Da Rua Dr. Hélio Bittencourt à Pousada 14 Bis, 1,6 quilômetro. Missão cumprida. À noite, por indicação de um funcionário da pousada, fui ao excelente Restaurante Escritório. Enquanto aguardava a refeição, comprei - via celular - passagem rodoviária para o dia seguinte, que me levou de volta à minha casa, em Brasília (DF). No jantar, saboreei delicioso nhoque à bolonhesa, regado a algumas cervejas bem geladas. Voltei à estalagem e dormi o sono dos justos, além de reparador. O tempo apresentava-se bom e a temperatura em civilizados 23°C. Durante a madrugada, o tempo meteorológico, dotado de seu dinamismo incomparável, "virou". Ao acordar, por volta das 8h, abri a janela do quarto e visualizei o céu denso e fechado, com as nuvens baixas e distraídas a lamber as formações suaves e desnudas dos morros (Serra do Mar) que circundam a Cidade Imperial. O mau tempo, cinza e robusto, estava na vertical de Petrópolis (RJ). Chuva leve e bailando ao sabor do vento. O tempo estava desbotado e não pressagiava nada de bom. Enquanto a carga d’água caía preguiçosamente, e não dava sinais
de que pararia em breve, levei a bike até a garagem da Pousada 14 Bis, lavei-a,
desmontei-a e embalei-a para a viagem de volta. Acertei horário com um taxista que me deixou no Terminal Rodoviário de Petrópolis (RJ) às 17h 30. Às 18h, na Hora do Angelus, o ônibus da Viação Util (*), pertencente ao Grupo Guanabara, com prefixo 11.869, vindo do Rio de Janeiro (RJ), chegou à Rodoviária de Petrópolis (RJ) e o embarque foi finalizado às 18h 06. Fui o único passageiro a embarcar. (*) UTIL (União de Transporte Interestadual de Luxo). Por tratar-se de uma sigla - e não de um adjetivo -, é escrita sem acento agudo na letra U. O motorista deu início à manobra para saída do Box 11 do Terminal. Pude ouvir o agradável chiado de ar comprimido, quando a alavanca do freio de estacionamento - ou manequinho - foi movida para frente, liberando as rodas. O som inconfundível de veículos grandes quando dão marcha à ré: pi - pi - pi - pi - foi ouvido, de forma abafada, da poltrona [leito] na qual eu me encontrava [no andar inferior], pois tratava-se um veículo Double Deck, ou seja, dois andares ou dois pisos. No piso superior, serviço executivo; no piso inferior, serviço leito. Viajei numa poltrona individual. Nada de dormir ao lado de quem eu não conheço. Princípio do qual não abro mão, quando estou desacompanhado, em viagens rodoviárias. Dócil aos comandos, o 11.869 fez uma manobra de 90º, saiu do terminal, se alinhou à BR - 040 e tomou o rumo Norte (N), me levando de volta para casa, a 1.091 quilômetros adiante. Às 20h, parada na garagem da empresa em Juiz de Fora (MG), para troca de motorista e reabastecimento. Em seguida, embarque de passageiros na Rodoviária de Juiz de Fora (MG), atravessada por mim, a passos, a caminho da Brasa Churrascaria, dois dias antes, quando fiz um pernoite na antiga Vila de Santo Antônio do Paraibuna, atual Juiz de Fora (MG). Às 22h 15, houve uma parada providencial na Cabana da Mantiqueira, em Barbacena (MG), onde estive três dias antes para obter outro carimbo no Passaporte Estrada Real. Para afugentar o frio que fazia, uma chávena de delicioso chocolate quente. Às 2h 44, madrugada que se iniciava, outra parada, desta feita em Caetanópolis (MG), no trevo de acesso à Gruta do Maquiné. O frio, que não deu as caras durante a viagem de bike, persistia. Às 5h, ainda bem escuro, parada em Três Marias (MG), na Região
do Alto São Francisco. Segunda e última troca de motorista. Às 8h, desembarque de alguns passageiros em João Pinheiro (MG), a antiga Santana dos Alegres, localizada no Noroeste (NW) do Estado de Minas Gerais (MG). Soma 48.725 habitantes, segundo o Censo IBGE de 2022. A última parada aconteceu em Paracatu (MG), o antigo Arraial de São Luiz e Sant'Ana das Minas do Paracatu, às 9h 25. O município é o maior do Noroeste (NW) do Estado de Minas Gerais (MG) e concentra 99.607 habitantes, segundo o Censo IBGE de 2022. De origem tupi, a palavra Paracatu significa "rio limpo" ou "rio bom". Após passar por uma sucessão de quebra-molas no perímetro urbano de Paracatu (MG), o 11.869 subiu com força a Serra da Tiririca e seguiu pela BR - 040, na proa de Brasília (DF), onde cheguei às 13h 15. Foi uma viagem segura, tranquila e sem percalços. A saída de Petrópolis (RJ) e a chegada a Brasília (DF) aconteceram pontualmente nos horários programados. Retirei do bagageiro do ônibus, a bike, os alforges e as rodas, devidamente embalados. Numa área pouco movimentada do terminal de desembarque da
Rodoviária Interestadual de Brasília (DF), executei a montagem da bike, acoplei
os alforges à garupa ou bagageiro e pedalei tranquilamente por 17 km,
em ciclovias, até minha casa. Ônibus de 15 metros, 6 X 2, Carroceria Marcopolo, Chassis Mercedes Benz e prefixo 11.869. Paracatu (MG). Foto: Fernando Mendes.
Obrigado pela leitura e que venham outras aventuras. Brasília (DF), 12/05/2026. Antônio Fernando Mendes, 66 anos, Professor de Geografia e Geógrafo. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||



















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